Hoje papéis batem papo,
canetas escrevem destinos,
o apertado apartamento
refugia algumas baratas.
Sei muito bem
que a paciência kafkaniana
da minha demorada ausência
aguarda por meu vulto -
sei que quer me ver
passar pela janela da cozinha
e depois ver o trinco da porta
abaixar abruptamente.
Chego em casa,
acendo as luzes,
deixo minhas compras
encostadas ao pé da mesa,
vou ao banheiro,
coloco um disco para tocar,
estico-me no sofá
e folheio um jornal qualquer.
Descanso ...
Tentei retornar
à minha ausência,
mas não cheguei à tempo.
Ela, agora, inevitavelmente,
Procura-me lá fora,
Onde eu fui e não estou mais.
Ele chorava, chorava arrependido, não triste, enérgico,
era o erro da criação esmurrando sua cara, era
uma pergunta solta no tempo:
E agora, por quem ele vai rezar?
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