PAINEL POÉTICO

"POESIA DO MÊS DE OUTUBRO/2004"


LÁGRIMAS DE SANGUE

Choro, não por ti, nem por mim, mas por nós!
Sei que certamente ainda não estaremos a sós,
Mas tenho pensado no que nos tornamos,
Como em um quadro pintado.

Sobre a tela de um fundo claro, puro e límpido,
Derramamos as cores que tracejam nossa personalidade.
Alguns preferem o abstrato oculto de suas vaidades.
Outros derramam a concretude de seus objetivos frios.
Ainda há o bucolismo das paixões comensais e doentias.

Cada toque busca traduzir o ego em emoções e pensamentos.
Um emaranhado de cores e tonalidades reflete este intento.
Cores claras, cores pardas, cores negras; cada matiz de vida realça sua certeza.
Compondo uma obra com retoques de soberba sutileza.

Restará o ornamento de uma moldura pomposa.
Pois o sustentáculo da luxúria não é traduzido por verso e prosa.
Impudica e introspectiva, valorizada ao extremo por seu vil metal.
Falta-lhe algo, falta-lhe vida, falta-lhe princípio, falta-lhe moral.

Eis que um séqüito enlouquecido, partilha e retalha a sua consistência.
Restam agora, fragmentos despedaçados sem muita essência.

Em cada pedaço desta tela espalhada pelo chão,
Vejo ainda uma cor tingida a destilar de sua expressão.
São as Lágrimas de Sangue, Daquele a Quem pouco pedimos perdão.

José Brites Neto

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