|
A
Serra da Mantiqueira é uma região privilegiada por grandes montanhas, com
escarpas mais altas que 2.000 m de altitude, vales profundos, rios de água
límpida, belíssimas corredeiras e cachoeiras. Formando uma muralha verde
entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, suas
florestas densas e biodiversidade proporcionam imagens impressionantes.
A flora da região é parte do ecossistema da Mata Atlântica e suas matas
estão repletas de belos exemplares de angico, quaresmeira, ipê, canela,
pinho bravo e bosques de araucária. A serra também serve de morada para
uma variedade impressionante de animais, sendo habitat de espécies raras
da fauna brasileira, algumas inclusive ameaçadas de extinção.
Vivem na região o mono, a capivara, o veado-mateiro, a paca, a
jaguatirica, o lobo-guará, o esquilo, o tatu, entre outros.
A região também tem inúmeros tipos de aves que nela encontraram um
habitat seguro, destacando-se, o azulão, a seriema, o João de barro,
o bicudo, a maitaca, o tucano, o beija-flor, a gralha azul, etc. |
 |
|
|

Conta a lenda
que vivia uma princesa encantada da Brava Tribo Guerreira do Povo Tupi.
Seu nome o tempo esqueceu, seu rosto a lembrança perdeu; só se sabe que
era linda. Era tão linda que todos a queriam, mas ela não queria ninguém.
Vira homens de matarem por vê-la. Tacapes velozes triturando ossos, setas
certeiras cortando carnes. Como poderiam amá-la se não amavam a si
próprios?
A Bela princesa se apaixonou pelo Sol, o guerreiro de cocar de fogo e
carcás de ouro que vivia lá em cima, no céu, caçando para Tupã. Mas o Sol,
ao contrário de tantos príncipes, não queria saber dela. Não via sua
beleza, não escutava suas palavras nem detinha-se para tê-la.
Mal passava, cálido, por sua pele morena, sua tez cheirando cheirando a
flor, mal acariciava seus pelos negros, suas pernas esguias, e, fugaz,
seguia impávido a senda das horas e das sombras.
Mas ela era tão bonita
que senti-la nua, seus pequenos seios túrgidos, seus lábios de mel e
seiva, sua virginal lascívia, acabaram também por encantar o sol. E o
Guerreiro de Cocar de Fogo fazia horas de meio-dia sobre o Itaguaré...
A Lua, mal surgia sobre a terra, já sumia acolá. Logo, não havia noite.
O
sol não se punha mais e não havia sono, e não havia sonho, e tão perto
vinha o Sol beijar a amada que os pastos se incendiavam, a capoeira secava
e ferviam os lamaçais...
De tênues penugens de prata, plumas alvas de cegonhaçu, a Lua viu que
estava ameaçada por uma simples mulher. O Sol, que na Oca do Infinito já
lhe dera tantas madrugadas de prazer, tantas auroras de puro gosto, se
apaixonara por uma mulher...
E de tanto, tanto que Tupã quis saber o que era, que a Lua, cheia de ódio,
crescente de ciúmes, minguando de dor, e se fez novo de noite-sem-lua e
foi contar tudo para Tupã. Como uma simples mulher ousou amar o Sol? Como
o Sol ousou deter o tempo para amar alguém?
Que ele nunca mais a visse! Mas o Sol tudo vê!... Tupã ergueu a maior
montanha que existia e lá dentro encerrou a Princesinha Encantada da Brava
Tribo Guerreira Tupi. O Sol, de dor, sangrou poentes e quis se afogar no
mar. A Lua, com a dor de seu amado, chorou miríades de estrelas,
constelatos e prantos de luz.
Mas nenhum choro foi tão chorado como o da
Princesinha, tão bela, que nunca mais pode ver o dia, que nunca mais
sentiria o Sol... Ela chorou rios de lágrimas, Rio Verde, Rio Passa
Quatro, Rio Quilombo, rios de águas límpidas, minas, fontes, grotas, vibeiras, enchentes, corredeiras, bicas, mananciais.
Seu povo esqueceu seu
nome, mas chamou de Amantiquira, a "Serra-que-chora". Mantiqueira, a
montanha que a cobriu...
Conta a lenda que foi assim...
(Trecho da peça
"A Fantástica Lenda de Algures") |