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A Profecia de
Margarida – segunda parte.
Lúcio na vida de Margarida.
O telefone toca, Charles atende e é o Lúcio – “Oi, doutor
Charles Pinheiro, o que vossa senhoria quer comigo?”
- “Ué,
ligando de Honduras? O que faz ai? Não tem uma hora eu liguei para o México e
você atendeu...”
- “Ah... Ta vendo como sou bonzinho? Você pagou o telefone
para o México e eu do México para cá e ainda estou te ligando de um telefone
público... E você sabe como são os telefones daqui. Diga logo o que quer?”
-
“Como faz isso?”
- “Ué!!! Transferência, ligam para minha casa em Acapulco e eu
recebo no meu celular em qualquer parte do Mundo, até ai,
- “Eu já disse. Quero que você vá para Catetes dos
Bandeirantes, aqui em Currópo, para proteger uma amiga”
- “Uma
velha ricaça que deu uma volta nos seus protegidos financistas?”
-
“Não. Uma pobre vereadora, que eu gosto muito e que vai ser minha mulher”
-
“Há,há,há,há!!! Não acredito. Ainda mais vereadora.
Conte outra, Doutor!”
- “É
verdade. Mas isso não importa. Depois você confirmará... Quero saber qual é o
seu preço”
- “Eu
ainda não sei de nada. Como dar um preço.”
- “E uma vereadora honesta ou inocente que eu quero
protegê-la sem que ela perceba senão eu a perco. Não tem nada demais”
- “Ta... Tente me enganar e sabe o que acontece. Ela viaja
muito, freqüenta cassinos, bares, sítios...?”
- “Não. Não viaja, mas se viajar você acompanhará,
claro. Não freqüenta cassinos, aliás, aqui em Currópo não existe cassinos. Não
vai à sítios, fazendas, grande festas de galas... É só uma vereadora suburbana
lutando pelo seus direito e direitos de alguma comunidades de corruptos
acreditando que todos são santos.”
- “Ela ta em perigo mesmo? Terei de contratar milícias?”
- “Em perigo ela está. Quem não está em Currópo? Mas ela
mais, porque esta mexendo em casas de marimbondos”
- “Charles, me mande 500 mil reais... Depois eu vejo o que
mais. Mas cada despesa que eu tiver por fora, caso seja obrigado a acompanhá-la
em cassinos, alugar aviões... Correrá por sua conta. Cobrarei por fora”
- “Reais?”
- “São reais. O que eu vou fazer com Euros em Currópo?
Dólar eu não uso mais... Hehehehe!!!
Eu não quero perder o meu dinheirinho que tanto me sacrifico para ganhá-lo.”
- “Está legal. Mas pode ser que você precise ficar todo o
mandato com ela e eu não vou ficar te pagando 500 mil por mês... Pense ai... É
só uma vereadora.”
- “Pare de chiadeira, porque eu não estou te cobrando já
que se trata de um caso seu particular. Você sabe como trabalho. Eu vou está lá
em todos os momentos críticos, fora disso, estarei vigiando dia e noite, de
longe, através de uma boa equipe. Fique tranqüilo, porque sempre cumpro os meus
compromissos... E depois eu te cobrarei somente as despesas, que não deve
chegar a 100 mil por mês. Mas se não quer. Contrate alguns seguranças, obrigue
ela andar com eles a tira colo... e pronto.”
-
“Não. Eu quero você lá... E não deixe ninguém saber que você está protegendo-a,
nem a Doutora Carmen Capeli...”
- “Carmem Capeli? Então a coisa é séria?”
- “Não
é... A doutora Carmem está aposentada e eu pedi para ajudar na criação de uma
Associação lá, para ajudar a minha amiga. É só”
- “Quando eu vou, então?”
- “Imediatamente. Você tem conta em banco aqui em Currópo?”
- “Tenho. Sabe que tenho, mas com pouco dinheiro. Eu vou te
passar o número e você deposite o dinheiro ai, porque eu já vou me preparar
para mudar o meu habitat de forma não perder a vida e me divertir também”.
* * *
Lúcio chega ao Rio das Catequeses às 14 horas - foram
quatro horas de Santiago do Chile à São Paulo e mais
duas horas para o Rio das catequeses, fora o tempo de Honduras à Santiago do
Chile... - Comenta para si mesmo, enquanto pensa no tempo que levou, enquanto
procura um taxi – “Este planeta ainda está muito atrasado. A gente passa
muito mais tempo no transporte que trabalhando...” - E segue para
Copacabana; entra numa Imobiliária e se dirige à recepcionista – “Oi, boneca!!! Minha chave?”
A recepcionista olha o gringo que lhe dirige: É grande,
com um corpo malhado e todo dourado... E fica saliente e gagueja – “Chave? Quem é
o senhor?”
- “No mundo da moda eu sou o Lúcio Cantagalo, mas você tem
autorização para me chamar de Lúcio....” –
Olha para a mulher de cima abaixo e continua – “Eu aluguei um apartamento para uma
temporada de dois meses com o Silvio Cunha e ele me disse que a chave estaria
aqui? Procure ele e peça a minha chave, deve está escondido por ai. Cheguei
agora do aeroporto e estou doidinho para tomar um banho”. – Pisca
para a garota e diz – “Quer vim comigo?”
- “Espere ai” – Diz a garota com um sorriso
indecente e some noutra porta aparecendo com um baixinho e franzino que vem ao
encontro dele com as chaves e um contrato para assinar.
Lucio sai da imobiliária passa por uma agência de
automóvel e dar R$ 7.000 por Tempra 2.0; entra numa loja de informática compra
um computador completo (?) e um celular pré-pago; entra numa loja de xerox e de impressão e encomenda
200 cartões como se fosse um profissional de silkscreen, com o seu nome, o
telefone do apartamento que alugou, do celular que comprou e de um endereço
fictício dali mesmo, para pegar dentro de uma hora e vai à um bar ‘pé suja’
próximo para esperar. Quer saber como anda o Rio das Catequeses que é a Capital
do Estado dos Catetes dos Bandeirantes, pois faz um ano e meio que esteve ali.
Ele não gosta de perder tempo. Quer descansar e se divertir também, por isso
que as horas de trabalho têm que ser aproveitado ao máximo.
Entra no pé sujo, pede uma cerveja, o cara pergunta qual a
marca que ele quer, ele olha para o cartaz, não ver nenhuma propaganda de
cervejas holandesas e indica uma Brahma, dar um gole no copo e redescobre o
sabor refrescante de uma boa cerveja gelada, que só em Currópo existe e
saboreia dois copos quase como água, sob os olhares dos demais freqüentadores.
Rir quando se sente observada e comenta – “Boa. Faz um tempão que não bebo uma dessa...”
Um gaiato que está próximo, brinca
com ele – “Esta
ai não é a boa. A boa é a Antártica. A que vocês está bebendo é a da Zeca-hora” – E rir
-“Esta está gostosa. Gostei e quando eu gosto não troco.
Não quero misturar os sabores e estragar o meu paladar” – Responde e
pergunta –
“Como está o Rio, atualmente? Faz tempo que estou fora.”
- “Em que sentido?”
- “violência, segurança, mulheres... A vida em geral aqui
no Rio das Catequeses?”
- “Pra mim está ruim” – responde o interlocutor que também bebe
uma cerveja e tem cara de operário – “Essa semana, hoje já é quinta feira, eu só conseguir 100
paus” – Diz se referindo a 100 reais. – “Segurança não existe e a violência está
demais, todos os dias tem assalto por ai, roubam até nós que trabalhamos
fazendo biscates nos apartamentos. Muitos mendigos, muitos trombadinhas, muitas
vadias e todos sem dinheiro, pegando o que dar pra pegar”
- “Então eu voltei numa época ruim?”
- “Depende... Tem muitas pessoas ganhando dinheiro, também.
Os pastores de igrejas, banqueiro, donos de financeiras, servidores públicos,
polícia e bandidos... O que você é?”
- “Eu? Faço desenhos, silkscreen... por ai... Mas estou
mais querendo aperfeiçoar meu estilo...”
- “Então, pode até ganhar dinheiro se tiver pistolão,
porque propaganda tem demais, por ai... E você parece estrangeiro. Com essa
aparência se souber ganha mesmo, porque o povo curropano dar mais valor os
estrangeiros.”
Lúcio pede outra cerveja, bebe conversando e sai dali vai
direto para apanhar os seus cartões, pega o carro e segue para o apartamento
alugado. Agora sim, desejoso de um banho e uma soneca gostosa, em um confortável
colchão.
Chega ao prédio e encontra tudo fechado, estaciona o carro
na frente da portaria, desce e aperta a campainha do porteiro, quando uma moto
com um jovem na garupa pára perto de seu carro olhando para dentro.
Ele chega perto e quando vai perguntar o que estava
havendo é rendido pelo carona que desce da moto com um revolver calibre 32, da
Taurus, na mão direita e exclama – “Cachiporrazo!!”
- E quando o carona se aproxima mais ele <ppegar a mão
do moleque numa velocidade incrível, com uma chave de braço jogando o rosto do
garoto em direção a seu pé que o recebe com um chute curto, seco e violento,
enquanto gira sobre si mesmo lançando o outro pé no capacete do que estava na
moto, jogando-o a dois metros fora do veículo. Pega a arma, essa se abre como
mágica fazendo o tambor sair e os projeteis escorrer por suas mãos, esconde a
arma retirada do bandido em sua cintura e se abaixa fingindo que está cuidando
do garoto quando pessoas aparecem – “Eles caíram” - diz para uma senhora – “Vou chamar a
ambulância. Parecem que eles desmaiaram” – Se dirige para o porteiro
eletrônico que pergunta repetidamente – “Quem está ai? Com quem quer falar?”
- “Bem... Meu nome é Lúcio Cantagalo, eu aluguei a
cobertura 1, tenho as chaves, mas quero guardar o
carro na garagem. Pode descer aqui?”
- “Um momento. Estou indo” – Diz o porteiro.
Lúcio se volta para o tumulto que se formou em volta do
motoqueiro e seu carona... Ele chega perto quando vê os dois se levantando,
ainda tontos, e se dirigindo para a moto, percurso em que são ajudados pelos
transeuntes... E somem dali sem dizer nada. E ele comenta – “Coitados!!!”
O Porteiro chega perto, ele abre a porta e diz – “Você que é o
porteiro?”
- “Sou..” – observa o
tumulto de gente que está se dispensando e pergunta – “O que houve ai?”
- “Uma moto caiu”
- “Bem feito! Vai ver é um desses que vivem
assaltando as pessoas nas ruas e nos carros” – volta para o Lúcio,
aponta para o carro – “ É seu?”
- “É. Abre a garagem para eu guardá-lo” – fala
Lúcio lhe entregando o contrato.
O porteiro abre a garagem dizendo aonde é sua vaga. Ele
guarda o carro, pega suas malas, seu computador novo e trás para a recepção,
enquanto o porteiro se comunica com a Síndica que também desce para
excepcioná-lo.
Lúcio abre a porta do apartamento, pensando na síndica,
uma senhora de uns trinta e poucos anos, toda sensual – Comenta alto para si
mesmo – “Se
eu não encontrar alguns filés, já sei aonde tem uma costelinha para matar a
minha fome”
O apartamento é grande: uma sala grande, uma cozinha também
grande com área de serviço anexa ao quarto de empregada; no corredor próximo a
sala tem um banheiro social bom, mas tirando a cozinha todos os moveis estão
coberto com panos brancos. Ele escolhe a suíte, entra, joga suas malas no chão;
coloca o computador em cima de uma cômoda, depois de tirar a coberta; se deita
na cama se esticando todo ficando por ali uns cincos minutos, quando começa se
despir.
Abre uma das duas malas, tira uma toalha e um roupão e se
dirige ao banheiro aonde tem uma banheira de hidromassagem, liga tudo e fica de
molho.
- “Pregunta tú
mismo!” – Pensa alto quando refleti sobre
Doutora Carmem Capeli.
A ex Juíza atuou contra ele num processo na América do
Norte que lhe deu um prejuízo de U$ 2 milhões, seu Green Card,
seu passaporte, seis meses de cadeia e o nome que usava na América. Por causa
dela ele teve de refazer toda sua vida com o nome Lúcio Cantagalo. Ainda bem
pode contar com a ajuda do doutor Charles Pinheiro.
Levanta-se da banheira num impulso, peladão;
vai até seus pertences espalhado sobre a cômoda, pega o telefone e liga para
Charles – “Doutor, sou o
pintor. Quero falar com você. É urgente!” – E
desliga e volta para a banheira, se enxágua, se enxuga e se enrola no roupão,
saindo pela casa para arrumar e ver o que falta para tornar aquele apartamento
mais parecido com o seu lar por dois meses.
Observa que os moveis da sala, grande o
suficiente para também servir de copa, são grandes e escuros,
de madeira caviúna: uma mesa com vidros, um Bufê (espécie de cômoda de
sala) enorme escuro com portas de vidros; uma cristaleira do mesmo material, e
algumas mesinhas da mesma madeira... Só o sofá parece ser novo, mas vagabundo e
totalmente fora do estilo sombrio do ambiente, a sala tem uma janela para
frente da rua, longe da praia, e outra porta dupla (de correr saindo para uma
área jardinada; A cozinha tem armários de fórmica amarela, encabeçado por
madeira de cerejeira, também sem estilo e de mau gosto. A iluminação na sala é
fraca, mas a cozinha parece ser bem iluminada e ainda com ajuda da claridade
que entra pela área de serviço – “Poxa!!! Preciso clarear o ambiente na sala.” – Pensa quando o
outro telefone toca.
Olha o código de área 82 e imagina ser Doutor
Charles – “Doutor, por este telefone, não. Liga
para o pré-pago que comprei aqui... Tou esperando” – Charles desliga e
volta a ligar.
- “O que foi Lúcio? Estou
de um telefone público. Pode falar a vontade. Mas antes me diga se já começou a
atuar.”
- “Não. Cheguei a pouco e
ainda me instalo. Aluguei uma cobertura em Copacabana que mais parece um museu.
Deve ser de uma velha caquética, como a Doutora juíza.”
Charles rir do outro lado e comenta – “Parece que não conhece o Rio. Deveria saber que Copacabana
é o museu do rio, ai mora os velhos. Deveria ter perguntado onde encontrar um
apartamento moderno, já que não gosta de hotéis”
- “Eu sabia. Mas aqui eu
tenho tudo e em outro bairro não teria. Vou dar um jeitinho. Mas deixa isso
para lá. Quero saber se eu posso me vingar da Doutora Carmem. Só lhe arrancar
um braço?”
Charles rir de novo e diz – “Não! Está doido?! Eu preciso dela. Uma de sua obrigação é
protegê-la também”
- “Isso não!...”
- “Você é profissional,
Lúcio”
– Corta
Charles – “Agora ela faz parte da mesma equipe.
Vocês estão em Catetes dos Bandeirantes para ajudar uma pessoa. Só que agora do
mesmo lado”
- “Ela me fez ficar
seis meses na cadeia e hoje eu ainda sou conhecido de toda a polícia do mundo,
mesmo usando várias identidades”.
- “Você não é
percebido. E se não é percebido, não aparece e por isso te chamei. Não existe
ninguém melhor que você para investigação e proteção. Às vezes eu não concordo
com seu modo de agir, mas sei que só de sua maneira conseguimos avanços. Na
época que a juíza fez o relatório contra você, ela não esperava que você
ficasse para defender um cartão e uma conta bancária. Não tinha como dizer que
você trabalhava para o FMI em investigação sigilosa...”
- “Mas era dois
milhões de dólares, meu nome, meu Green card...”
- “Lhe devolvemos o
dinheiro. Não poderíamos te defender. Fiz o que eu pude na época...”
- “Não perdi somente
dinheiro...”
- “Perdeu um nome, uma
a identidade e você têm tantas. E perdeu porque você cismou de encarar o
processo em defesa de uma identidade que assumia... E contra minha vontade.
Devia ter sumido como orientei... Não teria sido preso, não teria sido fixado e
só seria procurado pelos policiais do Texa. Hoje você
tem seu DNA, suas digitais e até a retina no FBI, Interpol...
”
-“Ta.. O erro foi meu. Um dia eu a pego de jeito. Se essa velha
caquética não morrer antes...”
-“Eu preciso dela,
Lúcio. Confie
- “Ok... Está legal.
Agora são 20 horas e ainda estou me instalando, amanhã devo me informar sobre o
caso, mas tenho muita coisa para fazer aqui ainda... Vou passar o dia comprando
coisas e limpando esse lugar. Mesmo porque gosto que a minha casa seja útil e
assim não passa de um dormitório. Devo procurar alguém para me ajudar ainda
hoje. Ah... Vou comprar um telefone pré-pago para quando quiser lhe telefonar”
-
“Deixa o telefone que eu tenho um, que achei. Vou colocar um chip e depois te
mando o número. Boa sorte!” - diz Charles, desligando o aparelho.
Lúcio desliga resmungando – “A culpa ainda é minha...” – coloca o telefone
na mesa e segue para a varanda jardinada, descobre uma mangueira e molha as
plantas enquanto admira o jardinzinho parecendo gostar. Tem até banco de
madeira. E da mesma madeira escura. Senta ali no escuro, se estica todo sobre o
luar sem saber ainda onde poderá acender a luz.
Lúcio liga para o porteiro e pede a ele uma
empregada, se possível diarista, pede também para lhe indicar um eletricista e
um marceneiro para trocar suas fechaduras e a fórmica do armário da cozinha.
Alguém rápido. O porteiro lhe passa os telefones dos profissionais e ele liga
ainda à noite combinando para que aparecerem na manhã seguinte. Para isso é
obrigado oferecer mais que os outros. Veste-se e sai para a noite, pensando em
ir até em Empadresópolis saber mais da tal Margarida.
Na garagem pega a arma que tomou dos moleques,
quebra com uma chave de boca, coloca num saco e põe em cima do banco do carona
para jogar na primeira lixeira que encontrar. Não quer ser pego em alguma blitz
com uma arma, ainda mais uma arma como aquela. Podia pegar e mandar para uma
delegacia ou entregar a um policial qualquer se Currópo fosse um país sério,
mas sabe que se fizer isso a arma estará nas ruas outra vez, assaltando ou
matando outra pessoa ou a si mesmo.
Pega um frasco conta gotas sem nome, cheio de Ocitocina (o hormônio do amor como é conhecido), coloca no
bolso, liga o carro e sai - A Ocitocina é um hormônio
usado contra a TPM e pode ser usado nas igrejas para angariar valores e por
outros malandros para ter a confiança de suas vítimas.
Chega ao centro de Empadresópolis já são quase
22h. Atravessa a cidade até atingir a entrada da pior favela do município.
Entra num bar cheio de gente, onde uma vitrola comercial, dessas de fichas,
toca músicas de pagodes, se dirige ao balcão pede uma cerveja sob os olhares de
todos e o dono do estabelecimento observando seu jeito diferente lhe oferece
uma mesa – “Quer uma mesa?”
-“Tem? Não estou
vendo nenhuma desocupada. A coisa parece boa, vou ficar por aqui um pouco.
Cheguei ontem e acho que me perdi”
- “Aqui ninguém se
perde, moço. Vou lhe arrumar uma mesa. Tenho lá dentro” – Diz apontando para os
fundos, gritando – “Célia, traga uma
mesa!”
- “Pai, não vou
arrumar mesa para vagabundo nenhum!!!” – Responde lá dos
fundo uma voz feminina e logo surge na porta uma mulher nova , de uns 16 anos,
de short curto, corpo novo e bonito e de cabelos longos amarrados num rabo de
cavalo, que ao vê-lo muda – “E para o senhor? – e antes que ele
possa responder, continua – “Pêra ai. Vou buscar.” – E some de novo.
A garota trás a mesa e volta para buscar a
cadeira, recusando a ajuda dele. Ele fica ali bebendo, observando e sendo
observado; coloca algumas músicas com a ajuda da garota, pede uma poção de
queijo, não arriscando comer nada da vitrine...
Continua...
Espere um pouquinho.