PAINEL POÉTICO
"POESIA DO MÊS DE JANEIRO/2004"
UM ADEUS À POESIA A poesia não é um embaçar constante de letargias,Nem tampouco uma figura exposta por radiografias. Não possui a avidez composta por ironias, Nem perfaz uma maciez recomposta de cizânias. Não cede à sutileza imposta pela tirania, Nem representa sisudez teatral em uma alma ímpia. Rechaça toda empáfia consentida numa arrogância fria. Tem o rebuscar de tons áureos em silentes cinéreos, Flui como o sangue filtrado de puerpérios. Traduz uma nota singela escondida em reverbérios, Decifra o enigma sutil de tantos mistérios. Coroa com real plenitude qualquer princípio estéril, Faz-nos sentir felicidade, ofuscada por mundos tão sérios. Como precipitado coito em latente venéreo, Em clímax de gozo revigorante é um real refrigério. Enaltece a crença por verdades, ante mentiras de tédio, Como um paraquedas de esperanças que ampara um sentido néscio. Pois quando tiver que partir de minha existência, Deixarei este adeus à minha poesia..... José Brites Neto |