P�TRIA ACORRENTADA

Sou uma terra. Uma hist�ria. Um tempo.
Brasileira, braziliana, brasile�a.
�ndia, branca, negra... cosmopolita.
Sou o que sou!
Eterna bandeirante a desbravar
sert�es rudes e selvagens.

Sou m�e de um povo her�ico!
Sobrevivente da seca, da fome,
da viol�ncia e injusti�a.
Tenho bra�os fortes e desafio a morte
nas trincheiras do meu destino.

Trago fetos no ventre,
sementes no ser,
sonhos vilipendiados
na terra que me cabe dentro.

Tenho o corpo tatuado
com a sorte das meretrizes,
tenho marcas nas m�os
feridas nos p�s...
mas n�o fujo � luta!

Sei que sou incoerente
nesta geografia de extremos e contrastes,
sou multiforme:
miser�vel e esplendorosa!

Tenho matas verdes, c�us azuis
grandes rios correndo em minhas veias,
sou amaz�nica, pantaneira
navegando por �guas mansas e profundas.
Atraco minha �ncora
�s margens pl�cidas do oceano,
adorme�o ao som do mar
� luz do c�u profundo.
Sou uma ilha.
Ilha de Vera Cruz?
Que Ilha, de veras, sou?

Sinto o pulsar do cora��o cadenciado,
ou�o o gemido de um povo aprisionado.
Ah, povo meu!
De p�s descal�o e lata d��gua na cabe�a,
presos pelos la�os da omiss�o,
acorrentados pelas diferen�as sociais.
Ah, filhos deste solo!
� esta a terra que escavo para enterrar-me dentro.
Buraco negro dos meus sentidos!

� aqui que me esgar�o
e me vejo fotografada
pelas lentes impiedosas da devasta��o.
Ser�o meus aqueles olhos tristes?
Ser�o meus os pulsos que sangram
detr�s da palavra liberdade?

Ainda tenho o sangue azul e a ra�a guerreira,
o orgulho verde-amarelo, a perspic�cia matreira.
Ainda tenho a garra de um infante,
a coragem de montar o cavalo da rep�blica
empunhar minha espada e bradar:

 

INDEPEND�NCIA OU MORTE!

Lucilene Machado

 

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