PAINEL POÉTICO
"POESIA DO MÊS DE FEVEREIRO/2005"
CRIANÇAS NOTURNAS Gritos na estrada da vida em realidade soturna,Abandonados ao vento como poeira diurna, Como podemos dormir este sono de tortura, Lembrando sempre um pesadelo de difícil cura. Ou será desilusão de não termos mais lisura, Ao ver caídas pelo chão infantis criaturas, Preferindo viver como inimigos da brandura, Vistas grossas de ilusão para não ver mais fissuras. Sorrisos negros que misturam ódio e ternura, Viciados pelo tempo que esvaiu sua imagem pura, Nos quartéis bandoleiros de inocência escura, Encarcerados por correntes de discursos linha dura. Falta de amor como um ópio a gerar tanta loucura, Onde estou nesta hora que não sinto mais candura, Como seres alienados por parâmetros em ruptura, Sociedade tão soberba que não produz mais doçura. Lábios amargos a provar uma cruel ditadura, De regras e normas sem qualquer compostura, Mantendo reticentes incoerências de conduta, A alimentar um turbilhão de crianças noturnas. José Brites Neto |