No relato bíblico sobre a Torre de Babel, consta que
quiseram construir uma edificação que alcançasse o céu.
Deus, para castigar a soberba, não utilizou nenhum recurso
apocalíptico, tal como terremoto, descargas atmosféricas,
furacão ou lavas vulcânicas. Nem introduziu ali nenhum sabotador.
Simplesmente fez com que cada envolvido no empreendimento
falasse uma língua diferente.
Foi o bastante para sustar tão insolente manifestação de
desafio ao poder divino.
O fiasco foi laconicamente noticiado em capítulo do Gênese
no Velho Testamento de modo bastante singelo:
"E cessaram a edificação".
Em jargão administrativo atual, o episódio provavelmente
seria divulgado em boletim com o seguinte teor:
"Por entendimento da Chefia Suprema do Universo o
Projeto Babel deveria ser suspenso, tendo em vista seu
plano megalomaníaco, em total discordância com as diretrizes
estabelecidas no topo da escala hierárquica divina.
Foi, então, decidida uma pronta intervenção nos canais de
comunicação, através de proposital contaminação dos códigos
das mensagens. Tal ação bloqueadora não só gerou forte
entrave burocrático, como também obstruiu de maneira
incisiva todo processo decisório. A falta de interação
entre os elos da cadeia departamental implantada provocou
fragilização em todos os níveis de liderança. Desse modo,
tornou-se impossível a otimização dos recursos alocados.
À custa de erros grosseiros em todos os procedimentos,
desfiguraram-se as metas a serem atingidas. O acúmulo de
prejuízos e atrasos na execução, além de acidentes de
toda monta, tornaram a obra inviável. Acrescentando-se os
problemas trabalhistas gerados, houve razões de sobra
para optar-se pela sua paralisação".
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