A fome é exclusão.
Da terra, da renda, do emprego, do salário, da educação, da economia, da vida e da cidadania.
Quando uma pessoa chega a não ter o que comer é porque tudo o mais já lhe foi negado.
É uma espécie de cerceamento moderno ou de exílio.
A morte em vida.
O exílio da terra.
Mas a alma da fome é política.
A fome é a realidade, o efeito e o sintoma.
O ponto de partida e o de chegada.
A síntese, a ponta do novelo a partir do qual tudo se explica e se resolve.
Porque não é episódica, nem superficial, revela fundo o quanto uma pessoa está sendo excluída de tudo e com que frieza seu drama é ignorado pelos outros.
Pela fome de 32 milhões se revela a essência humana do próprio país.
Aquele que é capaz de negar a condição humana para 20% de sua população.
Mas a fome é também um atestado de miséria absoluta.
O grito de alarme que sinaliza o desastre social de um país, que mostra a cara do Brasil.
E por isso e outras, nunca devemos desistir de nossa luta, pois não é possível abaixar a cabeça para essa cruel realidade, e dormirmos tranquilos com tanta injustiça, que afeta nosso senso e caráter.
Vamos resgatar nossa dignidade!
Nossa capacidade de nos indignarmos!
Nossa capacidade de viver!

Herbert de Souza


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