CASAMENTO OU...
A psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins tem teorias pouco convencionais.
Para começar, acha que casamento e tesão são incompatíveis.
ISTO É - Quais as queixas mais freqüentes que chegam ao seu consultório?
Regina - O problema que mais escuto em 26 anos de trabalho é a falta de tesão no casamento.
I.É. - O casamento então é a antítese do tesão?
Regina - Os casamentos encurtaram depois que o amor passou a ser uma exigência. Durante muitos séculos, as uniões duravam porque não havia expectativa de romance ou de prazer sexual.
Ninguém se decepcionava. O marido tinha que prover e respeitar. A esposa tinha de ser boa dona de casa e boa mãe. No momento em que se passou a procurar realização afetiva e prazer, o casamento melou.
I.É. - A sra. aconselha as pessoas a não se casarem?
Regina - Acho que o casamento é a pior maneira de se relacionar a dois. Mas cada um escolhe o que quer. Se for feliz vivendo como irmãos...
I.É. - A infidelidade pode ajudar no casamento?
Regina - Fidelidade ou infidelidade não passam pela sexualidade. Já tive paciente que falava mal do marido, vivia às turras com ele, mas nunca o traiu, e conheço pessoas que estão casadas porque curtem estar com o parceiro, fazer sexo com ele, mas acham que transar com outro não desrespeita o casamento. Fidelidade não existe. Você pode até se reprimir, mas se o desejo existe, abrir mão de um desejo é pior para o casamento.
I.É. - O que é um bom sexo?
Regina - O sexo no Ocidente é muito ansioso. É preciso ir para a cama sem pressa, sem a idéia de ter de cumprir uma missão, sem vergonhas e preconceitos. Sem a preocupação de ter ou proporcionar orgasmo.
Quando o objetivo é procriar, o sexo não é problema. Entretanto, quando o que se busca é o prazer, o sexo é um aprendizado. A pior pessoa na cama é o machão, que acha já que sabe tudo e que portanto não se dispõe a aprender, entregando-se às sensações.