Visual diferente, vida normal
Por Andréa Longue
Elas não usam tailler nem salto alto. Não querem andar na moda e nem fazem questão de conhecer os últimos lançamentos de Giorgio Armani. Estamos falando de mulheres que optaram por um visual diferente, mas não são como nós: trabalham, estudam, se divertem, casam e tem filhos. Para elas, o importante não é ser chique e, sim, ser diferente, se destacar na multidão, fugir do convencional. A escolha por um visual diferente, na maioria das vezes, é uma forma de fugir da massificação que domina o mundo, inclusive a moda. Vestuário e aparência não são uma questão de status, mas de gosto.

Andando pelas ruas da cidade, você facilmente as reconhece, por causa do corte ou da cor dos cabelos (geralmente são curtos e tingidos, tem penteados diferentes, como tranças, por exemplo, ou cobertos por “bonés”). Também por causa dos piercings, das tatuagens extravagantes, ou por suas roupas extremamente coloridas e fora do comum. Correr as vitrines dos shoppings em busca de novidades e devorar revistas para saber o que vai estar na moda na próxima estação, não faz parte da rotina delas. Seu guarda-roupa é composto por peças variadas e excêntricas, compradas, normalmente, em lojas que estão fora do circuito das passarelas, em brechós ou até mesmo fora do país.

No entanto, não terem uma aparência normal entre a maioria, não significa que não tenham uma vida normal ou que tenham costumes estranhos. Algumas consideram preconceito, outras acham engraçado o fato de serem vistas como ET’s só porque não seguem o padrão visual comum.

Priscila da Silva, de 18 anos, é estudante de Direito, das FMU. Mesmo tendo escolhido uma carreira em que o protocolo do vestuário é tradicional, em que reinam os trajes sociais, ela faz questão de ser diferente e manter sua personalidade. Na faculdade, ela não abriu mão de suas antigas preferências. Admite que seu visual tipo “clubber”, como dizem, não é comum no ambiente e as “patricinhas” a olham com estranheza, mas ela não liga: “Me visto assim porque gosto, minha roupa não vai dizer se serei melhor ou pior profissional”.

Fazendo uma visita às grandes empresas, percebemos que já existem muitas pessoas com um novo visual inseridas no mercado de trabalho. O preconceito quanto a piercings, tatuagens ou a calças largas ficou para trás. No entanto, a tendência de rotulá-las como rebeldes, irresponsáveis ou, no mínimo, diferentes ainda é fortíssima. Não só nesse caso, mas com tudo na vida, é importante conhecer antes de formar opinião. Essas mulheres escolheram ser diferentes aparentemente, mas você vai encontra-las no cinema, no supermercado, na faculdade, na porta da escola de seus filhos e até na academia. E pode ter certeza que elas não moram em marte. São mulheres vivendo a vida como podem e, principalmente, como querem.



 

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