Geografia e Gestão Ambiental
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LEVANTAMENTO DE MEDIDAS SANITÁRIAS ADOTADAS PELA POPULAÇÃO DO JARDIM CAMPO VERDE REGIÃO NORTE DE CAMPO GRANDE / MS


Visando abordar e analisar a área do Jardim Campo Verde, bairro da cidade de Campo Grande/MS, destacamos do processo de urbanização dois aspectos: renda e evolução sanitária. Estes, submetidos às variáveis formalidade e informalidade, quanto à intervenção antrópica, concretizam-se em um espaço pleno de contradições, ou seja, em uma cidade marcada por desigualdades econômicas e culturais, fragmentada em regiões que delineiam pontos antagônicos. O Jardim Campo Verde, situado na região Norte da cidade, possui 174 casas, com habitações de 45m2 em média. A população residente, devido à baixa renda, compôs um aglomerado habitacional insalubre. O processo de assentamento desencadeado nesse bairro, realizado em 1987 pela SEHAF (Secretaria Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários), oculta as formas de ocupação da área, iniciada em 1970, e o fluxo de moradores das áreas de entorno, bem como a invasão das áreas verdes limítrofes. Após visitas, observações, aplicação de questionários, realização de entrevistas e análise dos dados coletados, confrontados com informações teóricas, tornou-se possível identificar as relações entre perfil sócio-econômico dos moradores e a adoção de medidas sanitárias adequadas às condições de vida da referida população. Para regularizar o assentamento, a SEHAF atendeu aos requisitos urbanos da Lie n.º 6766 de 1979, dotando a área de 134 lotes com aproximadamente 200m2 cada, equipamentos urbanos para fornecimento de água e energia, vias de circulação, áreas verdades, entre outros. Em suas imediações estão instalados um posto de saúde uma escola pública. A implantação de tais recursos delimita a atuação dos órgãos públicos, e contribui para a valorização imobiliária da região. Aos moradores cabe a gestão do próprio ambiente e das condições da reprodução social. A reprodução social da população em questão é dificultada devido a baixa renda, insuficiente para atender às necessidades da família (4,8 hab./lote), comprometendo a promoção do bem estar, considerando-se que a maior parte da renda é destinada à alimentação. A habitação recebe poucos investimentos, estes, quando realizados visam ampliar a área construída, sendo secundário o acabamento da obra; também a geração de renda futura está comprometida, pois a baixa escolaridade da população é um dos indicativos que restringe a participação no mercado de trabalho formal. A intrínseca relação entre renda e qualidade de vida é verificada na adoção de medidas sanitárias alternativas, tais como armazenamento de água em tambores ou caixas d'água sem distribuição, mangueiras para extensão do cavalete, canalização das águas servidas (em sulcos ou dutos) para fora da propriedade, deposição dos resíduos orgânicos nos limites do bairro. A adoção de tais práticas é justificada pelos moradores como meio de contornar a irregularidade do abastecimento de água, a falta de equipamentos para distribuição e armazenamento de água potável, aliada à dificuldade de custear a implantação de equipamentos hidráulicos e sanitários condizentes com os padrões de higiene. A convivência com o acúmulo de lixo e esgoto a céu aberto, que caracterizam a insalubridade local, é também um dilema coletivo. A invasão das áreas verdes restringiu os espaços do uso coletivo às vias de circulação, que se encontram um estado precário, sendo um dado relevante pois dificulta propostas de desenvolvimento organizado. A pesquisa realizada, pela extensão e profundidade dos dados, tornou-se um instrumento de questionamento, desencadeando novos debates em torno da problemática urbana. Apesar de caracterizando a área do Jardim Campo Verde, percebemos que a mesma está inserida em uma região com a qual guarda amplas semelhanças, pois trata-se de um segmento excluído pelos moldes capitalistas da dinâmica urbana.

Márcia SAMÚDIO, Mauro Pereira dos SANTOS & Simone BORBA /
Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal - UNIDERP.

Publicado em I Encontro de Pesquisa e Iniciação Científica da UNIDERP - Anais (1997 - 1998) Campo Grande/MS (1998).
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