A
Máquina do Tempo
Schyrlei Pinheiro
Entrei na máquina do tempo e viajei ao meu passado.
Procurando sonhos, encontrei no cesto de vime a minha boneca
zarolha.
Neste dia parei, pensei e vi a história mostrar-me como
nascem os espinhos na flor.
Acalentando a boneca, ainda perfeita, procurava entender
a razão do murmúrio dos passos apressados, entre abraços
tão tristes, que iam e vinham, separando crianças como grãos
de feijão; na soleira da porta a tudo observava, abraçada à
boneca, quando me puxaram pela mão. Quebrando o
murmúrio, todos ouviram um grito estridente de dor
dizer não. Assustada, furei os olhos da minha boneca,
correndo em outra direção.
Enquanto exibiam a boneca, falavam que eu estava
louca, ou não tinha um coração, foi quando minha
mãe, chorando, veio em minha direção, abraçando-me, com
seu carinho, pedia paciência e mais compreensão,
explicando que a dor não brotava só dos olhos, mas, também
na alma e no coração.
Tanto tempo passou, a boneca sumiu, mas a tristeza ficou, com
essa lembrança doida que o tempo não apagou e que a vida, na
caminhada me ensinou, que é entre os espinhos que
desabrocha o verdadeiro amor.