PAINEL POÉTICO
"POESIA DO MÊS DE NOVEMBRO/2004"
CALCANHAR DE AQUILES Frágeis tradições de enredos supérfluos,Controlando vistos de passaportes para o eterno, Atormentando vidas em ritual funesto, Gerando mais feridas que o próprio inferno. A perfeição propalada em altos brados, Como uma lei ordinária de contexto simples, A vitrine embaçada escondendo fardos, Como uma vergonha iminente em seus próprios índices. Derramando angústias que já não têm fim, Com um poder liqüefeito por mãos humanas, Perante Deus não podemos viver mais assim, Demonstrando ser santos por obras mundanas. Os nossos frutos já são conhecidos, No julgar temerário laços são lançados, Como setas agudas esquecemos dos amigos, E com grande insolência dos nossos próprios pecados. Quem poderá emergir de sua própria realidade? Retirar do seu ornamento a capa de santidade, Imbuído de um nobre sentimento admitir com humildade, A ferida encravada no Calcanhar de Aquiles da verdade. José Brites Neto |