Fotografia


Segundo Rilke, somente os animais, as crian�as pequenas, os m�sticos e os amantes v�em o "aberto". O aberto � o espa�o incomensur�vel, atemporal, n�o objetivado. Olhar e f�cil, ver � dif�cil. Olhar � parte de nosso sistema de sobreviv�ncia: uma cadeira � para se sentar, um buraco, para se evitar. O outro � um ser sem mist�rio facilmente catalog�vel. O mundo � um espa�o conhecido e conquistado: tem em cima e tem embaixo, a esquerda e � direita, para frente e para tr�s. Tudo tem uma fun��o e um objetivo, as coisas s�o �teis ou in�teis. Realidades duais. O ver � revolucion�rio, � como n�o haver distin��o entre o observado e o observador, � como se o ser visto se apresentasse pela primeira vez. Um cinzeiro deixa de ser cinzeiro para ser uma poesia latente de significados. Quando voc� v�, o universo come�a sua dan�a de sincronicidade e voc� � o centro pulsante. N�o existe o passo posterior nem o anterior, quando voc� v�, voc� � total, sem tempo, sem mesma identidade. � �xtase.
Em fotografia, esse sentimento � fundamental. A vis�o absoluta do olhar � estampada na fotografia, � revelada na fotografia. Esse instante de eternidade da vis�o � congelado no momento e sempre pulsante.
Essa vis�o � companheira dos fot�grafos geniais. O olhar objetivado � companheiro dos fot�grafos med�ocres
Mario Schenberg foi sem duvida genial, para o f�sico nuclear talvez seja mais f�cil, assim como para o m�stico, ter um insight sobre a realidade, que se transforma e � criada e imaginada a cada momento, percebendo que n�o existe fronteira entre observador e observado, que tudo interage. Isso pulsa nas fotografias de Mario.



"[...] A arte � sempre uma cria��o, deve ser sempre criativa. Existe uma realidade que o artista cria usando como elementos sua vida e sua experi�ncia. A arte � importante porque contribui para a cria��o de uma realidade Mario Schenberg".
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