Há gente que acredita ser o Díabo um ente puramente mitológico, alojado no imaginário
universal desde tempos mais primitivos.
Consideram-no mera alegoria de origem folclórica ou religiosa personificando o Mal,
em contraposição à Divindade, da qual só emana o Bem.
Se lançarmos um olhar retrospectivo ao longo da História devemos admitir que
se Lúcifer não existe, deve ser reinventado.
E, se ainda for decidido dedicar ao Príncipe das Trevas um dia no calendário,
não há data mais propícia que 1º de maio.
O Dia do Trabalho é um feriado que proporciona a oportunidade de,
pelo menos uma vez por ano, homenagear a labuta nossa de cada dia de maneira
mais contundente, isto é; evitando-a.
Na ociosidade reservada à dignificação do trabalho já se percebe arte do Capeta.
Em 01/05/1886 operários grevistas foram mortos em Chicago,
em violenta repressão policial. Foi em memória às vitimas que - em junho de 1889 -
socialistas reunidos em Paris aprovaram a resolução de consagrar o aniversário
daquele infame acontecimento a todos os trabalhadores.
A evocação de episódio
tão doloroso não deveria dar lugar a manifestações festivas.
No entanto, em todo
1o. de maio, em locais públicos do mundo, bandas ou orquestras se esmeram em
brindar platéias com hinos heróicos e melodias vibrantes.
Porém, quem se diverte mesmo é o Demônio, que ficaria bem mais encabulado
ao som de réquiens ou marchas fúnebres.
O relacionamento do ser humano com as atividades laborais nunca foi amistoso.
Basta lembrar que a origem da palavra trabalho vem da raiz latina "trabis" = trava
ou carga que se impunha aos escravos para obrigá-los ao serviço; e que o adjetivo
trabalhoso significa custoso, difícil, sofrido.
Escravidão, recompensa
insatisfatória, mutilações ou morte por acidentes, enfermidades ocupacionais
e toda sorte de constrangimento fizeram do principal meio de vida do homem uma
fonte contínua de angústia e sofrimento.
Estão aí as delegacias e tribunais do
Trabalho para comprovar o que está marcado não só pela transpiração, mas,
também de sangue e lágrimas.
Enaltecer as virtudes do trabalho, fazendo
vistas grossas às suas mazelas, é atuar como agente de marketing de Belzebú -
Gerente do Inferno.
No livro inicial do Velho Testamento - Gênese - há notícia sobre o primeiro
casalzinho que habitou o planeta.
Adão e Eva viviam prazerosamente no Jardim
do Éden, em férias permanentes, quando foram procurados por Satanás com uma proposta.
Se era ou não indecente , o relato muito discreto disfarça.
Mas, foi suficientemente tentadora para induzi-los a aceitar.
Com isso, incorreram na ira do Senhor, que prontamente os expulsou do Paraíso.
Não se sabe para onde foram exilados: faltam melhores esclarecimentos.
Na linguagem metafórica largamente empregada nos escritos bíblicos isso pode
significar a perda de privilégios e mordomias.
O que coloca tudo em pratos limpos foi a curta, mas, enfática sentença do Criador a Adão:
"Comerás o pão com o suor do teu rosto".
Assim, o par boa-vida, como castigo, foi obrigado ao que não era habitual:
dar duro, mourejar, lutar pela subsistência, etc.
Por isso, longe de ser uma dádiva, o trabalho é uma maldição divina decorrente
de uma ação diabólica. Estigmatiza Adão e os seus descendentes por todas as gerações.
Pelo exposto, conclui-se que o Dia do Trabalho ião merece comemoração e sim
uma retumbante vaia, pois, se deve a Satã a sua existência.
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