CONVERSA DE LUNÁTICO
Mariella Lazaretti
Se você é daqueles que chega em casa e, antes de dizer olá, enfurna-se no quarto para assistir ao jogo ou, se a caminho de uma festa, erra o trajeto, mas recusa-se selvagemente a aceitar os apelos de sua companheira para pedir informações.
Se, ela - a sua companheira - está com problemas e você insiste que sabe a solução, apenas para encerrar logo o assunto.
Se você, amigo leitor, faz tudo isso e percebe freqüentemente que sua mulher ou namorada tem ganas de estrangulá-lo, a solução é simples.
Basta simplesmente lembrar a ela: "Mas, meu bem, sou um marciano".
Talvez com isso ela também se lembre, imediatamente, que veio de Vênus.
E a briga vai-se encerrar por aí.
Essa é a fórmula do doutor John Gray, psicólogo e autor do livro "Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus".
Gray garante que, uma vez reconhecida a origem e a linguagem absolutamente díspares de homens e mulheres, ambos estariam aptos a encontrar a felicidade lado a lado.
Os homens, seres que dão muita importância ao trabalho, são de Marte.
As mulheres, seres que se preocupam com a qualidade dos relacionamentos, a casa, o amor, a família e o diálogo - essas verdadeiras fadinhas - são de Vênus.
Dessa união intergalática surgiu o maior ruído de comunicação de todos os tempos. Ruídos apaixonados, mas ruídos.
Os marcianos, seres empreendedores e inquietos, querem ir direto ao assunto.
Já as venusianas adoram longas conversas e não resistem a dar conselhos. Ruído.
Quando está estressado, o homem se isola. O erro é que a mulher, vendo-o assim, quer conversar para ajudá-lo. Mais ruído.
Se o guerreiro enfia-se na toca, ela deve esperar que o amuo dele passe. Os conselhos devem ser feitos com cautela, de modo que pareçam ter sido idéia dele.
Elevar o ego do marciano, eis o lema de Gray.
Quanto às mulheres, tudo o que o elas querem é falar, falar, falar.
Quando estão felizes falam, quando estão nervosas matraqueiam.
E o que Gray aconselha aos marcianos é: ouçam-nas, respondendo apenas "puxa! é mesmo? que coisa! hum, hum".
"Muitas vezes, as mulheres querem apenas compartilhar os sentimentos vividos durante o dia, e os homens interrompem oferecendo soluções", diz o psicólogo.
Portanto, se o leitor não tem soluções reais para o caso da empregada que não apareceu, continue não tendo - ela agradece.
E, não se preocupe. Assim que se acalmar, a venusiana pára com a cantilena, e você pode voltar ao seu jornal.
"Um homem deve saber que quando uma mulher reclama, não o está acusando, mas extravasando suas frustrações", escreve.
Gray finalmente diz que sábia é a venusiana que sabe esperar.
Se o marciano, no meio de uma paixão por sua venusiana, repentinamente se-afasta, trata-se de um procedimento normal no sexo masculino. "Só mesmo distante, o homem avalia o seu amor. Se ela não o procura, dá-se o efeito elástico, e ele volta correndo para ela".
Mas, pensando bem, um sujeito chato desses, quem quer de volta?