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segunda-feira, 2 de setembro de 2002
O novo blog é
pulmaocabeludo.blogspt.com
Para os que não me conhecem, recomendo do fundo de pulmão, muita a
leitura dos arquivos, onde serão encontradas verdadeiras perolas.
enviado por pumaocabeludo ás 03:06:00
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quarta-feira, 31 de julho de 2002
Não dá mais para usar este
provedor.
Meu novo blog é:
pulmaocabeludo.blogspot.com
enviado por pumaocabeludo ás 16:17:00
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O meu novo endereço é:
pulmaocabeludo.blogspot.com enviado por pumaocabeludo ás 16:10:00
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domingo, 14 de julho de 2002
Paraíba masculina.
Mulher-macho sinsinhô. enviado por pumaocabeludo ás 19:04:00
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Eu vou te fazer mulher.
enviado por pumaocabeludo ás 19:01:00
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sábado, 13 de julho de 2002
Colorina
A
colorina colori. Colori Colorina. Colori.
A colorina usa
porpurina. E serpenteia, e serpentina. Eta colorina que colori a
menina. Eu coloro, tu coloris, ela colorina.
E uivando, vai
ruivando Faz piu piu a cotovia, Vermelho fogo, vermelho ia
Dorme some colorina Em seu sonho coloruiva.
enviado por pumaocabeludo ás 17:39:00
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Batidinha
Sei que
depois de escrever bêbado e drogado deveria sentir-me um tanto
envorgonhado perante mim mesmo. Mas, se atravessei um mar de lama e bosta
até chegar aqui, não posso de maneira nenhuma sentir o mínimo
arrependimento. Se a mente é apenas um epifenômeno da matária ( concepção
rídicula diga-se de passagem) então eu sou apenas um coelho peludo. E não
um pulmão.
Seguindo esta ordem de raciocínio e tirando o caldo
grosso das adjetivações vazias, resta-nos aquilo que sem dúvida é bom: o
amor.
Se encontramos explicações diversas para o amor é porque sem
dúvida se trata de algo lindo e maravilhoso. Mas o pior tipo de gente
é aquela gentinha que sai por aí fingindo disseminar amor, mas que, no
fundo, só quer salvar o próprio rabo.
E por falar em rabo, faz
tempo que não se come uma rabada. Deve-se reunir a galera qualquer dia
para comermos uma boa rabada, regada a cervejinha gelada. Pode chamar o
Carlin, O Jão, e Juarez. E não se esqueçam do Ciquera.
Adiosamicamente
Pulmão enviado por pumaocabeludo ás 17:28:00
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sexta-feira, 12 de julho de 2002
Mandamos Ó.
Ó.
mandamos ó.
Ó.
Ó
Ó do Boró.
Ó.
enviado por pumaocabeludo ás 03:55:00
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O negócio é a blogger. A Blogger
é americana, e os americanos fazem, em matéria de produtos e produção tudo
melhor, com mais qualidade.
E quem se importa a qualidade.
Que qualidade?
A qualidade do produto.
Você já
comprou um microondas que em três dias ele estragou?
Quem ´já teve
sabe. É foda.
E quem não teve. A quem não teve. Mandamos uma
caveirinhas. Mandamos à merda e mandamos um beijo. Assim, temos opções
suficientes.
Dá vontade de socar a tela deste computador.
Opções.
Quantas opções eu tenho. Tenho eu?
Jusuita execravel. Corre sangue jesuita em suas veias. Só que
em sentido contrário.
C r i s t
o
A m i g o
d a
g a]
r o t a d a
d a
o
c
u
e
n a o
c o b r a
na da .
Nada?
Nasa?
Nada?
Tudo é nada.
E conceitos abstratos demais não
fazem a cabeça.
E maconha?
maconha faz a cabeça.
Faz a cabeça.
Constroi.
Transtroi.
É.
enviado por pumaocabeludo ás 03:45:00
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Meu Deus do Cielo?
Onde
estou? Que mundo é este. Que lugar Deus enojou ninguém? Ainda assim
proponho-me adeus a todos aqueles que não tiverem a mínima confiança em
mim. Porque eu, Pulmão de fato existo.
E habito em carne e osso
etc algum lugar do mundo. Não interessando que este lugar no mundo, seja
um mundo meu, próprio, com muito de emprestimo. Entrevida.
Mas
quem sou eu?
A quem isso importa?
... a mim?
Só?
Então já que é assim.
É assim.
E açado?
Porque você é tão besta e escreve
coisas assim?
Sempre "assim"?
Como assim?
Destesto essa palavra: assim.
Tão assim.
Assim.
Muito assim.
Pequeninim?
Diminuim?
Foda-se o nada.
Foda-se o espaço!
Sideral?
Foda-se a
indagação.
Foda-se tudo.
-
Tudo é água. - Disse Parmenedes num dia de Sol dourado.
Mentira
que disse foi Heráclito.
Mentira, quem disse Tales. O número um da
lista. O pai.
Pai.
- Não fala em pai que eu
arrepio.
Esquizofrenia.
Animalis.
Então
que vá por aí.
E a moça.
Que moça.
Casada?
Não. Aquela. Digo, aquela. Aquela lá.
Agora entendi. (Ironia?)
Ou espuma verdejante.
Verdemuco. E foda-se. Me limitei demais.
Lilmitado.
Ilimitado.
ou tudo. ou nada. ]
enviado por pumaocabeludo ás 03:34:00
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domingo, 7 de julho de 2002
Hoje é dia das virgens
enviado por pumaocabeludo ás 20:28:00
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O que sobrou de mim
Gritaram-me que devo transformar em palavras dor e desespero. Já
que é assim, assim faço. Primeiro jogo uma palavra num liquificador. Não
apenas uma, mas várias. Muitas mesmo. Depois de batidas até a
cremosidade, vou à cozinha, pegar na estante, neste instante, junto às
louças, a minha amada seringa. Pronto! Injeto as palavras batidas no
dedão esquerdo do pé, segundo afirmaram meus médicos: - É a forma mais
higiênica. Mas não estamos muito preocupados com isso, pois a
depressão é o que gera problemas nos depressivos. E um creme de
palavras, de cor amarronzada, não é dieta ideal para os que melancólicos.
Recomendo caipirinha. Recomendo muita coisa.
Ontem capei muito
gado, arranquei o saco de vários, e isso me machucou muito, me deu dor de
cabeça.
Você esconde alguma coisa de mim? Diz aí. Você
esconde? Sempre tive a impressão que as pessoas escondem coisas de
mim. E muitas vezes já descobri algumas coisas escondidas. O pior é
que essas coisas que eles escondem me faz pensar que elas escondem por
dois motivos. Primeiro: elas supõem que eu não agüentaria o baque.
Segundo: elas não querem me magoar. - Porque você é gordo? Porque você
é burro?
Tem várias coisas que não quero lembrar. Que não quero
que me lembrem. Pois ao lembrar, semi-vivemos como uma semi-realidade, uma
meia dor.
As tribos, de muitos povos, possuem o costume de marcar
a lei no corpo. Para isso, dispõe, conforme o gosto e temperamento, de
vários métodos, desde da pedra lascada rasgando pele até chegar na carne,
até fogo queimando fazendo cheiro de churrasco podre.
Gostaria de
ficar fazendo tipo. Mas não consigo muito. Portanto, deito e fico a
prestar a atenção em meu estômago.
Comprei hoje Maracujina. O
tempo é muito rápido. A maracujina me fará calmo. E ficarei tranqüilo e
feliz. Louvemos a Maracujina. Mas ainda não tomei a maracujina. Tô com
um certo medo de tomá-la. Sei lá, vai que fico calmo demais, passo do
limite. Mas agora me deu vontade. Acho que vai me fazer bem.
enviado por pumaocabeludo ás 20:02:00
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Não me restou nada nada. Não
quero muita coisa não. Mas não consigo sequer escrever. E por isso acho
melhor não escrever. Só consigo ler. E olha lá. enviado por pumaocabeludo ás 02:48:00
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terça-feira, 25 de junho de 2002
Cláudia
No verão
de fevereiro resolvi passar uma temporada em minha cidade Natal. Senti
grande alegria quando encontrei meus pais. Bebemos, conversamos, jogamos
cartas e assistimos televisão. Nas noites, saía com meus amigos para
beber, se divertir e agarrar a mulherada. Era jovem na época e a vida
ainda tinha as cores vivas. Numas destas noites encontrei uma moça,
prima distante de um amigo, belíssima, que me produziu um enorme fascínio.
Busquei aproximar-me. Nos bares sentava, com pretensa naturalidade, ao seu
lado, deitando-lhe sobre ela olhos gulosos. Nossas conversas alongavam-se
durante horas, acalorando na medida do esvaziar dos nossos copos.
Falávamos sobre sonhos, desejos e sobre as coisas boas da vida, às vezes
ríamos em torrencialmente. Encontrei nela um espelho mágico, onde estava
refletido meu lado mulher, o lado que me faltava. Lembro-me como se fosse
hoje daqueles lindos olhos castanhos, do perfume que emanava de seu corpo,
da voz que acariciava meus tímpanos, da bunda que me matava de desejo.
No entanto, não digo fui para céu. Passei a ter ciúme antecipado,
tornei-me razoavelmente agressivo com todo macho que se aproximava dela,
mesmo meus amigos eram alvos de ataques. Tentava denegrir as suas imagens
para minha amada. Ás vezes, zoava com os pontos fracos de meus amigos na
cara dela, tentando rebaixá-los. Gesto grotesco! Envergonho-me
confidenciar semelhante comportamento! Mais digno de um rato! Mas, repito,
foi o que fiz. E após algumas semanas estava com ela. Era meio
molecão, enquanto ela, se bem que um ano mais nova, com os seus vinte e
um, já era dona de extremo bom gosto de uma sensibilidade estética
extremamente apurada. Eu não. Não sabia sequer olhar direito para
o mundo, como se não fosse eu quem controlasse meus próprios olhos, mas
sim uma criança viciada em vídeo-game. Mas eu tinha um certo encanto, um
suspiro profundo, uma beleza especial na forma reverenciar algumas
músicas. Além de que, era possuidor de uma imaginação poderosa, capaz de
deslumbrar-me e encantar-me com meus próprios pensamentos. E suponho que
ela apreciasse minha postura de homem inteligente, minhas feições bem
talhadas, meu corpo varonil, com um ar de arrogância sem causa específica,
apesar dos olhos de menino. Que meus olhos eram de menino e minha
postura de homem formado, não se espanta. Penso ser a desfragmentação
temporal da alma algo evidente para aqueles que dominam a arte de ler as
expressões dos homens, não merecendo, assim, maiores justificativas. Ao
leitor mais desconfiado, peço apenas que examine sua consciência e
encontrará nela, sem muito esforço, lembranças de desejos e comportamentos
infantis. Começamos, por um livre acordo dos olhares, o que se poderia
denominar de namoro, não fosse a breguice do termo. Levava-a para passear
nos arredores de minha cidade e transávamos na relva. Sobre o grau de
felicidade que tive ao lado de Cláudia Cristiani, só não digo impossível
de exprimir por palavras para não me passar por escritor incapaz. Sentia,
deitado nas quebradas onde a levava, uma felicidade tamanha, um calor no
peito, que acabava arrastando consigo, uma cândida tristeza. Uma
melancolia antecipada, algo como dó de meu destino, destino de mortal,
impossibilitado de viver eternamente aquele sentimento tão maravilhoso.
enviado por pumaocabeludo ás 21:15:00
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quarta-feira, 19 de junho de 2002
Pré-socráticos Estou
lendo os pré-socráticos. Estou maravilhado. Embasbacado. É uma delícia
para a imaginação. Discutir conceitos como o ser, o não-ser, o vir a ser,
a unidade, a pluralidade, a essência, limitado, o determinado, o
indeterminado, o número e outros mais causa um barato pesado, semelhante
ou mais fortes que as drogas mais potentes.
enviado por pumaocabeludo ás 04:21:47
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enviado por pumaocabeludo ás 04:16:15
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Gorda s.f Uma mulher que
prefere comer a ser comida. - Péssimo! Machista! - Concordo. Mas
não retiro. Nem muito menos ponho. enviado por pumaocabeludo ás 04:04:39
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Vao ver o céu
Convido o leitor a parar aqui a leitura, levantar-se e olhar o
céu. Antes quero que se lembre que estarei ao seu lado, sem adjetivos nem
retórica, mas estarei ao seu lado. Pode crê. Bom, até breve, vamo lá.
Nesse momento minha alma realmente vai lá. ( Nesse ponto, vou
aproveitar que o leitor foi ver o céu e vou escrever para mim. É minha
companhia que segreda o instinto materno. Como um bálsamo dourado que se
infiltra em minha pele, para queimar o horizonte com flechas que ainda
vibram sobre o infinito de nosos ouvido, o mesmo que nos levou à morte
naquela tarde de terça feira quando você disse mais do que podia dizer,
disse porque o Instante é seu único Deus, única morte. O único renascer.
Recicla-se o instante a todo instante. A alma apenas dilata como um
balão, e como um balão tende a explodir vazando o ar que é o nada, nossa
única essência, um nada bem rarefeito, um nada energético, que brinca com
outros nadas semelhantes. E assim cuspo nadas nesse nada que é mundo.
Sou vazio, vazio, vazio. Muito vazio mesmo. Quero chorar lágrimas de
soluço como um bode que foge pelo espaço angustiante de tormento que sofre
com a secura do ar e o descolorido da aparência. Quero a morte, mas
morte não vem. Resta-me chorar como um coelho. E dizer que não sou gay. O
que mais resta-me? O que? Meu Deus! Mas não acredito nem em Deus, esse
espaço-porto de corações angustiados. - Mas Deus é uma criação sua.
- O que? Até parece, Deus é uma criação universal que diz respeito a
todos, pois todos participam de sua parte participável. E participar de
Deus é o maior barato. Dá para fazer um monte de coisa com Deus, rolar
dentro de sua barriga, dar piruetas ao contrário. Dá até para chutar seu
estômago e beijá-lo por dentro! - E vomitar? - Vomitar não, não
dá, até hoje ninguém nunca conseguiu, apesar de muito ter se tentado.
- Nossa! Porra, é foda mesmo. Então a coisa tá assim? - É..Tá
assim. - Tô vendo que só nos resta fumar... - Pode crê - Mas
quem sou eu e quem é você? - Sei lá, já me confundi inteiro. Acho que
eu não sei não. Tô começando a pensar que eu só existo porque você
existe...Será que faz algum sentido. - Sei lá...não sei...mas que dá
essa impressão, ah, isso dá. Disso tenho certeza. - E se agente for
dois personagens inventados por um tal de Sávio. - Sávio, como assim?
Sávio...Donde você tirou isso? - Sei lá, eu comecei a falar e de
repente escapoliu pela minha boca Sávio. O que eu queria era ter falado
escritor. Mas falei Sávio. Esquisito. E se foi ele que quis assim. E se
ele existir de verdade? - Vamo parar com essa estória, agente fumô um,
e pode entrar em paranóia. Noia errada, sacô? E tem mais, não vê que é
meio assustador viver com a plena convicção que nada é verdade, que nada é
verdadeiro? Mas o fato é que esse papo de ser uma personagem de ficção de
algum escritor já mais batido que carro de histérica. - Calma aí,
agora você tá sendo preconceituoso demais. Nem todas as histéricas dirigem
mal. Mas isso não importa. Esquece! O mundo não é feito da mesma matéria
que é feita os sonhos. - De fato, mas de uma matéria semelhante. -
O mundo só é como é porque acreditamos todos juntos que ele seja assim. Se
lembra daquela frase do Raul, que ele diz algo como “Sonho que se sonha
junto é realidade.” - É subjetivo demais, mas tudo é subjetivo, tudo
pelo subjetivo. Afinal o subjetivo é uma espécie de filtro, e o que nos
separa da realidade nada mais é que uma membrana úimida. Lembrei neste
instante de um amigo meu, o Negão, acho que é dele essa frase. E ele não
só falava, como também via a membrana úmida. - Sonhar, sonhar, sonhar.
Tudo é sonho. Vomitamos sonhos, queremos sonhos, queremos sonhar. Acho que
é tudo o que queremos: sonhar. Mas espera aí? Onde quero chegar desta
forma desordenada de se expor as coisas. Como levar a cabo a contradição
humana e levá-la ao fundo do poço. Agora é sério. Agora é sério mesmo.
Às vezes eu fico bem puto. Eu tô aqui, escrevendo, me divertindo e,
enquanto isso, em vários lugares do mundo, as pessoas estão se matando, ou
estão vendendo coca-cola. Estão vendendo e estão comprando. Vendendo e
comprando. E trabalhando é lógico, só para comprar e fazer o capricho de
suas mulheres. Coroar as pavoas com diamantes, pérolas e veludo. Só para
no fim:
Metê a rola!
Aí eu me pergunto: Isso é vida!? Me
falem se isso é vida?! Algo como meter a rola.
enviado por pumaocabeludo ás 04:02:27
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A Mãe Gostosa
Um
dia, flutuando pelo universo, Buda Cósmico, chique e bitelo, encontrou a
Mãe Gostosa e disse assim: “ Você não é minha mãe.” “São seus
olhos, cegos a Verdade, que não podem enxergar o fogo de minha boceta,
bela e criadora. As estrelas peidam energia, meu filho, e o céu um dia
foi roxo. ” Eu sou a mãe, a Mãe Gostosa”
Buda Cósmico
Escolhido
No tempo em que o tempo que está para frente se
cruza com o tempo que está para trás Buda Cósmico era irmão de seu irmão.
Mas a Mãe Gostosa teve que escolher um dos dois para viver Pois
Deus* mandou que, dentre os dois escolhesse um E ela escolheu Buda
Cósmico
* Antes de se viciar em Crack
Alguns extratos
perdidos na França foram encontrados. Neles, algumas palavras estavam
impressas. Estas palavras eram apenas palavras, porém palavras do guru do
Buda Cósmico. “ As pessoas acham que compram e, comprando, acham que
tem” “ Ninguém possui nada. Ninguém é dono de nada. Ninguém é senhor
de si mesmo.” “ Ser senhor de si mesmo é ser escravo de si mesmo”
“ Sejamos, pois, amigo de si mesmos”
enviado por pumaocabeludo ás 03:58:13
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domingo, 16 de junho de 2002
Legumes parte 5: Mauro
Saí às ruas, andando pela calçada, olhando para o chão. Estava
contemplativo e sonolento. Tinha coisas a serem feitas e, portanto,
deveria fazê-las. Sim, deveria fazer minhas coisas. Acabara de comer meus
legumes e agora andava pelas ruas. Onde estava indo? Estava indo, como já
era de se esperar, atrás do SISTEMA. É muito complicado explicar, afinal,
a vida é muito complicada. Como aquele velho dono e gordo, com sua
mercearia, era dono do SISTEMA? Não sei. O que sei é que era muito óbvio
isso. Ele, aquele velho careca e de nariz gordo, com sua testa sempre
cheia de gotículas de suor, aquele velho deixava, invariavelmente, essa
verdade transparecer, aquele velho que olhava para mim e via apenas meu
bolso. De fato, eu não fazia questão nenhuma de sua amizade. Por que
alguém haveria de querer amizade com alguém como ele? Também ele, penso
eu, não queria a amizade de ninguém – quanto a isso, ele nem ao menos
disfarçava. Sem dúvida ele estava bem, muito bem com seu SISTEMA. Ninguém,
nem mesmo eu, poderia perturbá-lo. Aliás, perturbá-lo era algo perigoso. O
velho podia, sem sombra de dúvida, se matar pelo seu SISTEMA. Assim
fui andando, andando e investigando as possibilidades do velho desconfiar
de mim, da verdade que eu sabia sobre ele. Via nas ruas alguns automóveis
passando com gente dentro deles. Desde o tempo de eu pequeno, vejo
automóveis passando pela rua com gente dentro. A rua é dos automóveis, mas
a calçada é para aqueles não estão em automóveis. Aqueles que andam na rua
correm certos riscos de serem atropelados. Mas, em algumas ruas,
passam poucos automóveis, por exemplo, a rua que neste momento vejo, onde
crianças que não fazem a menor noção da realidade se divertem com uma
esfera. Eu vejo as crianças, e ando. É bem verdade que se eu quisesse
poderia parar. E permanecer parado, aqui na calçada, com o sol a esquentar
minha cabeça. Mas, com certeza, alguma hora eu voltaria a andar: alguma
hora iria acabar sentindo vontade de liberar alguns excrementos. Os que me
conhecem sabem que consigo segurar o excremento durante enormes períodos
de tempo. Mas verdade seja dita: não conseguiria segurar meus excrementos
eternamente. Por essas e outras e outras razões, no momento em que eu
estivesse prestes a explodir, teria que correr até algum lugar seguro onde
eu pudesse soltar excrementos, digamos, uma privada, de preferência
desinfetada. Mas não é novidade que eu poderia, a despeito do livre
arbítrio, soltar os meus excrementos ali mesmo, no meio daquela rua onde
estava, em frente as casas. Não faço coisas do tipo, É inconveniente. As
crianças, os pais das crianças e as pessoas que não tem crianças talvez
não gostassem de me ver pelado, de cócoras, soltando excrementos no meio
da cidade. Pelo contrário, sei muito bem que eles gostam de ver a cidade
sempre bem limpinha. Poderia, então, quem sabe, não tirar minha veste e,
de roupa mesmo, sem o menor medo, dar uma boa cagada dentro nos panos que
reveste meu furo excretor. Por meio deste ardil, não cagaria na cidade.
Cagaria no pano que comprei com meu próprio bolso. Se fizesse isso não
haveria maiores problemas: o maior problema não é excretar na cidade. Mas
o maior problema mesmo é ficar pelado. Só na televisão e nas revistas é
que se pode ficar sem roupa na frente dos outros sem chocar a
sensibilidade moral. Como sou perspicaz, venho notando que, além disso,
existem certos critérios para apresentar, nestes meios de expressão,
partes mais reservadas do corpo: a bunda, o pipi, e a vagina e os peitos -
eles devem ser belos e graciosos, o corpo deve ser malhado e o nariz,
venho notando, deve ser bonito. O meu nariz não é muito bonito não. Para
dizer a verdade, a vagina aparece muito pouco na televisão. O pipi menos
ainda. O que mais aparece são bundas bronzeadas e muito peito redondosos.
Quando assisto estas cenas em que aparecem tais partes do corpo acontece
que meu pipi se dilata. Quando isto acontece, sinto irradiar dele uma
sensação gostosa. Depois de um tempo ele murcha outra vez. Mas se, antes
de murchar, eu friccioná-lo de uma maneira adequada, sai dele uma outra
espécie de excremento. E este é muito útil e especial, pois gera bebês
quando depositado dentro da barriga de uma mulher, através de um furo que
elas tem entre as virilhas, conhecido vulgarmente pelos pedreiros como
bucetinha. Mas que estou pensando isso! Isso não tem a menor
importância! Preciso andar e andar, pois como já disse, não posso ficar
aqui parado apenas olhando o céu. Vendo esse mundo colorido que me cerca
por todos os lados. A realidade (meu pai me ensinou quando criança) é
colorida. “Meu filho, a realidade é colorida”. Mas tempos depois, com o
advento de minha maturidade, passei a questionar os ensinamentos de meu
pai. Oras, o cego não consegue ver que o mundo é colorido. Isto é fato.
Assim como é fato que não sou cego. E por ser um fato eu extraio a
certeza. Sei que devo andar com meus pés, que estão cobertos pelos
meus tênis, com o intuito de não machucá-los, bem como para amortecer o
impacto. Um dos resultados disso é que não sei ao certo a temperatura do
asfalto. Apenas faço uma vaga suposição baseada em um punhado de
conhecimentos geográficos, e inferindo através do calor que está no ar que
toca minha pele. Está um dia quente. Qualificar de quente um dia, não é
muito correto. Pois o conceito de dia é conceito abstrato, ninguém nunca
martelou um dia. Então mudo: minha cidade é sempre muito quente. Por isso,
muitas pessoas aqui da minha cidade ficam suadas. Cada pessoa - como já
pude bem reparar - sua mais em uma determinada região do corpo. Eu suo
muito nas costas. Às vezes suor é tanto que molha a camisa, soltando no ar
o cheiro de suor. Quem fica perto de mim, respira o ar que está perto de
mim, e inevitavelmente acaba por sentir o cheiro de meu suor. Andei
até chegar na casa do Mauro. Assim que estava em frente do muro de sua
casa, pensei imediatamente em escalá-lo e pulá-lo, pois não estava me
sentindo bem em ficar do lado de fora. Mas acabei concluindo que era
melhor apertar a campanhia. Apertei, não com muita força, pois a força de
nada influência o volume da campahia. Mauro apareceu. Olhou para mim,
reconheceu-me mas não mudou em nada sua expressão. Mauro não mudava muito
de expressão. Só mudava quando começava a falar. Mauro me chamou para
entrar. Não dei muita importância para isso. Já sabia que ele ia me chamar
para entrar. Por isso entrei fingindo que não o havia escutado. Olhava
para o chão, às vezes olhava para o lado. Então, neste momento em que
olhava para o lado, vi alguma coisa: um violão a um canto. Passei a olhar
para ele. Sorte que havia ele para olhar, pois não passava pelo ridículo
de ficar olhando para o nada. Sentei no seu sofá, no melhor da sala.
Ele sentou no outro. Um detalhe curioso foi que ele se sentou depois de
mim. Mauro então esticou os braços de forma a abraçar o sofá. Ele queria
me indicar que estava relaxado, mas como estava descalço, percebi que seus
dedos do pé, principalmente o dedão direito, estavam dobrados, sinalizando
sua provável ansiedade. Sim, estava ansioso por algo. Não Mauro, mas seu
dedão. Eta dedão ansioso só! Mauro era o tipo de pessoa que não mandava no
seu corpo. Não tinha muita noção de sua corporeidade, parecia que cada
parte do seu corpo tinha vida própria, uma sinfonia formada por autistas,
tendo apenas uma pequena relação e acordo de uma parte com a outra. Mas já
estava acostumado com meu amigo Mauro, o mesmo que começou a falar comigo
agora, dizendo num tom espectral que tinha uns trabalhos para fazer. Logo
em seguida passou a falar, num tom enfático e grave, que estava fudido,
que o nabo estava entrando. Mauro gostava expressar a quem quer que fosse,
que tinha muita coisa para fazer. E o pior era que era verdade, Mauro de
fato tinha muitas coisas para fazer. Assim como eu. Mauro começou
então a apertar o estofo do sofá com a mão que não estava apoiada no
encosto. Não sei porque ele apertava o encosto com suas mãos, a motivação
subjacente a tal ato escapava de meu magnífico poder teórico. Talvez fosse
apenas algum atavismo ou algum hábito que desenvolveu ao longo de sua
vida. Ou ainda indício de homossexualismo - apertando o sofá como se fosse
uma bunda de um homem. Mas a boca e a língua de Mauro gostava de mulher,
talvez apenas sua mão fosse homossexual e gostasse de pegar “aquilo”, nem
que fosse o seu próprio. Vai entender! Então Mauro começou a me dizer
coisas que ele julgava (não sei com que critérios) muito interessantes. E
eu, confesso, eu também julguei interessante (não os critérios pelos quais
assim julguei, talvez por ter me gerado uma sensação irracional na qual
interpretava como interessante). E assim, escutei com interesse, deixando
de bom grado meus tímpanos vibrarem ao deslocamento de ar. Mas pouco tempo
depois, Mauro começou a se entusiasmar muito, até que ficou eufórico. Seu
discurso tornou-se tomou uma forma bagunçada, sem muita lógica. Apesar da
falta de coerência e de clareza, ele foi se empolgando cada vez mais. De
repente já estava fazendo o que ele sempre fazia quando dizia coisas
interessantes. Seus olhos ficavam bem abertos. Seu corpo se inclinava para
frente em minha direção. Seus braços ficavam se mexendo muito, abrindo e
fechando, ao modo dos italianos. A cada palavra, sua voz aumentava o
volume, provavelmente para que os seus próprios ouvidos se deliciassem com
a sua própria voz. Assim, ele, provavelmente impressionado com sua
capacidade em dizer coisas tão interessantes, já estava quase louco, só
faltava babar. Absolutamente sem querer, ele gritava mais do que falava.
Acho que ele até se esqueceu de mim. Já não sabia mais com quem estava
falando, tamanha sua empolgação. Sua cara era de puro êxtase. Nessas horas
eu não sabia que cara eu devia fazer. Não conseguia fazer uma cara de
maravilhamento que correspondesse ao tom exultante de seu discurso
caótico. Como fazer uma expressão facial proporcional àquelas coisas tão
grandiosas que ele dizia? Por não conseguir fazer a cara certa resolvi ir
embora, dando como desculpa que estava cansado, que tinha trabalhado o dia
inteiro, e ainda tinha uns trabalhos para fazer. Bem que gostaria de fazer
uma cara de um santo que, após jejuar anos, vê as nuvens do céu se abrindo
para surgir diante de si uma enorme face Deus, que vagarosamente mexe a
boquinha fofa.
enviado por pumaocabeludo ás 13:05:48
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