Um grito a céu
aberto!
Schyrlei Pinheiro
A covardia nos
espreita, sem hora ou local determinado.
Tantos
projetos elaborados e ninguém faz, ou vê nada,e quem devia
fazer, ou ver, cala-se.A brutalidade brota e corre
solta.completamente livre,no mundo,
acumulando
lixo de crueldade.A palavra mágica, só aparece em época de
eleições.Os vampiros mascaram-se de anjos e a ambição
arregala seus olhos. Finalmente, a céu aberto, um eco cobra
das autoridades, dignidade; mostram, orgulhosos, uma
sub-condição humana, gerenciada pela incapacidade do poder
público. Comícios, aplausos, um show carnavalesco do
sistema abominável, em troca de mais votos.
Chega de demagogia!
Quero o
veto à suja investigação, que só apura, mas, não pune.
Este é um grito, a céu aberto, em prol do cidadão
marginalizado, que vive sem teto, sem emprego, implorando
caridade. Pobre desgraçado, perdeu tudo; não restou-lhe,
sequer, dignidade; pés no chão, roupas rasgadas, corpo
sujo, alma nua, dorme ao léu, sobre noticias de classes
privilegiadas e sonham, sem lenço, sem documentos, sem lar,
sem família, sem pão, e, o pior ,em época de eleições, sem o
titulo de eleitor. Religiosos caridosos, atiram, de longe,
suas moedas, fazendo o sinal da cruz. Políticos, passam
distante, rumo aos salões atapetados, prontos para discursar
nas tribunas o destino das verbas arrecadadas.
Votos? eles
os querem, para vetarem projetos básicos, em prol do sórdido
prazer de afrontar a miséria; a prioridade política é
esvaziar os cofres públicos, deixando de herança as faltas,
sejam de emprego, saúde,moradia e justiça. Afinal de contas,
eles não correm riscos; sabem que sobram paciência, fé e
patriotismo do povo, extremamente patético, que aposta em
sonhos errados, cedendo mordomia à malicia, engolindo,
amordaçado, a lágrima da desonra nacional.
Escutem os
gritos, vindos da sarjeta, e perguntem a si próprios de quem
é a culpa.