DEBATE [Revisado]
 

Ignóbil Democracia

A dominação do Estado por meio dos valores

Mais uma Crítica a Educação

O jeitinho brasileiro

Influência coletiva impulsiona sucesso musical

Entre a esmola e a ação

Pais que castigam criam filhos punitivos

Consciência em prol da sabedoria

A hipocrisia da lei

A falsa liberdade das eleições

Crítica ao Assistencialismo Estatal

Feminismo Demagógico

O Brasileiro

 
IGNÓBIL DEMOCRACIA

 

A hipocrisia que assola os tempos contemporâneos faz dos males antigos, modernos, como foi demonstrado no referendo sobre o desarmamento, no qual a população em nada mudou o que os parlamentares já haviam decidido.

Primeiramente, ficou claro que não vivemos nem se quer numa democracia – onde é imposta a vontade da maioria – pois não houve qualquer debate coerente a respeito do assunto que levasse à aprovação da lei, no caso, do Estatuto do Desarmamento, mas sim, um chamado à população para esta confirmar um artigo que em nada mudaria de relevante a lei já aplicada em 2003, fingindo democracia direta.

O mesmo acontece na farsa eleitoral, na qual não se participa sem verbas, ou seja, somente se candidatarão àqueles que tiverem o apoio da alta burguesia. Lula, por exemplo, foi financiado por empresas como Embraer e Gerdau, dessa forma qualquer eleito manipulará o jogo político em favor dos que lhe apoiaram financeiramente; já que a sociedade é manipulada pela propaganda.

Em certo ponto, vemos a liberdade condicionada ao capital, ou seja, apenas a burguesia é livre; todavia, esta é uma falsa liberdade, pois necessita da submissão das outras classes que carregam como idéia de liberdade o fato de poderem consumir o que necessitam para se incluírem nos moldes da moda.

De fato, ao se falar em liberdade, é preciso enxergar que tudo são idéias; até a própria idéia de conhecimento atrapalha, uma vez que nos sugere uma fórmula que pode ser compreendida, escrita e transmitida diretamente às outras pessoas, não permitindo a mente o alcance da percepção.

Concluindo, temos que ser a mudança que queremos ao mundo se o quisermos mais justo, sem depender de outrem, sem pregações do que venha a ser certo ou errado, sem autoridades leis ou regras que de alguma forma nos queiram determinar por meio de preconceitos que nos conduzirão a pensamentos determinados, impedindo-nos de aprender com as próprias experiências.

 

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A DOMINAÇÃO DO ESTADO POR MEIO DOS VALORES

 

As instituições impõem valores à sociedade em nome do Estado. Com base nesses valores as leis são criadas, sendo a punição uma causa criada pelo ser humano para aqueles que as descumprirem.

Típico de uma sociedade patriarcal, esse modelo, além de punir em vez de educar, não pune o indivíduo pelo seu ato, mas sim, por desobedecer à lei; até porque, caso ele não seja pego, não será punido, ou seja, a lei só vale quando há vigília, descaracterizando assim, a liberdade e a privacidade, e não havendo qualquer questionamento a respeito de quem vigia os vigilantes.

Bem como o pai que castiga o filho por ter a ele desobedecido, o Estado pune, por exemplo, quem rouba, baseando-se na lei de propriedade privada, porém, ninguém recebeu autorização, nem foi outorgado pela natureza para cercar e possuir um espaço de terra.

Decorre-se, por essas vias, em uma sociedade hipócrita e preconceituosa que julga conhecer, a partir de rótulos e classificações caracterizados pelos valores que recebeu, condenando o próximo sem se pôr no lugar, discriminando aqueles que não o seguem, mas agindo moralmente apenas quando lhe convém, como ocorre quando se prega punição a um ladrão, mas vota-se naquele que está sendo acusado de corrupção.

A ternura de um animal ou de uma criança está justamente em sua liberdade, de fazer o que lhe dá prazer ou em função dele, ao contrário do ser humano, que sem consciência, ainda vê nos valores o ideal romântico de perfeição, carregando-os como verdades, sem perceber que são apenas idealizações do ser humano, das quais se faz uso para manipular massas em função de um sistema que farta de poder alguns, para que assim, continuem a oprimir e manter o status quo.

 

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MAIS UMA CRÍTICA A EDUCAÇÃO

 

Entende-se por educar o advento do pensar por parte do indivíduo, para que ele possa aprender a questionar e experimentar, escolhendo caminhos e objetivo para si, o que não necessariamente será o mesmo para todos.

Quando se fala em educação, fala-se em livros, professores, infra-estrutura, mas jamais em liberdade, sendo que essa é a chave para a aprendizagem, pois o indivíduo não é uma máquina para receber em sua mente os valores de um sistema para o qual deva trabalhar.

Condicionando educação a idéia de conhecimento, impõe-se uma fórmula que pode ser compreendida, escrita e transmitida por todos. Assim, caracteriza-se educar como aprender a comparar por meio de padrões.

A partir desse processo classificamos e rotulamos, julgando, a partir desse, saber, fechando a mente para outras possibilidades, desconsiderando a experiência e outros meios de aprendizagem, acabando-se com o prazer que traz a curiosidade de se descobrir e criar.

Há escolas como a Lumiar que procuram trabalhar de acordo com o processo cognitivo de cada um, permitindo sua liberdade e o respeito as suas vontades, o que garante até mesmo, melhores atividades em grupo, pois os membros trabalham a partir de um interesse individual comum entre os membros, e não cegamente em função de um grupo, como deseja o Estado por meio de sistemas.

Direcionar a educação para o mercado ou para a vida é condicioná-lo a idéias impostas, pois não sabemos ao certo o que vem a ser vida e vemos claramente o quanto à máquina do capitalismo, por meio do trabalho, vem destruindo o planeta.

A melhor forma de se educar é dando acesso e meios para que cada um enxergue a diferença do estabelecido para o real, uma vez que esse depende da interpretação, podendo, assim, conhecer melhor a si mesmo, podendo cada um aprender a experimentar e não julgar sem conhecer, respeitando crenças e idéias, para que todos tenham a liberdade de seguir o caminho escolhido, a partir de influências e não de impressões, não dependendo do Estado.

 

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O JEITINHO BRASILEIRO

 

O “jeitinho brasileiro” nasceu da colonização como uma forma de sobrevivência frente às autoridades que por todos os meios buscavam e, ainda buscam, explorar as classes baixas. Trata-se desde o “santo do pau oco” da época da mineração, até o contrabando e a simples persuasão para ser privilegiado pelo chefe.

Muitos o criticam e o culpam pela corrupção, dizendo ser uma prova do fracasso das instituições; não percebendo que se as leis fossem rigorosamente cumpridas, haveria um colapso social, pois a classe média não teria condições de consumir, já que a burguesia não sonegaria impostos.

Dessa forma, permite-se centros de ilegalidade como a Galeria Pagé ou o comércio de drogas; esses além de manter o povo acomodado por poder, de alguma forma, consumir, ainda é responsável, por girar o capital; pois o mesmo dinheiro que compra a cocaína vai para famílias pobres na Bolívia que plantam a coca e o usam para comprar sementes e comida, a qual é segregada pelo sistema que só concede em troca de dinheiro.

Portanto, o “jeitinho brasileiro” não é sinal apenas do Brasil, mas de uma corrupção generalizada em todo mundo que, por exemplo, permite que imigrantes trabalhem ilegalmente para que não se precise pagar direitos trabalhistas.

Culpar somente o indivíduo que corrompe ou que é corrompido é fácil quando não se tem a noção do contexto social, quando não se percebe que não há quem vigie os vigilantes. E quem disser que é o povo é porque nunca ouviu falar em segredo de Estado, pois num mundo em que tudo é segregado, até roubar é para poucos.

Além disso, existe um fator psicológico que torna o corrupto mais feliz por acreditar que está se beneficiando; o que lhe dá um senso falso de superioridade, sem perceber que age apenas como um instrumento do sistema.

Em tempos em que a palavra igualdade é tão aclamada, somente com o respeito ao próximo é que se conseguirá tal fato, de forma que não faça ao outro o que não queira para si, e não com leis que apenas dão mérito a repressão e instigam a corrupção como meio para sobreviver.

 

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INFLUÊNCIA COLETIVA IMPULSIONA SUCESSO MUSICAL

 

O fenômeno dos megahits musicais se deve a ondas de gosto produzidas por influência social .

A cada ano uma nova música estoura nas rádios. Ao contrário do que seria razoável imaginar, porém, qualidade musical e sucesso de audiência nem sempre andam juntos. O gosto volúvel dos ouvintes continua a desafiar as apostas dos especialistas ou medidas objetivas de qualidade.
De acordo com novas pesquisas, isso se deve à influência coletiva.
O sociólogo Matthew Salganik e seus colegas da Universidade Columbia colocaram à prova a teoria de que os ouvintes gostam das músicas que eles sabem que outras pessoas apreciam. Eles criaram uma página na internet e recrutaram mais de 14 mil participantes - a maioria deles adolescentes americanos - oferecendo arquivos gratuitos de 48 canções de bandas iniciantes (e, portanto, pouco conhecidas).
Os participantes foram distribuídos, aleatoriamente, em dois grupos. O primeiro grupo escolhia as canções apenas por título e nome da banda. Depois de ouvi-las, classificava-as numa escala que variava de uma (pior) a cinco (melhor) estrelas e então recebia permissão para baixar os arquivos. Para os pesquisadores, o procedimento procurava medir a qualidade intrínseca das canções.
O segundo grupo ouvia as mesmas canções, mas também era informado do número de vezes que outros participantes do grupo haviam baixado cada canção. Esse segundo grupo estava sujeito a dois tipos de organização experimental: um no qual as canções eram apresentadas de forma aleatória, e outro no qual elas eram apresentadas em ordem decrescente de popularidade. Os participantes deste grupo também foram divididos em oito subgrupos, com o objetivo de estabelecer se o sucesso das canções variava de subgrupo para subgrupo.
Embora canções populares permanecessem relativamente populares em todos os subgrupos, os pesquisadores descobriram que a média de sucesso ou rejeição era influenciada pela opinião de outras pessoas. Em outras palavras, as canções de sucesso faziam ainda mais sucesso no grupo que conhecia as listas de preferência do que no grupo que trabalhava sem informações sobre a opinião alheia.
Para os pesquisadores, executivos do mercado fonográfico continuarão tendo dificuldades para identificar possíveis sucessos: "Os especialistas falham em suas previsões não porque sejam incompetentes, mas porque preferências individuais estão sujeitas à influência social", escreve a equipe no relatório em que detalha seus estudos.

 

Fonte: Revista Viver Mente & Cérebro

 

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ENTRE A ESMOLA E A AÇÃO

 

A esmola, doação por caridade aos necessitados, ocorre como processo pelo qual o indivíduo ameniza a culpa iminente de sua ação, ou a falta de, perante o mundo. O mesmo se dá com a efetuação de contribuições para fundos, se não houver de alguma forma, a participação do indivíduo, seja investigando a utilização dos recursos ou agindo diretamente.

Esse processo é decorrência de um mundo onde a aparência tem mais importância do que a atitude. Enclausuramo-nos na vaidade, condicionando fama e dinheiro a bem-estar social, fruto da propaganda que fez disso sinônimo de felicidade, e pelo qual trabalhamos; ao mesmo tempo em que esse trabalho gira e amplia a máquina de um sistema que se vale da exploração de fatores como a miséria, preconceito e trabalho infantil para continuar a existir.

Dessa forma, damos a esmola acreditando ajudar na solução de um problema; até porque, é o que o neoliberalismo prega, ou seja, segundo ele, não é a ordem mundial que assola o ser humano, mas sim, sua incapacidade de se adaptar a ela.

Com isso, ou se dá à esmola ou se incentiva o indivíduo a trabalhar. Por exemplo, campanhas como Natal Sem Fome reúnem mantimentos para levar aos que precisam e fundações como Fundação Bradesco, oferecem cursos profissionalizantes para pessoas de baixa renda. Porém, pouco se vê a preocupação com o indivíduo no seu contexto social, não ajudando a solucionar o problema da miséria. Tanto que até mesmo em ônibus vemos pessoas se valendo de inúmeros recursos persuasivos para conseguir esmola.

Assim, temos uma sociedade que claramente se encontra à beira do caos interior, como percebemos com a crescente violência, o aumento da criminalidade, o crescente aumento de ideologias ditatoriais, como o nazismo, ou o fascismo incumbido na crença do “exército nas ruas”. Todos esses tormentos são decorrentes das imposições e da falta de oportunidade de poder não apenas conhecer a si mesmo, mas da falta de liberdade que não se resume a fazer o que se quer, mas em acesso ao conhecimento que só a própria experiência mostrará ser bom ou ruim.

Se quisermos realmente solucionar o problema da miséria e da pobreza, temos que incentivar além do trabalho, a expressão, o questionamento dos valores, a arte, por meio de maneiras diversas como oficinas de teatro, discussões; pois passar pela vida como uma simples peça da máquina não é viver, mas sobreviver.

 

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Pais que castigam criam filhos punitivos

 

Predisposição para tratar os filhos com palmadas é transmitida de geração em geração. Especialistas calculam que 70% dos pais que batem nos filhos sofreram violência na infância.
De onde vem o hábito para lá de questionável de castigar os filhos? As crianças aprendem com o exemplo dos pais ou neste caso operam "genes da violência"? Dario Maestripieri, da Universidade de Chicago, buscou respostas para essas perguntas num estudo com macacos resos. O pesquisador trocou os recém-nascidos de diferentes macacas: colocou filhas geradas por mães violentas entre fêmeas pacíficas e vice-versa.
Como as filhas adotivas lidariam com seus próprios filhos mais tarde?
Nove entre 16 fêmeas que sofreram violência em sua juventude também maltratavam suas crias - independentemente de serem descendentes de mãe violenta. Por outro lado, de 15 animais com pais adotivos não violentos, nenhum usou de força bruta. A experiência, portanto, e não a herança genética, as influenciou nesse caso.
Jeffrey Bingenheimer acredita que o homem funciona de forma semelhante. O pesquisador da Universidade de Michigan em Ann Arbor avaliou os dados de um estudo de cinco anos sobre o desenvolvimento de mais de mil jovens de Chicago. Nesse período, um em cada oito adolescentes cometeu algum delito. Mas, estatisticamente, a pobreza, a baixa escolaridade ou características pessoais não estavam vinculadas a esses casos. Apenas a violência armada experienciada de perto dobrava a possibilidade de que os jovens pegassem em armas de fogo.
 

Fonte: Revista Viver Mente & Cérebro

 

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CONSCIÊNCIA EM PROL DA SABEDORIA

 

Vivemos em um mundo que diz prezar a razão por meio da ciência. Porém, a mesma ciência que derruba dogmas é a que impõe suas verdades carregadas de uma lógica humanística. Temos o conhecimento intrínseco de inúmeros processos naturais, mas a vaidade nos torna incapazes de usar isso em prol não apenas do ser humano, mas de toda a natureza; fazendo-o querer apenas copiá-la. Em vez de nos harmonizarmos com a natureza, modificamos-na sem qualquer respeito, como se ela existisse para nos servir – como se um deus a tivesse feito como nossa matéria-prima. Contudo, ela já havia efetuado um longo ciclo de adaptações até que nós aparecêssemos.

O fato de vivermos num mundo surreal faz-nos acreditar que precisamos de dinheiro para sobreviver. Destruímos em nome do progresso, criamos armas para matar, pois temos medo de nós mesmos.

Poderíamos usar a tecnologia para mudar nossos hábitos e não precisaríamos mais acabar com vidas animais para nos alimentar, deixando-os livres para nos ajudar naturalmente em plantações orgânicas. Mas preferimos criar um vegetal humanizado, transgênico, que tenha as características que se precisa para obter mais lucro.

Hoje os que criticam a tecnologia são considerados loucos, por terem uma visão possível somente à filosofia, já que a ciência prefere as teorias pré-determinadas dentro da lógica, contradizendo-se ao pregar contra as religiões.

Foi com os deterministas que mais se separou a ciência da filosofia, e vemos hoje que essa re-união é necessária, pois a ciência é incapaz de enxergar além de seus laboratórios. Pode parecer algo óbvio, mas é preciso incentivar o questionamento acima de tudo. Não para tentarmos responder as questões infinitas como as da origem da vida e do universo, mas para compreendermos a nós e as nossas atitudes, pois, ao mesmo tempo em que queremos ser livres, somos todos reprimidos pela sociedade e, acima de tudo, por nós mesmos – até porque somos a sociedade.

Devido à arrogância humana foram necessários muitos séculos para que se entendesse que não há ser vivo mais evoluído, pois se todos estão vivos, é porque sofreram adaptações ao meio. Cada ser vivo apresenta suas próprias características; se os seres humanos são mais complexos que os poríferos, assim o são por necessitarem dessa complexidade para viver em ambiente terrestre, e não por serem superiores.

Esse pensamento não é divulgado por derrubar os interesses envolvidos com a competição capitalista, pois se as crianças tivessem uma educação livre de afirmações, teriam mais curiosidade em buscar os conhecimentos, e o buscariam a partir do meio em que vivem, a partir do que gostam, estudando outras culturas para entender a própria, pois só é possível compreender a altura de uma montanha quando descemos dela. O problema é que os preconceitos determinam coisas como tempo de aprendizagem, conceituando como inteligência o tempo que a criança leva para entender um processo,  e não as diversos modos pelo qual ela possa entender.

O modo de vida taylorista em que vivemos, impõe-nos os devidos horários e tarefas. Divertimos-nos mais por necessidade do que por vontade. E assim, destinados a fazer o que o sistema nos impõe, não o questionamos, de tal forma que somos levados a crer que trabalhamos realmente porque queremos, sendo que o que realmente queremos é que o relógio nos de permissão para irmos embora.

 

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A HIPOCRISIA DA LEI

 

A lei é o elemento fundamental de uma sociedade de valores absolutamente hipócritas, em que é sempre o próximo o errado, em que é sempre o próximo o manipulado e alienado, esquecendo-se que todos somos obrigados por lei a abdicar de nossas vidas em troca dos preceitos capitalistas.

Esses preceitos se enraizaram de tal forma que hoje são valores culturais. Ninguém é capaz de ver uma cidade sem comércio, sem escolas, e quase ninguém mais imagina um mundo sem Estado.

Isso ocorre, pois o capitalismo, ao contrário do que muitos acreditam, não privilegia a individualidade, mas sim a massa. Apesar de buscar cada vez mais uma produção capaz de atender ao indivíduo, o indivíduo em si não existe para o sistema, ele é apenas um elemento de uma massa consumidora, um número, como qualquer mercadoria.

Dessa forma, as leis são regidas com o intuito de garantir a integridade do Estado bem como a daqueles que o comandam. Sendo as eleições um composto legítimo, ou seja, que é válido perante a lei, estas não passam de mais um elemento de articulação do poder, principalmente, pois o indivíduo não tem a liberdade, muito menos o direito de escolher mandar em si mesmo, sendo a força, obrigado a aceitar um governo que uma certa maioria escolher – provando mais uma vez a idéia das massas explicada anteriormente.

A imperfeição do ser humano nos remete ao total questionamento da razão das leis, já que são estabelecidas permissões e proibições a fim de atender os interesses da população. No entanto, cada indivíduo possui sua personalidade, sua opinião, sua crença; a lei faz com que se veja todos como um único bloco, permitindo assim, conduzir-se uma massa em favor dos valores daqueles que tem o poder de reger as leis.

Com isso, criam barreiras que impedem a liberdade, e impedindo a liberdade impede-se a vida, já que o indivíduo deixa de existir em função da obediência as leis, que o enquadram dentro de um molde vinculado pelo Estado.

Porém, como nem tudo é perfeito nem ao menos para o capitalismo, as leis não se restringem apenas a moldar a população, mas também como meio apaziguador e de controle. Por exemplo, as leis trabalhistas nada mais são do que uma forma de não se permitir uma convulsão social e por conseqüência uma revolução. Afinal, o trabalhador não ganha o direito à vida através de uma lei, sua exploração continua efetiva.

Dessa maneira também ocorre com a legalização da miséria, em que o comércio ambulante é legalizado mesmo que seus realizadores vendam produtos considerados ilegais. Ou seja, a própria lei se contradiz ao legalizar aquilo que ela mesma impõe como ilegal; e que apesar de ter legalizado, continua por ser ilegal, pois como este exemplo mostra, o produto do ambulante não deixa de ser ilegal, mas ele tem permissão de comercializá-lo.

Outro exemplo de legalização da miséria é a permissão concedida para moradores de favelas, em que barracos e casas, na maioria com condições precárias de moradias, são construídos em terrenos invadidos e através de políticos oportunistas são legalizados em troca de votos.

Inúmeras florestas são devastadas por essas pessoas que são expulsas para a periferia, enquanto muitos espaços poderiam ser ocupados por elas, como prédios abandonados que já oferecem uma estrutura básica, em que bastaria apenas organizar a população para ocupar o lugar.

Todavia, não são apenas estas pessoas que desmatam florestas sem que nada seja feito por elas ou pelas floretas. As madeireiras ilegais são outro exemplo de que de nada valem as leis, quando principalmente há por traz delas um sistema que deverá ter seus fundamentos pelas leis estabelecidos. Neste caso, os que se dizem donos das terras,  nem se quer trabalham nelas, sendo muitas vezes posseiros ou grileiros, que pagam para que se desmate a fim de vender a madeira. Depois utilizam o solo para a agricultura e para o pasto, condenando-o completamente. Como esses posseiros ou grileiros fazem parte da camada governante, nada é efetivamente realizado para que sejam condenados.

A partir do momento em que a população se encontra mórbida com relação a tudo isso, ela passa a ser também cúmplice de tudo, e segundo a lei, o cúmplice também deve ser condenado, comprovando a total hipocrisia das leis, já que todos estão errados perante ela. Respeitá-la é negar a si mesmo frente ao todo.

 

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A FALSA LIBERDADE DAS ELEIÇÕES (REFORMULADO)

 

As eleições não passam de uma forma da burguesia se manter no poder. Fingindo fazer democracia, os burgueses manipulam a política mundial por meio das eleições.

Aparentemente mais dócil que a famigerada ditadura militar, as eleições escondem os aspectos mais cruéis da ditadura econômica, pois resguardam o poder aos beneficiados financeiramente e aos que sabem adquirir prestígio popular, pois para conseguir concorrer às eleições é preciso fazer campanha e aparecer, para isso, é preciso uma grande quantia de dinheiro, além de fazer parte de algum partido, o qual possui seu tempo na tv de acordo com o número de eleitos nas câmaras ou assembléias.

Com essa dependência de capital monetário nascem às alianças de partidos com empresas. Porém, quem apóia tem interesses, e quem é apoiado fica amarrado a tais interesses, é o que popularmente chamam de “rabo preso”. Bom exemplo desse caso é o do presidente estadunidense George Walker Bush, que recebeu investimentos de empresas petrolíferas para sua candidatura. Logo após ser eleito já fez referência quanto à invasão ao Iraque, onde se concentra a segunda maior quantidade de petróleo do mundo; todavia, com o ataque de 11 de setembro, aproveitou-se para dominar o Afeganistão, onde desejava construir tabulações de petróleo ao redor do mar Cáspio. Dominado o Afeganistão chegou à hora de dominar o Iraque, e assim o destino foi feito. Duas companhias conseguiram enormes lucros com tudo isso, a petrolífera e a armamentista. Dessa forma, por mais que o candidato prometa e conheça as causas populares, estando ele ligado ao capital monetário de empresas, todas as causas são esquecidas em favor dos interesses privados.

Chamada democracia representativa, essa permite ao cidadão escolher aquele que vai lhe representar, não podendo, porém, representar a si próprio; ou seja, mudam-se os nomes, mas mantêm-se os valores, pois assim como estavam os escravos subordinados aos senhores, está o cidadão subordinado as leis, aos políticos e patrões, que outorgam por meio da força suas vontades e convicções.

Sabemos muito bem, que os direitos trabalhistas nada mais são do que uma maneira de alimentar o sonho burguês da classe média, a fim de se manter os alicerces do sistema; até porque, a rédea do povo só é alongada, quando falta quem o substitua. Com a presença de um exército de reserva, formado pelos desempregados, fica no meio fio todo direito conquistado.

Com o capitalismo cada vez mais civilizado, há cada vez mais a busca pelo monopólio e maiores lucros. Qualquer empecilho é destruído. Como exemplo,  temos a RAI na Itália, tv pública que Silvio Berlusconi deseja privatizar, por se tratar de uma forte concorrente da Mediaset – principal rede de tv privada do país, controlada pela família do premiê italiano, o próprio Silvio Berlusconi. Em nível de Brasil, podemos citar as privatizações das estatais, sendo que o capital de compra não partiu do estrangeiro, mas sim, de empréstimos do BNDES. Quem ganhou com isso foram os acionistas, que viram as notícias falsas sendo espalhadas a respeito das falências das estatais, o que fez o valor das ações caírem, e posteriormente, as altas elevações dos preços com as privatizações.

Pela grande mídia apenas notícias deturpadas e a promessa de melhoria dos serviços com as privatizações. O que vimos foi o aumento das contas e da inadimplência, a perda de benefícios como as ações dos telefones, altas taxas de assinaturas para compensar a queda dos preços na compra das linhas, a perda da estabilidade no emprego, o aumento dos pedágios  descaracterizando o direito de livremente ir e vir, dentre as principais perdas.

Se já não bastasse tudo isso, ainda vemos promessas vazias e de conteúdo distorcido. Candidatos deturpam o significado de aspectos como a educação, levando a população a associá-la com qualificação. Aquela é trampolim para o pensar, propulsora da liberdade e da busca pelo autoconhecimento, enquanto essa, nada mais é do que a robotização do indivíduo, tornando-o um profissional especializado e pronto para servir as exigências do mercado.

Também é preciso tomar cuidado com a promessa de alfabetização, pois eles como políticos sabem que é muito mais fácil qualificar, profissionalizar e conduzir um alfabetizado, ou seja, a alfabetização pode ser utilizada para libertar, bem como pode ser usada para manipular quando temos um mundo que julga a filosofia como sendo “coisa de louco” e pensa nos estudos apenas como meio para aumentar o salário.

Enquanto o cidadão realiza o seu trabalho, ajudando a mover as engrenagens de sua submissão, tramita pelos corredores do congresso a modificações da CLT, quando menos esperar, o trabalhador não verá mais seu décimo terceiro salário chegar, seu FGTS não irá mais acumular, suas férias sumirão, e a aposentadoria ficará para quando a morte chegar.

Até lá, outros candidatos irão se aproximar com as mesmas promessas daqueles que fizeram de sua vida a mais profunda angústia, descarregada nos cultos das igrejas, nos bares de fim de semana, na violência doméstica, no cigarro, nos antidepressivos, e em todas as drogas urbanas que nos fazem suportar e nos conformar com toda a poluição, seja ela do ar, sonora, da política de antes ou da política de agora.

Votar, acima de tudo, significa abrir mão do poder. Eleger um senhor, ou muitos senhores seja por longo ou curto prazo, significa entregar a uma outra pessoa a própria liberdade, pois o candidato que levamos ao trono, ao gabinete ou ao parlamento sempre será o nosso senhor. São pessoas que colocamos “acima” de todas as leis, até porque são elas que as fazem, cabendo-lhes, nessa condição, a tarefa de verificar se estão sendo obedecidas. Para se compreender melhor podemos dar um exemplo: o cidadão numa estrada que permite máxima velocidade à 100km/h, enquanto ele está a 120km/h, descumprindo a lei, porém, ele não vai denunciar a si mesmo, ou seja, além das leis serem feitas por alguns que as manipulam de acordo com seus interesses, para que elas funcionem devidamente é necessária à fiscalização. Sendo assim, impedem a liberdade do indivíduo a partir do momento que seus movimentos são controlados por fiscais, câmeras, policiais e todos os mecanismos criados pelo Estado. Além do que, as leis não geram respeito, mas apenas obediência, pois não há uma reflexão, nem flexibilidade, como haveria se houvesse consenso.

Há um outro porém existente nas eleições, que vem da exaltação dos líderes, no caso os candidatos. Cada indivíduo vota de acordo com seus interesses, não privando o outro da miséria em nome de sua riqueza. Por meio de um exemplo prático, podemos citar uma comunidade dividida em um grupo que deseja ter iluminação na rua e nas casas, com o argumento de aumentar a segurança evitando riscos domésticos, enquanto um outro que deseja ter água encanada argumentando a respeito das necessidades básicas de higiene e saúde. Assim, dois candidatos entram na disputa para a eleição de líder comunitário, um prometendo água encanada, o outro, energia elétrica. Antes mesmo da eleição a comunidade já estará dividida de tal maneira, que a eleição irá além do que ela realmente é. Tal como um jogo de futebol, ninguém ouve ninguém, a não ser que torça pelo mesmo candidato. Perde-se a própria consciência em função da luta pela vitória. Os indivíduos da comunidade passam de vizinhos a rivais. Com isso, três coisas podem ser destacadas, a perca da consciência, os interesses egoístas, e a omissão da comunidade para com os problemas, pois votar nada mais é do que transferir o problema às mãos de um eleito, sem perceber que no final, quem trabalha é o povo.

O PT é um grande exemplo disso. No início, inúmeras discussões a respeito de como mudariam as estruturas sociais e econômicas brasileiras. Quando veio a primeira eleição, trocaram-se os debates internos em função dos projetos pela produção de panfletagem e luta pela vitória de seus candidatos. Vimos no que deu. Expoente máxima foi a “Carta ao Povo Brasileiro”, demonstrando que se esquecera de toda luta pelo acesso e pelo fim da desigualdade social em nome da ocupação do Planalto Central.

Para terminar esse texto, há de se colocar que a atmosfera do governo não é de harmonia, mas de corrupção. Se alguém do povo for enviado a um lugar tão sujo, não será surpreendente que mude sua visão ou que não consiga atuar. Em vez de incumbir aos outros pela defesa de seus próprios interesses, decida. Em vez de tentar escolher mentores que guiem suas ações futuras, seja seu próprio condutor.

 

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CRÍTICA AO ASSISTENCIALISMO ESTATAL

 

O programa Prouni é, simplesmente, mais um programa de omissão e retenção da população por parte do governo.
Isto, pois, ao se colocar como um partido apto a reformar o Brasil, o PT atingiu o poder graças à mãozinha de empresários e aos votos da massificada e sofredora população brasileira.
Tendo isso em vista, o PT além de estar amarrado aos interesses do empresariado brasileiro, ao tomar o poder, deixou-se levar pela vaidade e logo pela ganância, pela reeleição e entregou-se aos interesses internacionais.
Acontece que, nem todas as camadas da população se mantêm omissas, e muitos, mesmo que erroneamente, buscam uma forma de mudar esta realidade imposta pelos âmbitos do capital.
Movimentos como o Educafro enfatizam o discurso de cota para negros, mesmo sabendo se tratar de mais um projeto assistencialista que como o Prouni, não traçará novos parâmetros na história; pelo contrário, podem até causar o aumento do preconceito em vista dos que passam sem auxílio de cotas, ou como no caso do Prouni, não possibilitará a formação devida de acadêmicos, até mesmo pelas faculdades particulares que não medem excelência no ensino universitário. Sem falar no interesse exclusivamente financeiro por parte da maioria dos que desejam inserir-se em uma universidade – já que hoje, vê-se faculdade como um trampolim para atingir os altos padrões estabelecidos pela sociedade.
Porém, o PT, buscando mostrar ao povo que não existe contradição com sua história de luta na oposição pelos direitos dos mais carentes com a realidade no governo, vem estabelecendo medidas assistencialistas, como o Fome Zero, e agora, o Prouni. Desta forma, omite-se de resolver evidentemente os problemas sociais, não investindo, por exemplo, na educação de base nem nas universidades federais, que em muitos casos, passam por sérias dificuldades, principalmente por falta de recursos financeiros, como a Universidade da Bahia; além da falta de professores e os baixos salários que os mesmos recebem.
Além do que, retém a população, que acreditando na mudança, diminui as exigências perante o chamado poder público, onde aqueles que se dizem representantes do povo, ditam as leis de um país onde a ditadura militar foi derrubada pela econômica.
É preciso mais do que rever as políticas públicas. Nenhum salvador virá clamando as verdades de um paraíso imaginário na mente daqueles que como escravos produzem enquanto alguns poucos desfrutam do que foi produzido. Apenas o povo pode libertar a si mesmo. É necessário que os novos intelectuais façam da filosofia história, pois enquanto dependermos do governo, seja ele qual for, nenhum passo será dado em busca do tão sonhado bem estar social.

 

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FEMINISMO DEMAGÓGICO

 

A demagogia em torno do dia internacional da mulher é resultado de uma sociedade que carrega o machismo desde os primórdios de sua existência; fruto da hierarquia constituída pela ignorância humana, e, com esta, a imposição do homem sobre a mulher.
Inicialmente o homem finge agir como protetor indo caçar – e posteriormente trabalhando – enquanto a mulher é mantida em casa cuidando dos filhos e dos afazeres domésticos – os quais o homem julga de fácil execução, sendo poupada de realizar outros tipos de esforços, principalmente mentais.
Desta forma, tomado pela vaidade e pela ganância do poder – que com a evolução do capitalismo a partir da revolução industrial também dominará a mulher – o homem afastou a mulher do conhecimento, mantendo-a imersa em sua caverna, enquanto ele, levado por Baco, saiu, imaginando estar descobrindo o mundo, sentindo-se o senhor da causa e do efeito, sendo mergulhados num mundo obscuro cheio de miragens – as quais mantém a modernidade.
Porém, com a revolução industrial – a evolução do capitalismo – a necessidade de mão-de-obra cresce, ainda mais com os homens sendo mortos nas guerras. Foi então que a mulher saiu de casa, para imergir no mundo atual, e ser também iludida pela bela aparência da vaidade.
Com isso, as mulheres passaram a buscar o poder tanto quanto os homens, fingindo, para não serem decapitadas, com um discurso de busca pela igualdade.
E assim, mantêm-se os tempos modernos, onde o ser humano completamente iludido acredita ter o poder de todas as coisas, ser o centro do mundo, a imagem e semelhança de um Deus que nem ele mesmo sabe explicar, contradizendo-se na teoria da biogênese. Vê o progresso das máquinas sem perceber o retrocesso mental, por ser o único ser vivo que precisa destruir para construir.

 

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O BRASILEIRO

 

O brasileiro existe, fisicamente e em pura definição de belos intelectuais que em poucas vezes vem à televisão, dar um alô à população; mostrar que por não terem cultura é que fazem uma bela mistura, como negro, índio e europeu, do que o mundo vos dá. Enquanto em Davos se preocupam com a economia do planeta, mas pobre que lá não se meta – inventando assim, esse tal de Fórum Social Mundial, que alguns partidos pequenos usam para fazerem sua propaganda para um dia serem grandes, com o objetivo de um dia alcançar o poder, assim como fez o PT. O que ninguém conta é como o PT ampliou suas contas sendo um partido dito popular, já que a grana do mundo os banqueiros empresários vêm comandar.
Ainda dizem que a escravidão acabou, que a ditadura passou, e que a liberdade chegou. Enquanto o pobre ainda trabalha para o nobre, para comprar aquilo que produziu, mas que é por direito, daqueles que um dia sofreram nos burgos. E a isso chamam de capital de giro. Capital que gira de um banco a outro, sem fronteiras, globalizando, infestando os mais insólitos lugares que não resistem à tentação de um shopping center, sendo atacados por estratégias muito bem planejadas, onde um cliente feliz gasta por menos muito mais, mas fica feliz ao exibir a trademark de uma famosa loja estampada numa imensa sacola; uma verdadeira extensão da vitrine. É fashion estar na moda ou estar na moda é fashion?
Certo é que a propaganda é a alma do negócio, quanto mais gente usa, mais o comerciante abusa na hora de vender ao consumidor; refém da concorrência, que o capitalismo preferiu a esta abdicar. Preferiu adotar o cartel: ou todo mundo cobra o mesmo preço pelo mesmo produto, ou que venda o mais forte – nunca aquele que tiver menores preços.
Há de ser aplaudido esse capitalismo pela incrível capacidade de transformar tudo em mera mercadoria. Inventou até a tal de propriedade intelectual, o direito de cópia, ou simplesmente, copyright. Com ela, a idéia não passou a ter mais valor, valor está no nome de quem a descobriu ou criou. Sim, no nome, ou Picasso ainda recebe pela venda de suas obras? O mais infame disso não é o fato da idéia ser de quem a originou, mas sim, o fato de alguém poder comprá-la e a posse tomá-la, que o diga Bill Gates.
Dinheiro hoje se confunde com poder. Tanto, que as religiões antes se evidenciavam ao lado de reis e imperadores, um não existia sem o outro, muito menos o outro sem o um, tomando um belo vinho católico romano, um saquê xintó japonês, ou indo ao hindu na Índia e se embebedando em incontáveis deuses que alguns dizem que os levarão a transcendência para um mundo sem desejos, sem carência. Já hoje não mais se vê esse entrelaço autoritário se não houver entre ambos dinheiro. Dinheiro que se não vindo do céu, mas dos pobres, encheu os cofres daqueles que pastoreiam o rebanho humano, desolado em meio a enganos mercantis, onde querem encontrar Deus não para sua libertação, mas para emprestar um trocado para comprar o pão do dia seguinte, e no futuro – se Deus quiser – alguns trocados mais para uma bela casa enfrente a praia ou em qualquer outro lugar dos céus.

 

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SUBVERSIVO - DESDE 6 DE OUTUBRO DE 2003

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