PAINEL POÉTICO

"POESIA DO MÊS DE OUTUBRO/2003"


GRANDE ZOOLÓGICO DO SENHOR

Somos animais em busca de um paraíso,
Somos selvagens lutando por nossos artifícios,
Emboscamos nossos pares por torpes futilidades,
E ainda reclamamos de nosso dono, por tantas maldades.

O pão nosso de cada dia, foi-nos dado por alimento,
Insatisfeitos, desprezamos e produzimos a própria ração,
Engordamos nossa ganância e fermentamos nosso próprio pão,
E ainda fomentamos nossas migalhas aos animais sem razão.

Aprisionamos as demais espécies em um quartel de ilusão,
Para satisfazer vaidades tecnicistas por formação e opinião,
Gerando coloridos oftálmicos de uma beleza em solidão,
Sequer atentamos para as lágrimas que nos suplicam perdão.

Somos animais em nosso cio de repugnância,
Traduzidos por soberba, avareza e sem infância,
Somos destruidores sem fim, exterminadores de futuros,
Detentores de um poder obscuro, em laboratório escuro.

Caminhamos impacientes, buscando sempre mais,
Sem interesse e sem vontade de se quer olhar para trás,
Sem passado, sem presente, o futuro sempre jaz,
Na dúvida reticente de porquês e nunca mais.

Somos e sempre seremos, pobres e malditos animais,
Pérfidos inteligentes e sábios, quanto mais?
Arrogantes embevecidos numa célere expectativa de dor,
Pois ainda seremos presas frágeis, neste Grande Zoológico do Senhor.

José Brites Neto

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