Geoprocessamento
ESTIAGEM NO PANTANAL DE MATO GROSSO DO SUL: ASPECTOS RELATIVOS �S QUEIMADAS E IMPLICA��ES AMBIENTAIS ASSOCIADAS.
Resumo: Utilizando metodologias desenvolvidas anteriormente, este trabalho tem como prop�sito apresentar procedimentos envolvidos em detec��o, monitoramento, quantifica��o e an�lise de eventos relacionados a ocorr�ncia de fogo acidental na regi�o do Pantanal de Mato Grosso do Sul, a fim de definir e orientar a��es estrat�gicas e conjuntas ao controle e � preven��o, principalmente nas propriedades rurais, no sentido de limitar os preju�zos s�cio-econ�micos e ambientais. A �rea de estudo compreende os munic�pios pertencentes � Bacia do Alto Paraguai no Pantanal de Mato Grosso do Sul, Brasil, destacando a an�lise de ocorr�ncias em Corumb� (64.964,90 km2) e Lad�rio (340,10 km2), que ocupam por��o territorial expressiva na regi�o pantaneira.

Palavras-chave: fogo, detec��o, processamento e monitoramento.


Introdu��o

A pr�tica de queimadas no Brasil � amplamente utilizada para limpeza de �reas agr�colas e manejo de �reas de pastagens. Na regi�o do Pantanal esta pr�tica pode ser observada durante o per�odo de seca que se extende de junho a novembro. Segundo (ABDON et al., 1995), a determina��o do n�mero e extens�o das queimadas, assim como a localiza��o geogr�fica e a distribui��o temporal, s�o necess�rias para v�rios estudos cient�ficos, t�cnicos e administrativos, sendo o sensoriamento remoto orbital, para detec��o de queimadas no Brasil, uma t�cnica adequada, considerando a extens�o territorial do pa�s e a relativa falta de condi��es de controle e fiscaliza��o do uso do fogo.
O desenvolvimento das t�cnicas de monitoramento por �, inquestionavelmente, uma das grandes contribui��es dos sensores remotos nas investiga��es das queimadas e inc�ndios sobre a superf�cie da terra (FERN�NDEZ, 1988 e FERN�NDEZ et al., 1988).  A utiliza��o de imagens de sat�lites no monitoramento de �reas inund�veis, plan�cie de inunda��o, �reas �midas; etc. tem-se constitu�do em uma ferramenta de suma import�ncia dada a grande superf�cie de abrang�ncia, a disponibilidade de informa��o em distintas bandas do espectro eletromagn�tico e da freq��ncia relativamente alta de tomada dessas imagens (FERN�NDEZ, 1988 e FERN�NDEZ et al., 1988). Assim, a utiliza��o efetiva dos recursos satelitais � de fundamental import�ncia em programas de investiga��o, gest�o e opera��o de planos de manejo por parte dos �rg�os de gest�o ambiental.


Material e M�todos:

A metodologia de processamento de dados geogr�ficos baseia-se na proposta do Programa de Preven��o e Controle �s Queimadas e aos Inc�ndios Florestais do Arco do Desflorestamento � PROARCO. Instalado em junho de 2001 no Instituto de Meio Ambiente Pantanal � IMA-P � o monitoramento de focos de calor desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial � INPE � em parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais � IBAMA � foi adotado como instrumento de controle e gerenciamento ambiental. As atividades desenvolvidas no segundo semestre de 2001 suscitaram a ado��o de rotinas de processamento de dados na Divis�o de Banco de Dados Ambiental � DBDA � e tornou-se refer�ncia para a proposi��o do Sistema de Informa��o Geogr�fica Preven��o de Fogo ( SIG Prev-fogo).  SIG � um sistema projetado para armazenar informa��es geogr�ficas, permitindo a manipula��o de um banco de dados e possibilitando an�lise (DIAS, 2000: 7). Entre os produtos derivados obt�m-se relat�rios sobre ocorr�ncia e distribui��o de focos de calor no Mato Grosso do Sul, ao qual s�o associadas informa��es clim�ticas e estat�sticas.
Para a detec��o de focos de calor, utilizam-se imagens orbitais que permitam a identifica��o de pixel � menor unidade de representa��o na imagem � em que estejam registradas altera��es na temperatura da superf�cie rastreadas. O registro em pixels de temperaturas que ultrapassem 47�C acusa a ocorr�ncia de foco de calor. Tais dados s�o processados de forma a integrarem-se ao SIG Prev-Fogo, utilizando-se ferramentas do ARC VIEW, com as quais torna-se poss�vel converter as tabelas originais distribu�dos por IBAMA/INPE em eventos com registro espacial, conservando como atributos correlatos a cada elemento representado cartograficamente: localiza��o, data e hor�rio de registro, munic�pio. Atrav�s do SIG Prev-Fogo � poss�vel articular informa��es provenientes do INPE e/ou do IBAMA � bases cartogr�ficas tem�ticas em ambiente computacional.
Para este estudo foram utilizados dados oriundos de registros em imagens NOAA 12 (noturno) no per�odo agosto/setembro dos anos de 2001 e 2002, divulgados pelo INPE, convertidos para formato shapefile, analisado em rela��o � divis�o territorial, hidrografia e infraestrutura de transportes, e, concluindo, submetidos ao tratamento estat�stico para mensurar porcentagem de ocorr�ncia por munic�pio em rela��o ao Estado, e ocorr�ncia de focos de calor em rela��o � �rea municipal.

Resultados e discuss�es

Segundo a imprensa local, em 1999 foram registrados 12.369 focos de calor no Estado de Mato Grosso do Sul, por�m em 2000 foram 3.132 focos de calor. Em 2001 foram registrados 6.082 focos de queimadas sendo 60% das ocorr�ncias na regi�o de Corumb�, sendo o m�s de agosto o de maior n�mero de inc�ndios, com 2.449 casos, segundo monitoramento do IBAMA, sendo os munic�pios de Corumb� e de Lad�rio, no Estado de Mato Grosso do sul, com maior n�mero de ocorr�ncias. Nos primeiros vinte dias de agosto de 2002, Corumb� registrou 703 focos de calor. Corumb�, que representa aproximadamente 18.5% da �rea do Estado, � o munic�pio pantaneiro que lidera o ranking das queimadas, com 293 focos de calor, segundo o IBAMA, registrados apenas no m�s de julho de 2002,  ou seja, no in�cio do per�odo de estiagem.
Todos os anos as queimadas prejudicam a popula��o, principalmente dos munic�pios de Corumb� e Lad�rio e causam s�rios preju�zos ambientais, sociais e econ�micos. Com a falta de chuvas na regi�o, o ar fica pesado, a visibilidade diminui causando transtornos para quem depende do transporte a�reo para sair da cidade. Nas fazendas pr�ximas �s cidades de Corumb� e Lad�rio os focos de inc�ndios reaparecem com for�a total e os motoristas enfrentam dificuldades para dirigir na BR 262, uma vez que a fuma�a invade a pista aumentando o risco de acidentes. Concomitantemente, a baixa umidade do ar provoca danos � sa�de da popula��o, bem como preju�zos ambientais. Alem das part�culas e aeross�is, as queimadas, segundo SOUZA (1992), emitem para a atmosfera uma grande quantidade de gases, dentre eles o di�xido de carbono (CO2) e o mon�xido de carbono (CO). A emiss�o destes gases, sob a a��o do ultravioleta, pode produzir grande quantidade de oz�nio (O3) troposf�rico, o qual alem de t�xico, em altas concentra��es, traz s�rios danos aos ecossistemas. Segundo CORR�A (1999), as queimadas, al�m de espantar o turismo devido � altera��o da paisagem do Pantanal, atingem o rebanho de bovinos da regi�o. Em alguns casos, o gado fica do lado de fora da cerca, pois o pasto se encontra em chamas.
A an�lise estat�stica do registro de focos de calor facilita o dimensionamento de tais implica��es. No per�odo agosto/setembro de 2001, no munic�pio de Corumb�, foram registrados cerca de 67% dos focos de calor que ocorreram no Estado, e, no mesmo per�odo em 2002 foram registrados cerca de 35% dos focos de calor em rela��o ao Estado, em Lad�rio, que representa cerca de 0.1% da �rea do Estado, o registro manteve-se entre 0.2 e 0.27% entre os anos de 2001 e 2002, no mesmo per�odo. De fato, observa-se que no Estado o registro de focos de calor revela que entre agosto e setembro de 2001 ocorreram entre 0,0070 focos de calor por km2 (fc/km2) e 0,0098 fc/km2, enquanto que entre agosto e setembro de 2002 ocorreram entre 0,0039 fc/km2 e 0,0053 fc/km2, o que indica um crescimento esperado de ocorr�ncias, estas relacionadas �s condi��es clim�ticas de menor umidade do ar e temperaturas mais elevadas.

Conclus�es

O Estado de Mato Grosso do Sul, durante a �poca de estiagem, est� entre aqueles onde h� mais focos de calor. No Pantanal, as queimadas v�m intensificando a cada ano, levando � deple��o dos recursos naturais e comprometendo a sa�de da popula��o. A vegeta��o nativa e a fauna silvestre tamb�m  vem sofrendo com a pr�tica das queimadas. Levantamentos a�reos (MOUR�O et al., 2000) efetuados para contagens de �reas de fauna silvestre realizadas de 1991 a 1993, para monitorar mudan�as induzidas pelo homem na cobertura vegetal do Pantanal, apontaram que as queimadas ocorreram em uma �rea de cerca de 3.000 km2 em 1991 e 1992 (precipita��o de janeiro a setembro foi menor que 850 mm), mas a �rea queimada no ano mais seco de 1993 (precipita��o de janeiro a setembro foi igual a 493 mm) foi cerca de tr�s vezes maior.


Refer�ncias bibliogr�ficas
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SOUZA, A. de. Afilia��o UFMS. Coordenadoria de Pesquisa da Pro-reitoria de Pesquisa e Pos-graduacao (Campo Grande, MS). T�tulo Workshop - "queimadas no centro-oeste". Ano de Publica��o 1992 Fonte Campo Grande: UFMS / Sao Jose dos Campos: INPE, 1992. P�ginas 64p.
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