UMA CONFISSÃO DE BONS PROPÓSITOS

 

Viver é a mais importante de todas as artes.

É também o mais longo de todos os aprendizados.

Ela pode, em verdade, ser trágica em seu conteúdo e meteórica em seu percurso.

Rica e admirável em sua mensagem e saudosa em sua lembrança.

O barro da vida clama por mãos de mestre que a moldem.

Caso contrário, poderá ficar longe da grandeza para a qual estava destinada.

Ganha-se a vida de graça, mas aprende-se a vivê-la de cobranças.

Nunca temos o suficiente nem nunca somos na medida justa.

Mesmo assim, a vida continua se dando de graça, até para os que vivem desgraçadamente.

Vamos aprendendo aos percalços, nos acertos e cabeçadas, com o bem e o mal que nos tenta.

Continuamos a ser, no dia a dia, até o fim, seus aplicados ou displicentes e, quem sabe, indisciplinados discípulos.

Aprendemos, quando a vida nos derruba, por exemplo, que os tombos doem, até ao dia em que já sabemos como cair e não mais dramatizamos, exageradamente, os quedas que sofremos.

Aprendemos, quando a vida nos afaga, que o coração gosta de ser massageado, até que descobrimos que tais satisfações são pequenas, e que só o verdadeiro grande amor nos completa.

Quando a vida nos sussurra mil promessas, podemos aprender que cair numa tentação pode significar um desastroso descaminho de graves consequências.

A vida é a riqueza maior que temos que, infelizmente, só a aprendemos a apreciar quando estamos quase por perdê-la.

Os anos que temos foram o tempo que já ganhamos para aprender arte de fazer da vida uma fonte de felicidade e de bem aventurança para nós e para os outros.

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