Ai que dor ...

Líris Azevedo


DOR dói.
Pode ser de amor,
tumor, cotovelo, de enterro,
de machucado, pedrada na cabeça,
de tropeço, de trombada...

Põe emplasto sabiá, minha filha,
dizia vó Carolina, lá no Piumhi.

Ah, tempo bom aquele...

Sarava tudo, até com benzimento
de arruda da mãe preta da esquina.
Dor doía só um tiquinho.

Tinha avó, fogão de lenha,
pão de queijo,
jabuticaba, colchão de palha,
história da velha da lamparina
toda noite,
prá criançada dormir mais cedo.

Doutor, tinha só 1,
mas carinho, 1 montão.

Que saudade...

Hoje tem doutor prá tudo
Remédio prá tudo
(o emplasto virou piada,
só ficou o sabiá).

E a dor?

A DOR dói, dói
e a D. Carolina já foi!

O jeito é virar poeta
e acreditar no FERNANDO...
"o poeta é um fingidor,
e finge tão completamente,
que chega a fingir que é dor,
a dor que deveras sente. "




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