Salivar

Marcos Paulo Cajado

Eu toco seu céu e minha língua abraça a sua num momento beijo que nos transcende.

Uma palavra pende dos lábios no resfolego, curva-se ante a boca louca que a pronuncia.

Tempo, não um gosto amargo, mas um suspiro de reminiscências que recontam os passos e agridem a beleza suave que caminha na calçada.
Eu, um arco de lembranças turvas, preso pela opressiva corrente de códigos binários, um suave desconforto que acompanha minha solidão.

Engano-me por um breve instante com o calor do ser.
Acordo para a inexatidão de meu pensar.
Rítmico, viciado, inconsistente.

Somente um leve sorriso que me torna forte ao observar as púrpuras mentiras que gotejam do teto de nossas verdades.
Este é o começo da loucura, um relâmpago de insanidade na mesmice da rotina (a tempestade não tardará).

É simples, o mundo ainda gira em loucos turbilhões de êxtase.


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