NOVAS UNIÕES
Maria Helena Matarazzo
Cada casal é o arquiteto de sua própria família. Num recasamento, entretanto, os parceiros não podem começar a construção do zero.
O trabalho de reconstrução envolve modificações em estruturas já existentes, sem forçar os moradores a mudarem de casa durante a reforma.
Em um recasamento, cada um dos parceiros traz consigo pessoas que de repente se tornam parentes.
De início, as cartas se mostram embaralhadas, mas após uma fase de reconhecimento, elas são colocadas sobre a mesa e pouco a pouco se formam as novas relações.
É comum também, homens e mulheres que formam uma nova relação estarem em momentos emocionais diferentes.
Os múltiplos sentimentos existentes podem gerar incompreensões e atritos, podendo haver divisões familiares entre aliados e adversários, o que dificulta a integração.
Por isso, devemos saber negociar, nos prevenir, a fim de proteger e cuidar melhor de nossos vínculos amorosos. Pois muitas dores advêm de processos mal conduzidos que acabam se transformando em distúrbios irrecuperáveis.
Se o amor foi o responsável pelo projeto de recasamento, será o mais importante dos combustíveis nos acordos, recuos, consensos e tratados.
Casar de novo implica a crença de que vai erigir um futuro sem repetir erros do passado. A bagagem adquirida no caminho, faz em geral crescer a tolerância, o bom senso, a coragem de ceder e, sobretudo, o espírito cooperativo.
Não há fórmula mágica para a reconstrução, mas vale a pena encarar os desafios, exercitando a tolerância mútua, o bom humor e a esperança de encontrar com o novo parceiro o caminho tão desejado.