PAINEL POÉTICO

"POESIA DO MÊS DE SETEMBRO/2004"


IMPONDERÁVEL

Desperta, mansidão encarnada e benigna do ser!
Que em seu peito possa pulsar este último sol nascer.
Contemplado pelo brilho de um derradeiro amanhecer.
Aplacando a escuridão sobrejacente que sempre nos fará sofrer.

Quem sabe até a eternidade possa já lhe conhecer?
Torpe alma que se espraia em minutos de saber.
Conhecimentos fúteis, inúteis, em troca de muito prazer.

Contamos estrelas e grãos de areia, sem nunca entender,
Que a prolificidade de um bom caráter é que faz acontecer.
Posso saber fazer a hora, mas o segundo não posso escolher.
Pois esta minuta de minutos eternos fazem-me enlouquecer.

Homens impuros no corpo, como detritos de seu próprio merecer.
Homens perdidos na alma, como argumentos de seu muito liquefazer.
Homens condenados no espírito, como apostasias do seu próprio perder.
Caminhamos todos juntos para o mesmo predizer.
Reclamando, blasfemando, insultando nosso próprio bendizer.

Atropelamos etapas em nossa jornada, para sobreviver.
Visamos subir ao topo da montanha, através dos atalhos do poder.
Poderes desumanos, praticados por algozes que fazem o povo ranger,
Até quando sibilarem os sinos e as cornetas prenunciarem nosso finito viver.
Ficaremos então a nos perguntar: O que fazer? O que fazer?

José Brites Neto

Hosted by www.Geocities.ws

1