História                   


 
Nascido em 20 de Janeiro de 1952, Stanley Harvey Eisen era motorista de táxi no Queens
   em Nova York e conheceu o professor de inglês Chaim Witz ,nascido em Israel em 25 de
   agosto de 1949, (que mais tarde mudou seu nome para Eugene Klein).

   Ambos já haviam tocado em várias bandas, Stanley tocou em grupos pouco famosos na
   época como Post War Baby Boom, Uncle Joe, Rainbow. Eugene havia passado por bandas
   como Long Island Sounds, Rising Sun, The Missing Links, Bullfrog Bheer, Cathedral,
   também tocou na banda Rainbow assim como seu amigo Stanley, quando se conheceram.

   Saindo da Rainbow decidiram formam em 1973 a banda Wicked Laster em conjunto com
   Steve Coronel e Tony Zarella. Tocando um rock ‘n roll simples com guitarras distorcidas e
   vocais melodiosos, gravaram uma demo com algumas músicas que futuramente se
   tornariam hits da vindoura banda Kiss, mas na época nenhuma gravadora se interessou
   pelo trabalho do quarteto.

   Com a frustração, Stanley e Eugene resolveram mudar complemente a proposta de
   trabalho, dissolvem a recém formada Wicked Laster e passam a pensar na criação de uma
   super banda. Imediatamente assumiram pseudônimos: Stanley Harvey Eisen passou a
   atender pelo nome de Paul Stanley e Eugene Klein por Gene Simmons.

   Mas não poderiam formar um super grupo sozinhos, colocam então um anúncio num
   conceituado jornal Nova Iorquino chamado Village Voice, solicitando músicos para formar
   uma nova banda.

   Aparece então o tímido baterista Peter Criscuola III, nascido no Brooklyn em Nova York em
   20 de Dezembro de 1947, para fazer os testes. Gene Simmons percebe que o rapaz
   estava bem vestido e pergunta: "Se num show a gente lhe pedir pra ir fantasiado de
   mulher, você vai?", a resposta afirmativa de Peter lhe dá o lugar na banda, que passa a se
   chamar simplesmente Peter Criss. Suas bandas anteriores foram The Barracudas,
   Chelsea, Lips.

   Paul Stanley não sabia fazer solos e precisavam de um guitarrista com essa técnica. Mais
   um anúncio no jornal e dezenas de candidatos aparecem até que um chega cortando fila,
   vestido de forma estranha, com tênis colorido e calças rasgadas. Gene até pensou que se
   tratava de um mendigo não fosse o fato de estar segurando uma guitarra.

   Paul o alertou de que não poderia cortar fila e pedindo desculpas o rapaz se dirigiu ao fim.
   Chegou a hora dele mostrar seu talento e durante o teste Gene, Paul e Peter ficaram
   impressionados com a habilidade do jovem, seu lugar na banda estava garantido e seu
   nome era: Paul Daniel Frehley, nascido em 27 de Abril de 1951 no Bronx também em Nova
   York, que já havia passado por bandas como The Exterminators, The Four Roses, The
   Muff Divers e Molino. E como os outros três troca o seu nome e passa a se chamar Ace
   Frehley.

   A banda estava formada com Paul na guitarra e nos vocais, Gene no baixo e nos vocais,
   Ace na guitarra e Peter na bateria.    Faltava ainda um nome para o grupo. A inspiração veio de um concurso realizado no
   Queens Boulevard em Nova York que premiaria o casal que permanecesse mais tempo de
   beijando, o nome estava dado – Kiss (beijo).
                                          
   A sensualidade e sexualidade expressa no nome acompanharia o Kiss na maior parte de
   suas músicas. Começaram então a trabalhar em composições feitas durante a extinta
   Wicked Laster, mas além de tudo queriam chocar o público.

   Para tanto, se inspiraram em bandas como New York Dolls e no rock-horror show de Alice
   Cooper para definir a atitude e figurino da banda.

   Decidiram se maquiar e assumiram essa personalidade como sendo essencial para a
   sucesso do grupo, escondendo assim por anos a fio a verdadeira identidade de seus
   músicos.

   A maquiagem foi definida se baseando em elementos referentes a verdadeira
   personalidade de cada um. Gene Simmons adora filme de terror e assumiu uma
   maquiagem que o deixaria com cara de mal. Paul pintou uma estrela em seu olho direito
   pois sonhava em ser um astro do rock. Ace concebeu sua maquiagem baseada no espaço
   sideral e numa estética futurista por ser uma pessoa "aérea", dispersiva. Por adorar
   felinos, Peter adotou uma imagem de homem-gato, acredita ainda que tenha sido um gato
   em outras encarnações.

   Para definir o figurino da banda, mesclaram elementos de super heróis em quadrinhos com
   personagens do teatro japonês. Usando botas com saltos enormes que davam um ar de
   super heróis titânicos ao grupo e se tornariam então: "The Starchild" (Paul Stanley), "The
   Demon" (Gene Simmons), "Space Ace" (Ace Frehley) e The Catman (Peter Criss).

   Um elemento visual que acabou se tornando ícone da banda é com certeza a língua de
   Gene Simmons. Ele realizou uma pequena cirurgia para a remoção do "freio", um músculo
   responsável pelos movimentos da língua, deixando-a muito maior que o normal e com
   maior liberdade de movimentos.

   Definido o visual da banda, era hora de criar os cenários de palco. Efeitos especiais
   sonoros, de luzes e fumaça aliados a velas acesas e um imenso letreiro luminoso contendo
   o logotipo da banda que piscava aleatoriamente criavam um clima de mistério e terror.

   Queriam proporcionar ao público não só música e sim um espetáculo que abrangesse os
   diversos estados da arte. Nos primeiros shows, risos, piadas e deboches, por parte do
   público. Mas, gradativamente, a banda foi conquistando seu espaço.

   Em 1973, na cidade de Nova York aconteceria o primeiro show de grande porte do Kiss.
   Para tanto, eles contrataram a popular banda Brats para abrir o show e mandaram
   convites a imprensa em nome do Kiss e como já não bastasse, mesmo endividados até o
   último fio de cabelo, alugaram uma limousine para chegar ao local do show em grande
   estilo. Tudo isso para tentar passar ao público e a imprensa a imagem de que o Kiss já era
   uma banda famosa.

   Toda essa jogada de marketing não foi em vão. Dezenas de jornalistas e produtores de
   gravadoras compareceram ao show movidos pela curiosidade de ver quem eram aqueles
   ilustres desconhecidos que haviam contratado os famosos Brats para uma apresentação.

   E no mesmo ano, conseguiriam com isso um contato com Neil Bogart, presidente da recém
   inaugurada Casablanca Records (que nos dias de hoje grava apenas dance music).

   Bogart resolveu investir na banda por acreditar na proposta musical e na estética do Kiss,
   assinaram contrato e no ano seguinte, em 1974, lançariam o primeiro disco auto-intitulado.
   Toque de humor, sensualidade e provocação caracterizam a maioria das faixas do disco.
   Este excelente trabalho de estréia dá uma amostra do estilo que o Kiss desenvolveria no
   decorrer da carreira. Mesmo contendo músicas que se tornariam mais tarde obrigatórias
   em shows, como Black Diamond, Strutter, Deuce, Firehouse, Nothing to Loose, o álbum
   não emplaca em vendas. A foto da capa foi inspirada na famosa capa de Meet The
   Beatles.

   Para promover o disco, a gravadora realiza um concurso inspirado no mesmo que deu
   nome a banda. Ao som de Kissin´ Time, um dos temas do disco, premiariam o casal que
   permanecesse mais tempo se beijando. Mesmo assim o primeiro álbum do Kiss continua
   empoeirando nas prateleiras das lojas. Mas o que seria o fracasso de vendas do primeiro
   disco para uma banda que fazia de tudo para chamar a atenção?

   Continuaram a trabalhar e 3 meses após o lançamento do primeiro, lançam o segundo
   disco intitulado de Hotter than Hell (Mais Quente que o Inferno) em 22 de Outubro de
   1974.

   Um disco pesado com uma musicalidade agressiva, entre as músicas se destacam Got To
   Choose, Goin' Blind, Let Me Go Rock 'N Roll, Comin’ Home.

   Uma das características mais curiosas desse disco ficam por conta da capa. Nela está
   escrito o nome da banda em caracteres japoneses, numa tentativa de passar uma falsa
   impressão de que eles já eram consagrados no lado ocidental do globo.

   Na contra-capa, aparece uma foto de Paul Stanley fazendo sexo ao luar com uma
   prostituta, outra de Peter Criss também realizando a mesma ação e de Gene Simmons com
   uma taça de vinho, inferindo um banquete. Pode-se identificar vários elementos que
   remetem à orgia, a sexualidade, era o Kiss criando polêmica mais uma vez com uma capa
   de conteúdo forte para os padrões da época. Assim como o primeiro, o disco não alcança
   grandes vendas mas já começa a demonstrar uma maior aceitação por parte do público.

   Durante os shows várias características ficariam marcadas, como as danças sensuais,
   pulos balançar dos longos cabelos. O Kiss era uma banda destinada apenas em divertir as
   pessoas, falavam de amor, sexo, festa e rock ‘n roll em suas músicas mas mesmo assim
   adotariam atitudes que serviam de contestação como quebrar instrumentos e balançar a
   cabeça, atos esses que já eram praticados por vários artistas, como Jimi Hendrix.

   Mas a banda também criou atitudes que se tornaram as mais esperadas durante os shows.
   Além de movimentar vorazmente a sua língua para provocar o público, Gene Simmons
   praticaria números de cospe-fogo e cospe-sangue.

   O fogo vem durante a execução da música Firehouse. Com querosene na boca, Gene
   cospe em direção a tocha que segura na mão criando assim uma chama de dois metros de
   comprimento. Após tostar seus cabelos várias vezes, Gene Simmons se tornou um dos
   maiores cuspidores de fogo do mundo. Para o número cospe-sangue, Gene aguarda a
   música 100,000 Years e como num ritual de magia negra, lentamente pequenas gotas de
   sangue começam a escorrer pelo canto da boca, até se transformar em um jorro
   abundante. Como trilha sonora para esta atitude, Gene toca seu baixo, utilizando efeitos
   de eco e distorção, além do som de correntes sendo arrastadas e de vento, o que cria
   uma atmosfera tensa.

   A partir da turnê de Hotter than Hell, uma mensagem acompanha todos os shows da
   banda. Sempre ao início de cada apresentação, um mestre de cerimônias berra a seguinte
   frase: "You Wanted the Best and You Got the Best. The Hottest Band in the World, Kiss!" - ,
   traduzindo: "Vocês queriam os melhores e vocês terão o melhor, a banda mais quente do
   mundo, Kiss". Esta repetição constante de mensagem tornou-se emblemática na carreira
   da banda. Este slogan, marca definitivamente, o início do conceito Kiss: "Ser um
   Super-grupo".

   Dia 19 de março de 1975 marca a data de lançamento de Dressed to Kill (Vestidos para
   Matar), o terceiro disco da banda. É nesse álbum que esta contido um dos maiores
   sucessos da banda e que se tornou um dos maiores clássicos do rock, o hino Rock ‘n Roll
   All Nite.

   Segundo Paul Stanley, ela definiria o espírito do que era viver o mundo do rock´n´roll para
   o Kiss. A música traz elementos de sensualidade e trechos referentes a rebeldia dos
   jovens que procuravam viver da melhor forma possível se divertindo ao máximo. C’mon
   And Love Me e Rock Bottom são os outros destaques do disco.

   Como sempre o Kiss e a gravadora usariam de todo o poder de marketing para alcançar
   grandes vendas. Uma das muitas formas que utilizaram para promover Dressed to Kill, foi
   levar a banda para passear em um luxuoso carro aberto e pra completar atiravam gomas
   de mascar e balas para as pessoas que passavam. Diante daqueles seres maquiados, as
   reações eram de espanto, medo e admiração .

   Dressed to Kill é mais um disco em que a capa se tornou curiosa. Na foto aparecem os
   integrantes, devidamente maquiados, vestidos de terno e ainda pode notar-se que o terno
   de Gene Simmons é mais curto do que deveria ser, isso ocorreu porque a roupa que Gene
   vestia era do próprio dono da Casablanca Records. Isso devido ao fato de que mesmo
   diante de toda a produção, a banda ainda não tinha dinheiro suficiente para viver. Todos
   os demais ternos utilizados na foto foram emprestados por amigos ou parentes.

   Aproveitando o momento de sucesso, o Kiss lança em 10 Setembro de 1975, o primeiro de
   uma série de três álbuns ao vivo, o Alive! (Vivo!).Este disco duplo conquistou
   definitivamente o público americano, mas alguns críticos consideraram este projeto um
   tanto quanto duvidoso, visto que, naquela época, os discos ao vivo só eram lançados por
   artistas em final de carreira, como última tentativa de incrementar suas vendas.

   Mesmo assim chega em nono lugar na parada da Billboard e recebe os três primeiros
   discos de platina, e após duas semanas, com quinhentas mil cópias vendidas, converte um
   disco de ouro para a banda. A produção fica por conta de Eddie Kramer, famoso por
   trabalhos com Jimi Hendrix e Led Zeppelin.

   O sucesso era inevitável e o dinheiro começava a aparecer, mesmo assim a banda ainda
   adotava truques curiosos para economizar e impressionar o público. Entre outras
   manobras, eles amontoavam caixotes de madeira vazios com uma frente falsa no formato
   de amplificadores, construindo assim uma suposta gigantesca parede de amplificadores.

   Tendo em vista que cada amplificador Marshall utilizado em palco custava na época o
   equivalente à US$ 600 (seiscentos dólares), a mídia se perguntava: "Como era possível
   que uma banda desconhecida possuísse tamanho equipamento?".

   Outro fato curioso é o recorde de tempo em que a banda lançava discos. Foram quatro
   num curto período de dois anos. O que tornou o Kiss ainda mais visado pela imprensa em
   geral. Para aproveitar a excelente fase, nada melhor do que mais um disco. A Casablanca
   contratou para a elaboração do quinto álbum, o produtor Bob Ezrin, um dos melhores da
   época, tendo trabalhado com artistas como Pink Floyd, Peter Gabriel e Alice Cooper.

   Como resultado dessa parceria, em 15 de março de 1976, sai Destroyer (Destruidor),
   disco que se tornaria um clássico absoluto trazendo nada mais, nada menos que petardos
   como: Detroit Rock City, King Of The Night Time World, God Of Thunder, Shout It Out
   Loud e Do You Love Me?.

   A banda explora ainda uma nova sonoridade, incluindo violinos e pianos na primeira
   balada, Beth. Escrita por Peter Criss, ela causou certo desconforto entre os demais
   integrantes, que não concordavam em incluir uma balada no repertório da banda, por
   diferir totalmente do trabalho que vinha sendo realizado. Mesmo assim, Beth se tornou um
   dos maiores sucessos de Destroyer e foi a responsável por incluir o Kiss na programação
   das diversas rádios FMs. A capa de Destroyer apresenta paradigmas típicos de revista em
   quadrinhos, retratando, através de uma ilustração, a imagem da banda como super-heróis
   que invadem Nova York ao cair da noite.

   No final de 1976 a banda já havia vendido mais de 1 milhão de discos e a média de público
   nos shows girava em torno de 15 mil pessoas. Até então o Kiss era bem popular nos
   Estados Unidos e a partir daí passa também a ser reconhecido mundialmente, incluindo a
   Europa e, principalmente, o Japão. Com o sucesso no lado ocidental do planeta a
   Casablanca Records lança somente no Japão, uma caixa especial contendo os três
   primeiros discos, intitulada de The Originals.

   O Kiss começa a aparecer freqüentemente nas TV’s americanas e vai criando uma legião
   de fãs apaixonados pela banda. Nesta fase, surge o empresário Bill Aucoin, renomado
   profissional que passa a controlar os negócios do Kiss, desde posters até camisinhas.
   Funda-se o Kiss Army, exército de fanáticos em todo o mundo que são comandados pela
   própria banda. O Kiss Army responsabiliza-se, como um fã clube mundial, pela promoção e
   divulgação da banda, produzindo fanzines e comercializando diversos materiais
   relacionados ao grupo. Existe ainda uma curiosa lenda em torno do Kiss Army, onde dizem
   que o fã-clube possui uma gigantesca fortuna que será distribuída como herança aos fãs
   após a morte de seus ídolos.

   O Kiss lança o álbum Rock´n´Roll Over em 11 de Novembro de 1976. Considerado por
   muitos o melhor álbum da banda, vem recheado de clássicos como Calling Dr. Love, Baby
   Driver e a balada Hard Luck Woman escrita por Paul como um presente a Rod Stewart,
   que não quis gravá-la. Outros destaques do disco são I Want You e Makin’ Love. É um ano
   calmo para a banda, que, a esta altura já está incluída na categoria de super-grupo,
   devido a magnitude de seus shows.

   Em 30 de Junho de 1977, o Kiss lança o álbum Love Gun mantendo a mesma qualidade
   dos álbuns anteriores, vende um milhão de cópias em apenas uma semana. Os destaques
   ficam por conta da faixa que dá título ao disco, Love Gun, e ainda Shock Me com Ace
   Frehley nos vocais, I Stole Your Love, Plaster Caster e Christine Sixteen. A capa do disco é
   novamente referência a personagens de quadrinhos. No desenho estão os quatro
   integrantes da banda como super-heróis, sendo adorados por um séquito de mulheres
   devidamente maquiadas.

   A gravadora repete a fórmula e em 14 de Outubro de 1977 lança mais um duplo ao vivo,
   Alive II, que alcança o mesmo sucesso do primeiro. As novidades ficam por conta das 5
   faixas inéditas de estúdio: All American Man, Rockin' In The U.S.A., Larger Than Life,
   Rocket Ride e Any Way You Want It. Cogitaram também a possibilidade de gravar
   Jailhouse Rock do Elvis, mas Presley morreu e o Kiss desistiu da idéia.

   A turnê do Kiss começava a ganhar ares de monstruosa. Envolvia cerca de 50 pessoas na
   equipe, dentre elas havia um "batedor", cuja função era providenciar hotel, limusines e
   alimentação especial para cada um dos integrantes (Paul Stanley exigia comida japonesa,
   Ace preferia pratos vegetarianos, etc); um chefe de segurança; um produtor responsável
   pela movimentação da equipe e do equipamento; um manager de palco; um figurinista,
   responsável também pela maquiagem; um técnico em efeitos especiais; um técnico para
   guitarra, outro para baixo e um para bateria; três carpinteiros; um motorista; um tesoureiro
   e um produtor geral, responsável por toda a equipe. A parafernália usada nos shows não
   deixava por menos, eram: 16 toneladas de equipamento pessoal; 24 toneladas de som; 17
   toneladas de luz; 18 toneladas de cenário. Tudo isso obviamente não ficava barato, e a
   produção se tornava milionária. Com o som e a iluminação eram gastos um milhão de
   dólares e só o custo do cenário estava avaliado em cerca de um milhão e cem mil dólares.
   Eram necessárias 24 horas de trabalho intenso para montar toda a estrutura do show.
   Tudo ficava pré-estabelecido nos contratos, desde a dimensão do local escolhido para a
   apresentação até caracterizações detalhadas sobre os camarins. E de escasso, o dinheiro
   passou a ser farto, nessa época a banda também já possuía seu próprio avião, chamado
   Of Course. Desde 1975 até 1980, o Kiss já havia percorrido cerca de três milhões de
   quilômetros.

   No ano de 78 duas coletâneas são lançadas. Somente no Japão sai a caixa The Originals
   II, reunindo três álbuns (Destroyer, Rock´n´Roll Over e Love Gun). Com a falta de material
   inédito, em 2 de Abril do mesmo ano, é lançada coletânea Double Platinum contando os
   maiores hits até o momento. O destaque fica para uma versão da canção Strutter,
   originalmente lançada no primeiro disco em 74. Nesta nova versão ela recebe o nome de
   Strutter ’78.

   Para o Kiss o tudo não era o suficiente, queriam estar em todos os lugares, em tudo que
   fosse possível comprar. Neste período, a banda começa a associar a sua imagem em
   quase tudo, o que fazia que ficassem cada vez mais populares e arrecadassem mais
   dinheiro. Podia-se encontrar de tudo com a logomarca do Kiss, incluindo lancheiras,
   posters, fotos, radinhos de pilha, revistas, máquinas de fliperama, bottons, adesivos,
   carrinhos de brinquedo, jogos, quebra-cabeças, chaveiros, fósforos, gargantilhas, moedas
   comemorativas e cartões postais.

   Mas um fato interessante, é que o Kiss nunca apresentou uma participação significativa
   nas paradas de sucesso das rádios, mas isso em nenhum momento foi suficiente para
   atrapalhar a vendagem de discos e a massificação do público fanático pela banda. Os fãs
   se tornavam cada vez mais apaixonados, assumiam a personalidade de seus ídolos se
   maquiando e se vestindo como eles. Mais a frente mostraremos fatos, onde religiosos
   fanáticos tentavam provar por A mais B que o Kiss hipnotizava as pessoas, atraindo-as
   para seus shows.

   Você acha que esse marketing já era o bastante? Pois se enganou. Ainda em 1978, A
   Marvel Comics lança uma revista em quadrinhos da banda , transformando Ace, Paul,
   Gene e Peter em super-heróis, tendo como base Capitão América, Super Homem e
   Homem Aranha. E para promover ainda mais a banda, as primeiras trezentas cópias do
   gibi continham sangue dos próprios músicos misturado com a tinta utilizada na impressão.
   No dia da retirada do sangue de cada integrante num laboratório americano, a imprensa
   acompanhou tudo de perto. Segundo declarações da banda, seria uma forma de "dar
   nosso sangue pelos fãs".

   No mesmo ano, a banda é convidada a realizar um filme, com o propósito de serem
   transformados em super-heróis. Kiss Meets The Phantom Of The Park (Kiss Encontra o
   Fantasma do Parque), tem o roteiro baseado em mostrar os quatro heróis travando uma
   luta contra um vilão de um parque de diversões que criou bonecos iguais a eles para
   fazerem o mau. Um filme trash de qualidade duvidosa, mas teve boa aceitação por parte
   dos fãs, é claro. Já nessa época, Peter Criss começava a demonstrar seu grande interesse
   em sair da banda, faltava as seções de filmagens e sua voz no filme foi substituída por um
   dublador, já que ele faltou no dia de gravar.

   Não demora muito para começarem a surgir ainda mais divergências entre a banda. Findo
   o ano de 1978, Ace e Peter já se mostram descontentes e cansados. Para amenizar a
   situação e evitar a saída dos dois, a banda lança um álbum solo de cada integrante para
   que cada um pudesse desenvolver seu próprio trabalho. Um dado curioso é que, cada
   integrante dedicou seu disco solo aos outros membros do Kiss. O disco de Ace foi
   considerado o melhor entre os quatro, que regravou o sucesso New York Groove.

   Boatos dizem que, depois desse disco, o guitarrista ficou se achando o tal e começou a
   pensar na carreira-solo. O disco de Paul mantém um som muito parecido com o do Kiss. O
   solo de Gene dividiu opiniões, alguns gostaram outros odiaram. Gene incluiu uma versão
   de When You Wish Upon A Star, música-tema do desenho Pinóquio, e algum tempo mais
   tarde ele próprio diria: "Não sei porque fiz esse disco. Foi obra de um homem
   completamente perdido". O disco de Peter Criss é considerado o mais dançante e fraco
   dos quatro.

   Após um certo tempo a gravadora lança a coletânea The Best Of Solo Albuns, que trazia
   as melhores músicas dos 4 discos solo. Apesar do não ter sido feita nenhum tipo de
   divulgação ou tour, esses discos conseguiram relativo sucesso.

   Com a crise entre os membros um pouco controlada, convidam para o próximo disco o
   produtor Vini Poncia, o mesmo responsável pela produção do disco solo de Peter Criss.
   Eles deixam o rock pesado de lado e passam a flertar com a música disco (pop dançante),
   lançam assim o disco Dynasty em 23 de maio de 1979.

   Neste disco está a faixa I Was Made for Loving You, a primeira parceria do Kiss com o
   hit-maker (criador de músicas destinadas à parada de sucesso) Desmond Child. Uma
   música de discoteca que enfureceu fãs e fez parte da trilha do filme Amor sem Fim. O
   resultado desta parceria foi significativo para o Kiss. Com uma estética musical totalmente
   disco, I Was Made For Loving You alcançou o topo das paradas americanas. Mas apesar
   disso, a turnê de Dynasty foi a primeira a dar prejuízo.

   Peter Criss faz seu último show com o Kiss em 29 de novembro de 1979. Mais problemas
   começam a surgir, a banda continua a investir numa música comercial e em 20 maio de
   1980 é lançado o disco Unmasked (Desmascarados). Peter Criss estava tão descontente
   que nem apareceu para gravar, sendo substituído por Anton Fig, um músico de estúdio.
   Mesmo assim o nome de Criss aparece nos créditos de Unmasked. Este dado foi revelado
   apenas 16 anos depois, em 1996. O destaque do álbum fica por conta da faixa Shandi.

   Em sua curiosa capa, Unmasked mostra em formato de história em quadrinhos os músicos
   sendo perseguidos por repórteres que tentam fotografá-los sem as mascaras. No
   penúltimo quadrinho, eles retiram suas mascaras e seus verdadeiros rostos aparecem
   idênticos às máscaras, uma forma de mostrar que aqueles seres mitológicos não são uma
   realidade construída, mas sim, um mito vivo.

   Apenas algumas semanas após o lançamento do disco, a banda anuncia a saída de Peter
   e a entrada do novo baterista, Eric Carr (Paul Charles Carrovello, nascido em 12 de julho
   de 1953 no Brooklyn em Nova York. Flasher foi a sua única banda anterior), hoje
   considerado por muitos o melhor baterista que passou pelo Kiss.

   Para encontrar Eric Carr, como no começo da carreira foi feito outro anúncio no jornal
   Village Voice promovendo um concurso para a escolha do novo integrante. Mas dessa vez
   de forma totalmente anônima, no anúncio não ficava especificado que estavam procurando
   um baterista para o Kiss. Eric pintou seu rosto assumindo a forma de raposa "The Fox". A
   escolha pela raposa foi feita por Gene, pois, segundo ele, "Eric era astuto como uma
   raposa".

   Partiram para uma nova tour, passando pelo famoso Palladium em Nova York e pela
   Austrália em em novembro de 1980, para um público de oitenta mil pessoas. Nessa fase, a
   imprensa começa a publicar críticas negativas sobre a banda, acusando seus integrantes
   de incompetência musical camuflada pela maquiagem e pelos efeitos especiais. Devido as
   críticas intensas o Kiss resolve cancelar sua tour e começam a trabalhar em um novo
   lançamento que seria o primeiro com Eric Carr.

   Para rebater as críticas sofridas e tentar finalmente agradar aos críticos mostrando que
   eram músicos competentes, o Kiss muda radicalmente de posicionamento. Pela primeira
   vez desde seu surgimento, via-se uma foto da banda com os integrantes de cabelos curtos
   e com roupas mais discretas, apesar de continuarem utilizando as máscaras. Contrataram
   novamente o produtor Bob Ezrin (que produziu Destroyer) e lançaram, em 10 novembro de
   1981, o álbum Music From the Elder (Música para os mais Velhos).

   O álbum tinha como base ser um disco conceitual baseado na história de um menino que é
   escolhido para lutar contra as forças do mal. Todas as letras eram relacionadas a esse
   mesmo tema (recurso utilizado pelos grupos de música progressiva da época). Lou Reed,
   ex-Velvet Underground, ajudou a escrever três faixas: Dark Light, Mr. Blackwell e A World
   Without Heroes. Na verdade, esta mudança de posicionamento foi tomada não apenas
   como prova de competência musical, mas, sobretudo, como uma jogada estratégica para,
   como sempre, surpreender e chocar público e críticos.

   A estética musical de The Elder também difere muito dos discos anteriores. Contando com
   uma série de vinhetas orquestradas, harpas, violinos e outros instrumentos clássicos, o
   disco agradou a crítica e surpreendeu os fãs. Alguns adoraram outros repugnaram a nova
   estética do Kiss, em suma, o resultado de The Elder foi no mínimo estranho.

   Não foi realizada nenhuma turnê para a divulgação do disco, mesmo assim, o Kiss
   apareceu em alguns programas de TV, com um fato que intrigou a todos: sem a presença
   de Ace, que estava completamente envolvido com álcool e drogas. O guitarrista estava
   sempre doente e não conseguia acompanhar o grupo. Este envolvimento com drogas foi
   tão grande que Ace foi obrigado a gravar as suas participações no disco em um estúdio
   montado na sua casa, pois recusavasse até a participar dos sets de gravação no estúdio
   com os demais integrantes.

   Em maio de 1982 é lançada a coletânea Killers (Matadores), trazendo algumas faixas
   inéditas. Foi o único álbum não lançado nos EUA. E já com um pé fora da banda, Ace não
   toca nas quatro faixas inéditas desta compilação. Para substitui-lo, foi escolhido Bob
   Kulick, irmão de Bruce Kulick (que, anos depois, entraria de vez para a banda), Em 13
   outubro de 1982 lançam o disco Creatures of the Night (Criaturas da Noite). Mesmo em
   face ao envolvimento crescente de Ace com as drogas, ele continuou na banda por
   motivos contratuais e acabou gravando o álbum. O guitarrista Vinnie Vincent, amigo de
   Gene, foi chamado para ajudar nas composições e substituir Ace quando ele não aparecia
   no estúdio. A música I Love it Loud emplacou na MTV americana, recebendo bastante
   destaque. A estética musical, mais uma vez, foi alterada. O som ficou mais pesado
   (inclusive, um dos recursos utilizados durante a mixagem do disco para conferir mais
   "peso" foi colocar o som da bateria bem alto). A capa mostra os rostos maquiados de Paul,
   Eric, Gene e Ace em close, tendo os olhos fixos para a câmera, com uma expressão de
   sobre-naturais, reforçada por um brilho ofuscante de seus olhos. Aqui, nota-se claramente
   o contínuo esforço realizado para conferir "poderes mágicos", no caso, "hipnóticos" aos
   integrantes da banda.

   O clip da música I Love it Loud apresenta a seguinte sinopse: uma família (pai, mãe, filha e
   filho) está jantando quando começa a passar o clip da banda em um televisor. A mãe, a
   filha e o pai assistem ao vídeo com ar de desprezo. Ao final, o rapaz tem os olhos
   iluminados (o mesmo efeito utilizado na capa do disco) e segue em uma marcha com
   centenas de fãs, de encontro ao Kiss. Com isso, a banda quis passar a idéia de que
   aquele olhar seria um olhar hipnótico, e de que, a banda controlava as mentes de seus
   fãs. Mesmo com o clip rodando na MTV, o álbum obteve pouca repercussão. Este clip
   serviu como reforço para o conceito da capa de Creatures of the Night, de que o Kiss
   poderia dominar seu público através de poderes míticos. Nessa época Ace definitivamente
   abandova o Kiss seguindo carreira-solo e cedendo seu lugar a Vinnie Vicent (Vincent
   Cusano , nascido em Bridgeport, Connecticut no dia 6 de Agosto de 1952 . Suas bandas
   anteriores foram Treasure, Warrior e Dan Hartman).

   O Kiss perdia popularidade na América do Norte, a solução foi excursionar em lugares
   onde nunca haviam estado antes, como a América do Sul. Realizaram um mega show no
   Estádio do Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro reunindo cerca de 250 mil pessoas, um
   recorde para o mundo musical sendo o maior público para uma banda sozinha. Gene
   concedeu, na época, uma entrevista em que falava sobre este show: "O palco será um
   tanque de guerra, desses do Exército, com dezoito metros de largura. O tanque vai atirar
   na platéia, haverá bolas de fogo. Nada de cenário, somente o tanque com as luzes em
   cima. O palco ficará vazio, porque estaremos no tanque, ou em cima dele, na torre,
   atirando foguetes na platéia com raios elétricos passando à nossa volta. A bateria ficará
   em cima do canhão do tanque e as caixas de som ficarão suspensas no ar, em cima de
   nós, até que explodirão, caindo no chão. Teremos também uma cortina de neblina, como
   se fosse uma nuvem gigantesca que movimenta-se em direção à platéia. Também teremos
   seis lança-chamas, daqueles que o Exército usou no Vietnã. Vamos atirar na platéia, mas
   ninguém vai sair machucado. O palco será inundado por uma chuva de fogo que
   prosseguirá por todo o show. Quanto tocarmos War Machine (Máquina de Guerra), vamos
   torpedear o público. Além disso, vou cuspir sangue, fogo e vomitar". Os elementos
   utilizados nesse show (tanque, lança-chamas, etc) inferem o reforço ao conceito de poder
   que a banda possui: poder de atirar, tocar acordes que estremecem multidões, chocar com
   seu visual e, principalmente, com "muito poder de fogo".

   A revista Manchete, publicou uma cobertura sobre o show, que aconteceu em julho de
   1983. Com o título de "Kiss, a explosão do rock", a revista trazia o seguinte comentário:
   "Parecia uma praça de guerra do futuro, num outro planeta, com quatro seres
   extraterrenos de caras pintadas e vestes negras, montados num ameaçador tanque,
   atacando na base de tiros do canhão, lançando chamas e expelindo fumaça, atordoando
   com as luzes de seus refletores e rajadas de sons ensurdecedores. Assim foi o show do
   Kiss, realizado para um público de 140 mil pessoas. A banda chegou ao Rio de cara
   lavada, mas, para a decepção dos fãs, cobrindo seus rostos, como sempre. Um clima de
   mistério que vende. O camarim estava constituído por uma suíte com quatro camas, ar
   condicionado, restaurante particular, iguarias, vinhos finos e champanhe francesa. O
   cachê extra-oficial pago à banda por três shows está estimado em 240 mil dólares". O
   custo dos shows foi estimado em dois milhões de dólares. A potência sonora, em cerca de
   120 decibéis de som".

   A Rede Globo de Televisão apresentou um especial sobre o show, porém, desvirtuando
   totalmente a proposta do grupo. O repórter fez perguntas absurdas como "Por que vocês
   sacrificam animais no palco?", pergunta que divertiu os integrantes, visto que, em toda a
   história da banda, não existam relatos de qualquer natureza sobre esse tipo de conduta.
   Além disso, a Globo entrevistou pessoas totalmente irrelevantes como um menino de 10
   anos de idade que disse que preferia os Beatles ao Kiss e que não tinha gostado muito do
   show; outra entrevista, apresentava um surfista dizendo que só estava alí porque havia
   ganho o ingresso; e a mais estapafúrdia, uma senhora grávida dizendo que era fã número
   um da banda.

   Além disso, um grupo de fanáticos religiosos tentava impedir à força que o público
   entrasse no Maracanã, alegando que aquilo (o show) era um culto ao demônio, visto que
   Kiss, na visão deles, significaria Kids In Service of Satan (Crianças a Serviço do Demônio)
   ou Kingths In Service of Satan (Cavaleiros a Serviço do Demônio).

   Este foi o maior show do Kiss em toda a sua história e o último com pinturas. A imagem
   adotada por Vinnie foi a de pintar em sua testa uma espécie de cruz, chamada de
   Hankh, o símbolo egípcio da longa vida. Este show realizado no Brasil foi um marco na
   carreira do Kiss, não só por sua magnitude, mas porque era a primeira vez que a banda
   excursionava fora do eixo Estados Unidos, Europa, Japão e Austrália.

   De volta aos Estados Unidos, um rumor movimentou toda a imprensa. O Kiss iria
   finalmente, depois de mais de 10 anos de carreira, tirar as suas máscaras. E, diante das
   câmeras da MTV, no dia 18 de setembro de 1983, o Kiss concedeu sua primeira entrevista
   coletiva sem pinturas, alegando que estavam fartos da maquiagem. Na verdade, foi uma
   jogada de marketing para despertar novamente a curiosidade dos fãs.

   Na semana seguinte, saia o álbum Lick it Up, o primeiro sem a maquiagem. Agradou em
   cheio o público americano com músicas como All Hell’s Breakin’ Loose, Lick It Up e Fites
   Like A Glove. Para promover o disco, realizaram uma pequena turnê pelos Estados Unidos,
   Canadá e Europa. Não foi uma turnê de grande impacto. Após o fim da excursão, por uma
   guerra de egos, Vinnie Vincent acabou deixando a banda.

   Em julho de 1984 o Kiss entrou em estúdio para gravar o próximo álbum, Animalize. Depois
   de muito procurar por um substituto para ocupar a vaga deixada por Vinnie Vincent,
   recrutaram o guitarrista de jazz Mark St. John (Mark Norton, nascido em 7 de Fevereiro de
   1956 em Anaheim, Califórnia). Gene Simmons esta ocupado com as filmagens de
   Runaway, onde interpretou um papel de vilão e assim Paul Stanley assumiu toda a
   produção do disco. Animalize foi lançado em 13 setembro de 1984 e alcançou o disco de
   platina, com destaque para as músicas Heaven’s On Fire e Thrills In The Night.

   No final deste ano, o Kiss iria iniciar uma turnê pela Europa. Porém, logo no segundo show,
   o guitarrista Mark St. John sofreu uma crise aguda de tendinite (inflamação dos tendões) e
   ficou impedido de tocar. O início da turnê teve de ser adiado. O novo integrante da banda
   foi Bruce Kulick nascido em 12 de Dezembro de 1953 no Brooklyn, Nova York, irmão de
   Bob Kulick que já havia participado da gravação do álbum Killers em 1982. Bruce já tinha
   tocado nas bandas Black Jack, Good Rats e Billy Squier. Após alguns ensaios, partiram
   para a turnê européia, obtendo um bom resultado.

   Em 1985, entraram em estúdio para preparar o próximo álbum (o primeiro com Bruce
   Kulick). Em 16 de setembro do mesmo ano, lançaram Asylum. Os fãs não gostaram do
   disco, que continha muita música pop. Nessa época, o chamado "Glamour Rock" tomava
   conta do cenário roqueiro de Nova York. O visual era mais importante do que o som. Uma
   das principais bandas deste movimento se chamava Poison. Asylum marca o início de uma
   separação: o Kiss abandonava, gradativamente, as origens do metal e começava a se
   transformar em uma banda pop. Este disco obteve pouco resultado, gerando apenas uma
   tour pelos Estados Unidos.

   No segundo semestre de 1986 começaram as gravações de X-posed, o primeiro vídeo
   documentário da história do Kiss. Ele foi lançado no final de 1986. Neste ano, o grupo não
   gravou nenhum disco nem realizou turnês.

   Em 18 setembro de 1987, o Kiss lança o álbum Crazy Nights (Loucas Noites). Como a
   estética "glam" adotada em Asylum fracassou, o grupo decidiu voltar-se para o rock
   comercial, porém com um visual mais ameno. Neste disco, além dos eventuais baixo,
   guitarra e bateria, foram incluídas bases utilizando-se teclados (o que ajudou a reforçar a
   sonoridade Pop proposta pela banda neste novo trabalho). O disco teve uma aceitação
   melhor do que os anteriores sem máscara (Lick it Up, Animalize e Asylum,
   respectivamente), alcançando o disco de ouro uma semana após seu lançamento. A
   balada "Reason to Live" obteve grande sucesso nas rádios FM.

   Em novembro do mesmo ano, iniciam com sucesso uma tour pelos Estados Unidos, com
   lotação esgotada em todos os shows. Essa tour se estendeu até março de 1988. Seguindo
   a mesma estética e sonoridade de Crazy Nights, em 16 de novembro de 1988 é lançada a
   coletânea Smashes, Thrashes and Hits, que traz duas composições inéditas. A única
   curiosidade é uma versão de Beth com Eric Carr, cantando a música consagrada na voz
   de Peter Criss. Ao final deste ano, o Kiss acumulava vinte discos de ouro e dezesseis de
   platina.

   Em julho de 1989 o Kiss entra no Fortress Recording Studios para gravar seu novo disco.
   O contrato que já estava para terminar com a Polygram/Mercury Records foi renovado por
   mais dez anos. Em 17 de outubro, lançam Hot in the Shade (Quente na Sombra ). A
   música "Forever", outra parceria da banda com o hit maker Desmond Child, emplacou nas
   FMs e chegou a fazer parte da tilha de uma novela "Global". Em maio de 1990, a banda
   inicia uma tour americana com cerca de sessenta shows marcados, mas que acabou se
   estendendo para cento e trinta (todos lotados) devido à grande demanda. A tour durou até
   novembro de 1990, culminando com um show em comemoração ao Madson Square
   Garden (por votação do público de Nova York, o Kiss foi a banda escolhida para animar as
   festividades, prova de sua popularidade e de seu poder de sedução). Esta tour foi a última
   da qual participou o baterista Eric Carr.

   Em 1991, depois do sucesso da tour Hot in the Shade, a banda entrou novamente em
   estúdio para a gravação de mais um disco. O produtor seria Bob Ezrin (o mesmo de
   Destroyer e The Elder). Os trabalhos foram interrompidos, pois Eric Carr começou a sentir
   fortes dores no peito. Em 09 de abril de 91 foi detectado um tumor maligno no coração do
   baterista. Anunciado o câncer, Eric ficou internado até o dia 24 de novembro de 91,
   quando morreu em um hospital de Nova York. Mais uma mudança que alterou a formação
   do Kiss. Para substituir Eric Carr, foi convocado um músico experiente, que havia tocado
   com Alice Cooper e Black Sabbath. O escolhido foi Eric Singer nascido em 2 de Maio de
   1958 em Cleveland, Ohio. Passou pelas bandas Lita Ford, Black Sabbath, Badlands, Gary
   Moore, Alice Cooper e Paul Stanley (banda da tounê solo de Paul).

   Após os devidos ensaios e alguns shows para apresentar o novo membro, o Kiss lança, 14
   em maio de 1992 um álbum que têm como base a volta às origens. O próprio nome do
   trabalho já refletia esta filosofia, Revenge (Vingança). Com este disco, o Kiss abandona,
   definitivamente, o "glam" e o Pop e retoma seu rock visceral. A estética sonora é mais crua
   e direta, ao estilo do trabalho que realizavam na década de 70. Fizeram uma homenagem
   a Eric Carr gravando a música God Gave Rock And Roll To You II, antigo sucesso do
   grupo Argent, e incluíram também a faixa Carr Jam ’81, gravação de um antigo solo de
   bateria de Eric. O álbum obteve relativo sucesso.

   Em 1993 os fãs tiveram uma surpresa. O próximo lançamento da banda seguia uma
   formula utilizada em dois álbuns anteriores. Em 18 de maio deste ano, chega às lojas o
   disco Alive III reunindo os maiores sucessos da banda (desde 73 até 93) em versões ao
   vivo, gravadas durante a tour de 1992. Nesta época, Paul Stanley e Gene Simmons foram
   convidados a deixar suas marcas na famosa calçada de Hollywood, a Rock Walk of Fame.

   Em agosto de 1994, o Kiss foi contratado para fechar a primeira edição do Philips
   Monsters of Rock, na América do Sul. Tocaram no Brasil e realizaram mais algumas
   apresentações na Argentina (show promovido por uma rádio de Buenos Aires), incluindo
   também México e Chile.

   Em 1995, realizaram uma tour pelo Japão (aonde encontra-se um de seus maiores
   públicos) com lotação esgotada em todos os shows. Começaram a acontecer por todo o
   mundo as chamadas Kiss Conventions (Convenções Kiss), uma espécie de congresso em
   que os fãs trocavam informações, fotos, revistas, camisetas, etc. Nesses eventos, era
   possível conhecer desde sósias dos integrantes até roupas originais utilizadas nos shows.
   Ao final de cada evento, a banda realizava um show acústico em que os fãs determinavam
   o repertório. Neste ano, é lançado o livro Kisstory. A biografia da banda pesava quatro
   quilos e possuía duzentas páginas, sendo vendida através do correio. A idéia era fazer
   uma "Bíblia do Kiss". O livro, apesar de caro, vendeu bem. As Kiss Conventions foram cada
   vez aumentando mais, incluindo Estados Unidos e Austrália. Além disso, o Kiss concedia
   uma coletiva em que os repórteres eram o próprio público. Nessa convenções, a banda
   arrecadou centenas de dólares com a venda de material promocional. Nesse período, Ace
   Frehley e Peter Criss foram convidados a colocar suas marcas ao lado dos outros dois
   integrantes (Paul e Gene) no Rock Walk of Fame de Hollywood.

   Em uma dessas convenções em Los Angeles, Peter Criss resolveu comparecer
   acompanhado de sua filha, foi nessa época em que as mágoas começararam a ser deixar
   os integrantes da banda e eles voltaram a velha amizade. Tempos depois, em uma outra
   convenção, Gene manda uma limousine buscar Peter e sua filha, e durante a
   apresentação, Criss é convidado para subir ao palco e cantar Hard luck Woman com Eric
   Singer na bateria.

   Depois desse emocionante encontro, tiveram a idéia de convidar Ace para tocar com a
   banda novamente. Esse encontro acontece quando resolvem seguir a onda que a MTV
   americana lançou com os chamados MTV Unplugged (shows acústicos realizados pelas
   bandas, em que o repertório consiste numa releitura de seus maiores hits). Em 1995 o Kiss
   grava o seu programa (veiculado pela MTV americana e brasileira) e registra o show em
   CD lançado em 12 de março de 1996. A chamada para o disco era "Kiss Unplugged – The
   Kiss Reunion!". O termo reunion (reunião) refere-se ao fato de que, além de tocarem
   antigos sucessos em versões acústicas, Peter Criss e Ace Frehley participaram do
   trabalho. No meio do show os dois são convidados a subir no palco para tocar Beth e
   2,000 Man enquanto Bruce e Singer esperavam, e acabadas a apresentação dessas
   músicas eles voltaram todos juntos para cantar Nothin' To Lose e Rock and Roll All Nite. O
   resultado foi uma vendagem excelente e o disco se torna o segundo disco mais vendido da
   série MTV Unplugged.

   Começaram rumores sobre a volta da formação original da década de 70 (Peter, Paul,
   Gene e Ace). Os rumores começaram a tomar corpo e, no mesmo ano de 1996, o Kiss
   marcou uma entrevista coletiva, em Nova York, para a imprensa mundial. Os repórteres
   ficaram surpresos ao verem Gene, Paul, Ace e Peter mascarados, utilizando a mesma
   estética dos anos 70, anunciarem a volta oficial da banda e o afastamento de Eric Singer e
   Bruce Kulick, sem mágoas. O resultado foi surpreendente para a banda. No primeiro dia de
   venda dos ingressos para o primeiro show da Kiss Reunion Tour, que aconteceu em 29 de
   junho de 1996 no Tiger Stadium, os 79 mil ingressos colocados à venda esgotaram-se em
   47 minutos. Devido ao sucesso, a banda começou a agendar uma série de shows para
   esta turnê. Cada show previa um público mínimo de dez mil pessoas. No repertório,
   sucessos dos álbuns Alive! e Alive II. Um dos shows mais importantes desta fase foi o
   realizado durante o Monsters of Rock, em Domington (Inglaterra).

   A histeria do público, reascendeu no Kiss, o espírito, há muito perdido, que a banda
   possuía no início da carreira. Mas nessa época o Kiss lança duas coletâneas, uma ao vivo
   You Want The Best, You Got The Best em 25 de Junho de 1995 com quatro músicas ao
   vivo nunca gravadas num disco: Room Service, Two Timer, Let Me Know e Take Me, o
   resto foi tirado dos Alive! e Alive II.

   No ano seguinte a outra coletânea chamada Greatest Kiss, onde todas as músicas são da
   fase maquiada e a única curiosidade é Shout It Out Loud gravada ao vivo em 1996 no
   Tiger Stadium. O único material novo foi o polêmico álbum Carnival Of Souls (The Final
   Sessions) lançado em 1997, gravado ainda com Singer e Kulick na banda. Um disco
   grunge que surpreende a todos. Nem deveria Ter sido lançado, mas devido a toda a
   pirataria que envolvia esse material Gene Simmons resolveu lança-lo oficialmente. O
   destaque fica por conta da faixa Master and Slave.

   Com o final da turnê Reunion, a banda começa a gravar o primeiro disco com a volta da
   formação original, após 18 anos. Resolvem voltar com tudo e chama o competente
   produtor Bruce Fairbairn , famoso por trabalhos com Bom Jovi e Aerosmith. (Nota: Psycho
   Circus foi um dos últimos trabalhos Fairbairn, que viria a morrer quase 1 ano após seu
   lançamento). E finalmente, em 22 de setembro de 1998 é lançado o disco Psycho Circus.
   Um álbum excelente onde fica evidentemente marcada a volta do Kiss a maravilhosa
   década de 70. O disco abre com a ótima Psycho Circus, uma espécie de Detroit Rock City
   dos anos 90. Outros destaques ficam por conta de Into the Void com Ace nos vocais, We
   Are One uma balada que fez muito sucesso nas FM’s, Raise Your Glasses e Dreamim
   entre outras. Na versão japonesa contem ainda a música In Your Face também cantada
   por Ace. No geral foi concebido para ser um Destroyer moderno e conseguiu ser tão bom
   quanto o mesmo.

   Partiram para a Psycho Tour, o primeiro show 3D da história da música. A estréia dessa
   turnê aconteceu no dia 31 de Outubro de 98, dia do Halloween, no Dodger Stadium em
   Los Angeles. Para abrir o show convidaram os Smashing Pumpkins. Na porta do estádio
   eram distribuídos óculos especiais para o público visualizar os efeitos em terceira
   dimensão. Realizam nesse show tudo o que tiveram em mente: explosões, fumaça, efeitos
   de luz e som, números cospe-fogo e cospe-sangue, 10 minutos de fogos de artifícios no
   encerramento do espetáculo e o primeiro-telão em tempo real já visto num show, sem
   contar a apresentação maluca do Psycho Circus, uma trupe circense nada convencional
   que está acompanhando o Kiss em sua turnê mundial. Também pudera, a produção do
   show está longe de ser modesta, foram desembolsados 10 milhões de dólares para que
   fosse realizada tal monstruosidade visual e sonora.

   Nesse mesmo dia, o público pode conferir na porta do estádio um protótipo do KissMóvel.
   Um carro para duas pessoas produzido em edição limitada, cerca de mil unidades. Os
   faróis tem o logo do Kiss e um amplificador no painel.

   Em abril de 1999, estiveram pela primeira vez no Brasil com a formação original. Fizeram
   duas apresentações, em Porto Alegre e em São Paulo, reunindo cerca de 50 mil pessoas.

   Em Janeiro de 1999 apareceram na Playboy com quarenta mulheres devidamente
   maquiadas. Em 13 de Agosto do mesmo ano lançaram o filme Detroit Rock City, que conta
   a história de 4 garotos que farão de tudo para assistir um show do Kiss. Dizem ainda, que
   estão em negociação com a Coca-Cola para produzir um novo refrigerante, o Kiss-Cola.

   Paul Stanley se divide entre o Kiss e as apresentações da peça teatral O Fantasma da
   Ópera, na qual faz o papel principal. Nesse ano, boatos diziam que Ace Frehley
   abandonaria a banda novamente, mas a verdade é que a banda já esta preparando
   terreno para mais uma turnê, a Millenium Concert Events, que está sendo programada
   para a virada do século.

   Enquanto isso, eles marcam participações na WCW, a famosa luta-livre americana,
   lançando um lutador batizado de God Of Thunder, deixam suas marcas na Calçada da
   Fama em Hollywood, recebem discos de platina, participam de campanhas anti-drogas e
   tudo mais.

   Ao todo, são quase 25 anos de carreira, cerca de 31 discos oficiais, 50 singles, além de
   100 discos piratas cadastrados na discografia oficial da banda, que fazem parte da história
   do mito. Este é o Kiss uma banda que sempre defendeu a liberdade, calcados na rebeldia
   saudável da juventude, glorificando a liberdade e a felicidade, além dos temas românticos.

   O Kiss nunca foi elogiado pela crítica, o próprio Gene declarou que a banda não tem
   credibilidade nenhuma. Pink Floyd, Stones e U2 se inspiraram no Kiss para produzir seus
   mega-shows. Mas para Paul e Gene nada disso importa, pois enquanto houverem fãs se
   esgoelando na platéia e tietes dispostas a mostrar os peitos nas primeiras filas, o show
   deve e vai continuar.
 

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