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Campanha da Fraternidade
(CF)
É
um momento privilegiado da ação evangelizadora e pastoral da Igreja
no Brasil. Iniciada em 1962, na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, a
CF alcançou dimensão nacional em 1964. A cada ano ela foi mobilizando mais
pessoas, grupos e entidades religiosas e civis.
No ano 2000, foi celebrada
a primeira Campanha da Fraternidade Ecumênica, coordenada pelo Conselho
Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC), com o tema "Fraternidade, Dignidade
Humana e Paz" e o lema "Novo Milênio sem exclusões". A Campanha da
Fraternidade acontece na Quaresma e, como convém a esse tempo litúrgico,
suscita um apelo à conversão para a justiça, o amor, a fraternidade e a
paz. Como elemento motivador, ela traz sempre um tema relevante da
convivência humana, que interpela a consciência das pessoas e exige
conversão profunda e repostas concretas, tanto por parte da Igreja quanto
da sociedade.
Na escolha e no tratamento do tema da CF considera-se a
fidelidade ao projeto do Reino de Deus, os sinais dos tempos representados
pelos desafios das condições de vida do povo brasileiro e o respeito ao
período quaresmal.
A CF tem sido, ao longo de mais de três décadas, um
processo educativo que ajuda a perceber as exigências da Palavra de Deus
diante dos problemas concretos da sociedade. Desse modo, têm se conseguido
três importantes resultados: a) estimular os agentes de pastoral e os
fiéis a estudarem, de modo mais intenso, a Palavra de Deus e aprofundarem
as conseqüências práticas da fé; b) comunicar ao público em geral, fora
dos ambientes eclesiásticos, a voz profética da Igreja diante de graves
questões sociais e sensibilizar a sociedade como um todo para a temática
em questão; c) incentivar iniciativas pastorais concretas como resposta
aos clamores da realidade analisada e às exigências da Palavra de Deus
intensamente refletidas nas comunidades.
Neste ano a Campanha da Fraternidade está voltada para o grave
problema das drogas, que vem afetando dramaticamente milhares de pessoas,
famílias e muitos setores sociais. O assunto está em seqüência às CFs
anteriores, particularmente a de 1997, "Cristo liberta de todas a
prisões", a de 1983, "Fraternidade sim, violência não", e a de 2000, que
versou sobre a dignidade humana, a paz e projetou um novo milênio sem
exclusões.
O lema "Vida sim, drogas não" obviamente mantém a relação
profunda das CFs anteriores com as estruturas políticas, econômicas e
sociais de nosso País. A produção e o tráfico de drogas tornaram-se hoje
um grande negócio e, portanto, interferem na política e na cultura de
nosso povo. O problema passou a ser estrutural, atingindo um grande número
de pessoas, e é, na verdade, mundial.
Temos consciência de que ainda é
pouco o que sabemos sobre o uso das drogas, intimamente ligado aos padrões
culturais de cada sociedade. Em algumas, elas se enquadram num contexto
ritual, como entre certos povos indígenas; noutras, são inseridas em
procedimentos médicos, como nas sociedades modernas, e, em ambos os casos,
seus efeitos nocivos são contrabalançados pelo controle social. Quando, ao
contrário, o consumo de drogas escapa ao controle sociocultural
tornando-as acessíveis a qualquer pessoa (inclusive a crianças e
adolescentes), seus efeitos podem ser mortíferos. É o que está acontecendo
hoje, devido a graves rupturas nas instituições sociais, abalos morais,
mudanças culturais e a inclusão das drogas no sistema de circulação das
mercadorias em geral.
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