"(...) Sable foi andando até o Burger Lord. Ele era exatamente
igual a todos os outros Burgers Lords da América. O palhaço
McLordy dançava no Kanto das Krianças. A equipe de atendimento
tinha idênticos sorrisos reluzentes que nunca chegavam a atingir os
olhos. E atrás do balcão um homem gordinho de meia-idade num
uniforme de Burger Lord jogava bifes de hambúrguer na chapa, assoviando
baixinho, feliz com seu trabalho.
Sable foi até o balcão.
- Olá-meu-nome-é-Marie - disse a garota atrás do balcão.
- Posso-ajudar?
- Um trovão explosivo duplo gigante, batatas fritas extragrandes, sem
mostarda - disse.
- Bebe-algo?
- Um shake chocobanana especial com chantili.
Ela apertou os quadradinhos de pictogramas em sua caixa registradora. (Saber
ler não era mais exigência para emprego nesses restaurantes.
Sorrir sim.) Então ela se virou para o gordinho atrás do balcão.
- TEDG, BEG, sem mostarda - disse ela. - Choc-shake.
- Ahnnnahnnn - fez o cozinheiro. Dividiu a comida em caixinhas de papel, parando
somente para afastar o pega-rapaz dos olhos.
- Prontinho - disse ele.
Ela os pegou sem olhar para ele, e ele voltou alegre à sua chapa, cantando
baixinho 'Looooove me tender, looove me long, neeeever let me go...'
A cantoria do sujeito, notou Sable, batia de frente com a música de
fundo do Burger Lord, uma pequena fita em loop do jingle comercial
do Burger Lord, e ele fez uma nota mental para despedí-lo.
Olá-meu-nome-é-Marie deu a Sable sua REFEIÇÃOtm
e lhe desejou bom dia.
Ele encontrou uma mesinha de plástico, sentou-se no banco de plástico
e examinou sua comida.
Pão artificial. Bife de hamburger artificial. Batatas fritas que nunca
em sua vida sequer viram batatas. Molhos sem alimentos. Até mesmo (e
Sable tinha um orgulho especial disso) uma fatia artificial de picles de endro.
Nem se preocupou em examinar seu milkshake. Ele não tinha nenhum conteúdo
alimentar real, mas também, nada do que era vendido por seus rivais
tinha também.
Ao seu redor, as pessoas comiam suas não-comidas, se não evidências
reais de prazer, pelo menos o nível de desgosto não era maior
do que o que podia ser visto nas cadeias de hambúrgueres de todo o
planeta.
Ele se levantou, levou a bandeja até o receptáculo POR FAVOR
JOGUE FORA SEU LIXO COM CUIDADO, e jogou tudo lá dentro. Se você
tivesse lhe dito que existem crianças passando fome na África
ele teria dito 'que bom que você notou'.(...)"