PAINEL POÉTICO

"POESIA DO MÊS DE JULHO/2003"


A ÁRVORE ESTÉRIL

Ameaçada por tanto rancor,
De não produzir frutos, a sua dor,
Rejeitada pela falta de fulgor,
Como um coração que não produz amor.

Adubada por palavras sem sabor,
Como nutrir a essência de sua flor?
Sentindo a ausência de esplendor,
Das verdades elaboradas por seu Criador.

Na carência de exemplos de realidade presente,
Mascarados por estribilhos em nada indulgentes,
Como um perfume inodoro que se esvai indigente,
E cujo sumo extraído tem um amargor latente.

De um ultimato, o álibi de uma tênue esperança,
O fomentar de um estrume fertilizando a pureza,
Fazendo nascer como o bálsamo de uma criança,
Os frutos harmoniosos de uma divina natureza.

José Brites Neto

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