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O presidente da Companhia Industrial Santa Matilde, Engenheiro Humberto Pimentel Duarte, é um apaixonado por carros esportivos. Na década de 70 ele possuía uma Porsche modelo Targa 911S, mas tinha uma preocupação muito grande em usar seu carro esportivo no trânsito do dia-a-dia devido ao alto preço das peças de reposição, pois a importação de carros naquela época era extremamente restrita. Os carros esportivos nacionais fora-de-série não o atraíam muito principalmente pela falta de cuidado com o conforto, pouco esmero com o acabamento e fraco desempenho geral. |
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Porche Targa 911S da década de 70 Em meados da década de 70, sua filha Ana Lídia estudava engenharia mecânica e tinha um sonho: desenhar, projetar e construir um carro esportivo totalmente nacional. Pegando o pai num bom dia, ela conseguiu convencê-lo a usar a sua fábrica de vagões e equipamentos agrícolas Santa Matilde a realizar esse sonho. Juntaram várias revistas européias de automóveis, recortaram as partes dos carros que mais acharam interessantes, caíram sobre as pranchetas e desenharam o primeiro protótipo.
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Eng.
Humberto Pimentel e sua filha Eng. Ana Lídia Pimentel,
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Fizeram a primeira versão da carroceria em fibra de vidro com algumas soluções mecânicas similares ao Porsche, tais como o projeto do encaixe das portas e detalhes do chassis. Inicialmente pensaram em usar a motorização nacional do Alfa Romeo TI, mas não obtiveram bom retorno do fabricante. Já a GM se mostrou interessada em fornecer a mecânica e a assistência técnica nas concessionárias da marca. Então adaptaram ao projeto a mecânica do carro nacional Chevrolet Opala seis cilindros com a ajuda do preparador e piloto Renato Peixoto. Pronto, nascia o SM 4.1. Um esportivo nacional gran-turismo 2+2 de alto luxo e acabamento requintado. Foi o primeiro carro nacional a reunir de série direção hidráulica, ar condicionado, vidro elétrico e freio a disco nas quatro rodas. Na época, esses eram equipamentos reunidos apenas em carros importados e de alto luxo. Geralmente os proprietários do SM 4.1 eram pessoas ricas, pois por muitos anos foi disparado o carro nacional mais caro fabricado no Brasil. Quando lançado em 1978, custava Cr$ 330.000,00, valor que representava o dobro do Chevrolet Opala Comodoro 4100 topo de linha. Seu desenho arrojado tinha inspirações claras em esportivos clássicos europeus como os Lamborghini, Aston Martin, Porsche, Jaguar, BMW e Mercedes entre outros. Seu porte é sóbrio e elegante, diferentemente do desenho agressivo dos esportivos americanos como os Mustang, Camaro, Firebird e Corvette.
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O SM 4.1 atravessou os anos 80 como símbolo de status de pessoas bem de vida. Em 1982, ocorreu a primeira mudança geral. Em 1984, a segunda mudança, assim como o primeiro modelo conversível e com o acionamento da capota semelhante ao do Mercedes 350/450 SL. Nos anos de 1985 e 1986, foram feitas mudanças de acabamento interno, e então ocorreu o canto do cisne da Santa Matilde. Esses foram os anos em que a fábrica produziu mais carros, mas a proximidade da chegada de carros importados e as dificuldades financeiras da fábrica de vagões causada pelos planos econômicos ocasionaram o encerramento da sua produção em série. Algumas unidades avulsas e variações foram produzidas até 1990 por funcionários da fábrica, mas já sem a completa estrutura da fábrica. O último carro foi produzido foi feito sob encomenda em 1997. No fim, foram fabricados menos de 1000 carros SM pela Santa Matilde.
Para entender o carisma de um SM 4.1, só andando num. Conhecido nos Estados Unidos como GM-250, seu motor é um possante seis cilindros em linha que trabalha com uma polia harmônica. Macio e cheio de torque em baixas rotações, o motor é extremamente estável tornando seu rodar tranqüilo, silencioso e proporcionando um enorme prazer em dirigir, não apresentando as vibrações tradicionais dos motores quatro cilindros. Seu design clássico e ao mesmo tempo esportivo chama atenção por onde passa. As pessoas mais jovens ou as que não conheceram o modelo acham que se trata de um importado.
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Sentado em macias poltronas e cercado por painel e portas com acabamento em curvin, seu conforto interno para o motorista e o passageiro é singular, mesmo se comparado aos carros de hoje em dia. A estrutura de seu chassis é forte como um vagão de trem, totalmente galvanizada, com precisos métodos de fabricação e perfeitamente adaptada à carroceria de fibra de vidro. Não se ouvem os ruídos comuns dos outros carros produzidos em fibra de vidro, provando o seu alto nível de construção. Seu motor dianteiro é posicionado mais para o trás do chassis, otimizando sua distribuição de peso. Todo o escapamento é feito em aço inox, e a segurança é reforçada pelos dois pára-choques retráteis. Ou seja, um esportivo bonito e resistente, feito com exclusividade e para durar a vida toda. Tendo em vista o atual mercado competitivo e globalizado, o SM 4.1 é o tipo do carro que as atuais grande multinacionais montadoras de veículos desistiram de buscar como filosofia de projeto e enfoque de construção. E essa sorte só é dada aos poucos proprietários dessa raridade chamada SM... |
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