COMISSÃO DE ÉTICA PÚBLICA

SINOPSE NOTÍCIAS

12/02/2004





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Correio Braziliense

Adauto exonera diretor do Dnit


Folha Online

Após denúncias contra o Ministério dos Transportes, diretor do Dnit é demitido

Esquema dos "gafanhotos" provoca 12 demissões no BB

Presidente do STJ defende proposta de exoneração de juízes por Conselho







Adauto exonera diretor do Dnit

Demissão de José Coutinho aconteceu depois de denúncias de irregularidades no órgão que dirigia. Mas o ministro também está com os dias contados na pasta. Ele deve se candidatar à prefeitura de Uberaba (MG)

BAPTISTA CHAGAS ALMEIDA DO ESTADO DE MINAS

RUDOLFO LAGO E DENISE ROTHENBURG

Da equipe do Correio

Ninguém sobreviveu ao duelo entre o ministro dos Transportes, Anderson Adauto, e o diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), José Antonio da Silva Coutinho. Adauto atirou primeiro. Hoje, o Diário Oficial da União publica a exoneração de Coutinho. Mas o ministro também saiu do embate mortalmente ferido. Sua demissão ocorrerá nos próximos dias.

O duelo entre Adauto e Coutinho foi revelado pelo Correio na semana passada. Ambos tiveram o mesmo padrinho político, o vice-presidente José Alencar. Mas entraram em rota de colisão no ano passado. No final do ano, Adauto resolveu que demitiria Coutinho. Ocorre, porém, que a demissão do diretor do Dnit não depende apenas dele. Coutinho, como diretor de autarquia, foi sabatinado pelo Senado, e sua exoneração depende do aval do Palácio do Planalto.

O erro de Adauto foi ter deixado que Coutinho soubesse da sua intenção de afastá-lo. Quando percebeu que corria risco, o agora ex-diretor-geral do Dnit resolveu encaminhar à Procuradoria Geral da República e à Controladoria Geral da União cartas com denúncias contra a própria autarquia que dirigia e contra Anderson Adauto. O Correio teve acesso a um lote de cópias das cartas que chegou às mãos do deputado distrital Augusto Carvalho (PPS).

‘‘A coisa não pode mesmo ficar apenas na demissão de Coutinho’’, comenta Carvalho. ‘‘Ele é aquele que teve a coragem de levar à frente a denúncia de irregularidades. Se sair apenas ele, sem a apuração das denúncias, ficará parecendo que o governo as acoberta”.

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DECISÃO PASSOU POR JOSÉ DIRCEU

A demissão de Coutinho começou a consolidar-se na terça-feira à tarde. Adauto telefonou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para explicar o que estava acontecendo. Lula mostrava-se preocupado com a situação. No mínimo, o ministro e o diretor da sua principal autarquia estavam em guerra declarada. E isso contaminava completamente o trabalho no Ministério dos Transportes, em um momento em que metade do país sofre com as enchentes e várias rodovias precisam ser recuperadas.

Adauto disse a Lula que Coutinho não tinha mais a sua confiança. Que para solucionar o problema, precisava tirá-lo da diretoria do Dnit. O presidente não o autorizou na hora. Disse que precisava, primeiro, conversar com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Ontem, Adauto obteve a autorização para exonerar Coutinho.

A demissão de José Antonio da Silva Coutinho é, na verdade, a última cartada de Anderson Adauto à frente do Ministério dos Transportes. Na avaliação de Lula, a situação de guerra declarada que prevaleceu na relação entre os dois compromete Adauto também, a um ponto incontornável. O ministro já não tinha uma boa avaliação no governo. Por pouco, não foi demitido na reforma. Ficou apenas como consideração ao vice-presidente José Alencar.

SAÍDA HONROSA

Ao contrário de Coutinho, porém, Adauto deverá ter uma saída honrosa. Oficialmente, o ministro sairá, a pedido, para disputar a prefeitura de Uberaba (MG). E ainda terá direito à presença do próprio Lula em uma solenidade de inauguração na cidade.

O plano é que Lula compareça, nos próximos dias, à solenidade de inauguração da conclusão da BR-262, estrada que liga Vitória a Belo Horizonte, onde Adauto anunciaria sua saída.A data da cerimônia ainda não está marcada. Para o seu lugar, o PL deverá indicar o prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento.

Além de Coutinho, Adauto também não se entende com seu secretário-executivo, Keiji Kanashiro. Keiji é ligado ao PT, amigo pessoal do ministro-chefe de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, e do próprio Lula. Alguém que não pode ser demitido por Anderson Adauto, portanto. Quando as denúncias começaram a ser publicadas, Keiji começou a se reunir com os demais diretores do Dnit — com exceção de Coutinho — para discutir estratégias que possam melhorar a imagem da autarquia.


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Após denúncias contra o Ministério dos Transportes, diretor do Dnit é demitido

PATRÍCIA ZIMMERMANN

da Folha Online, em Brasília


Após denunciar desvios de recursos no Ministério dos Transportes, o diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes), José Antônio da Silva Coutinho, foi exonerado hoje.

Em nota à imprensa, o ministério informou que "o governo federal decidiu" pela exoneração depois que de constatar, por meio de avaliação, "avanços" mas também a "persistência de alguns problemas" no órgão.

O ministério informou que, apesar da melhoria na qualidade do gasto público verificada no órgão, o processo de mudanças internas ainda necessita de avanços em áreas importantes como a fiscalização de obras, a redução do nível de terceirização, a agilidade nas licitações, entre outras.

"É urgente uma melhor sintonia entre a administração central, em Brasília, e as Units [unidades do Dnit] em todos os Estados", diz a nota.

Para efetuar as correções e avanços necessários, o governo teria decidido ainda em dezembro, promover "algumas mudanças na equipe do Dnit, inclusive seu Diretor Geral, em que pese a correção de sua postura", diz a nota. A exoneração, no entanto, só ocorreu de fato hoje, e será publicada amanhã no "Diário Oficial" da União.

Segundo reportagem do jornal "Correio Braziliense" do último fim-de-semana, Coutinho teria enviado cartas ao procurador geral da República, Cláudio Fonteles e para o Controlador Geral da União, Waldir Pires, em janeiro informando sobre desvio de R$ 32,3 milhões em recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Bird (Banco Mundial) destinados a obras rodoviárias.

O ministério negou por meio de sua assessoria de imprensa a existência de irregularidades. A assessoria do ministro explicou que houve uma "reprogramação orçamentária".

Na prática, o ministério alterou a fonte de recursos para que o dinheiro dos bancos fosse utilizado no pagamento de outras obras prioritárias, e não só aquelas financiadas por organismos internacionais.


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Esquema dos "gafanhotos" provoca 12 demissões no BB

LEONARDO SOUZA

ANDRÉA MICHAEL

da Folha de S.Paulo, em Brasília


O Banco do Brasil demitiu na semana passada, por justa causa, o superintendente no Amazonas, George do Nascimento, e outros 11 funcionários lotados no Estado e em Roraima, por indícios de irregularidades cometidas no escândalo que ficou conhecido como esquema dos "gafanhotos".

Oficialmente, a assessoria do BB em Brasília informou que os funcionários foram demitidos porque uma auditoria constatou que houve "descumprimento de normativos internos". A assessoria disse que não estava autorizada a fornecer o telefone dos ex-funcionários. A Folha não conseguiu localizar George do Nascimento.

Segundo a Folha apurou, as supostas irregularidades estariam ligadas a operações envolvendo a NSAP (Norte Serviços de Arrecadação e Pagamentos Ltda), uma empresa que não existe mais.

Por meio de procurações, pelo menos 60 pessoas ligadas a 30 autoridades de Roraima se apropriavam de parte ou da totalidade dos salários de supostos funcionários do governo estadual.

Um grupo de políticos e empresários cadastrava donas-de-casa e funcionários públicos na folha de pagamento. Essas pessoas foram apelidadas de "gafanhotos" por "comerem" parte do Orçamento do Estado. Cerca de 5.500 pessoas foram utilizadas no esquema.

O funcionalismo era pago pela NSAP, contratada pelo governo de RR. O desvio chegava a 70% da folha de pagamento mensal, segundo a Polícia Federal. A fraude somou cerca de R$ 230 milhões.

A base do ex-superintendente do BB era em Manaus, mas ele cuidava ainda das operações da instituição em Roraima e no Acre.

A forma como a NSAP estava envolvida nas operações bancárias feitas pela "folha-gafanhoto" levou a força-tarefa formada pela PF e o Ministério Público para investigar o caso a abrir um inquérito específico sobre a atuação da empresa, que tinha uma autorização genérica do governo de RR para operar suas contas no BB.

As suspeitas são que os ex-funcionários facilitavam a abertura ou a movimentação de contas no banco para operações irregulares com dinheiro público destinado a convênios. Parte do dinheiro que alimentava os "gafanhotos" era desviada irregularmente de convênios firmados com os ministérios dos Transportes e da Saúde. O Ministério Público e a PF descobriram a fraude em 2003.

Até ontem, não havia informações oficiais sobre a ligação de funcionários do BB ao caso.

Dois ex-membros da administração de Flamarion Portela e um deputado estadual de Roraima são investigados por suspeita de terem feito declarações de Imposto de Renda e recebido a restituição em nome de funcionários "fantasmas". Por conta do escândalo, o governador pediu afastamento do PT no final de 2003.


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Presidente do STJ defende proposta de exoneração de juízes por Conselho

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO

da Folha Online


Um dia depois de o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, defender na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado a possibilidade de o Conselho Nacional de Justiça punir juízes corruptos com a perda do cargo, o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Nilson Naves, afirmou ser favorável à idéia.

A proposta, atualmente em tramitação no Senado, prevê a criação do conselho para fiscalizar a Justiça, o chamado controle externo, e acompanhar a execução orçamentária de cada tribunal. O projeto autoriza a destituição de juízes em casos extremos, mas há forte resistência entre magistrados a essa atuação do órgão.

Para Naves, o conselho de Justiça deveria ser formado por sete representantes --entre eles os presidentes do STF (Supremo Tribunal Federal) e do STJ. Pela proposta em tramitação no Congresso haverá 15 membros: nove juízes, dois representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), dois representantes do Ministério Público, um cidadão indicado pelo Senado e outro pela Câmara.

Apesar de não se considerar corporativo, Naves defendeu a adoção da súmula vinculante apenas para o STJ e para o TST (Tribunal Superior do Trabalho), e disse rejeitar a medida no STF.

SÚMULA VINCULANTE

"Se não for dessa forma, tanto o STJ como o TST correm o risco do STF adotar a súmula em matérias da competência dos dois tribunais. E aí vamos atingir a independência do próprio STJ", avaliou.

A súmula vinculante, defendida pelo presidente do STF, ministro Maurício Corrêa, é um mecanismo pelo qual os juízes ficam obrigados a seguir o entendimento adotado pelo STF ou pelos tribunais superiores sobre temas que já tenham jurisprudência consolidada. O objetivo é reduzir o número de processos na cúpula do Judiciário.

Naves rebateu as críticas de Thomaz Bastos e disse não acreditar na possibilidade de "engessamento da justiça nas instâncias inferiores". Para o presidente do STJ, a medida no STJ preveria alterações e até o cancelamento da súmula.

Em 2003, só sobre FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) o STJ recebeu cerca de 100 mil processos.

"Não que creio que a súmula limite o trabalho do magistrado. Se tivéssemos este instituto [súmula vinculante] esses processos não chegariam aqui, e talvez nem ao tribunal de segundo grau", declarou.

Naves defendeu ainda a volta da vocatória, uma prerrogativa que os militares davam a STF de chamar para si qualquer processo que considerasse importante.


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