A LISE DISCORDANTE

Mira y Lopez

 

A Lise Discordante é sempre trágica, pois constitui motivo de grande sofrimento para o cônjuge que continua a amar e percebe que já não é amado.

Milhões de mulheres, sobretudo no mundo católico, conformam-se em gozar apenas a presença física do homem a quem amaram.

Seu sofrimento é, sem dúvida, mais torturante do que se tivessem sido abandonadas.

Entretanto, elas o aceitam como um mal menor, porque isso salva as aparências e, além disso, alimenta uma irracional esperança, porque "onde houve fogo, ficam as brasas".

Sem dúvida, essa tolerância é conseguida á custa de renunciar à livre expressão das próprias necessidades de atenção, carinho, sexo.

Por seu lado, o cônjuge causador da tortura, crê haver chegado a uma solução aceitável, assistindo econômicamente o lar, e cultivando o trabalho excessivo, a bebida, o jogo ou alguma atividade fora de casa como meio de derivar e descarregar suas energias.

A mulher, por sua vez, muitas vezes impossibilitada de abandonar o lar por falta de recursos econômicos ou de força de vontade, adota uma das seguintes atitudes para compensar sua insatisfação:

- atira-se à "frivolidade" social

- entrega-se a desnecessários trabalhos domésticos

- sublima-se em trabalhos assistenciais

- refugia-se em pseudomisticismo religioso

Em geral, afigura do homem que já não sente amor nem atração física pela esposa, mas continua atado ao carro matrimonial, é uma figura digna de compaixão, pena.

Esse homem "está sem estar", vive absorto, distraído, às vezes mal-humorado. Seu interesse está em seu trabalho, seu clube, seus vícios e aventuras.

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