“Febres Impiedosas”

Realmente vivemos um quadro muito triste e talvez logo desolador.

Trabalho diretamente com controle de zoonoses e há uns dez anos atrás escrevi um artigo que vários colegas julgavam meio apocalíptico demais, e que hoje infelizmente tem se manifestado numa realidade bastante preocupante e encontrado a nossa classe veterinária voltada exclusivamente ao "cachorrismo de vanguarda"; e o pior, com a agravante de não saber lidar em sua grande maioria com as questões graves de Saúde Pública que estamos enfrentando.

Na cidade onde exerço minhas funções públicas como sanitarista, devo ficar responsável pelo Programa de Vigilância e Controle de Doenças Transmitidas por Carrapatos e é incrível como que, excetuando-se o nosso secretário de saúde (médico) e a coordenadora de vigilância epidemiológica (enfermeira); vejo, em todos os demais profissionais envolvidos, muito discurso bonitinho e pouca manga arregaçada ao trabalho.

São tempos difíceis aonde temos muitos teóricos e poucos técnicos responsáveis com ações voltadas ao bem estar coletivo.

Vi também meu colega de turma, que milita no Mato Grosso, ontem no Jornal Nacional, assombrado diante da tristeza deste "booster" maldito da Febre Aftosa em nosso rebanho; logo após tantos discursos oficiais pragmáticos de Rastreabilidade Bovina; maior exportador de carne do mundo, etc. etc. etc.

Vivemos o limiar das zoonoses e com tanto protecionista de cachorro por aí, também logo viveremos a volta da Raiva com força total e o caminhar evolutivo da Leishmaniose Visceral (Calazar), doenças frutificadas pela irresponsabilidade social e que adoram ter por vítimas, nossas crianças.

Enquanto isto, apregoa-se o SUS para diminuir filas de atendimento em hospitais públicos porque não temos médicos querendo ganhar salários medíocres nas periféricas Unidades Básicas de Saúde.

Nesta dicotomia transcendental, vamos perdendo pais de família, como os que têm partido por Febre Maculosa; e assim muitas famílias vão ficando órfãs de uma esperança que o "sapo barbudo" disse que venceria o medo.

É verdade, medo de acreditar em tanto hipócrita corrupto mentiroso como seus correligionários e seus próprios algozes que hoje são oposicionistas e ficam posando de "falsos moralistas"!!

Farinhas de cor diferente, safras diferentes, mas contaminadas com o mesmo agrotóxico!!! 

Nós, brasileiros, precisamos deixar de ser sem-vergonhas político-partidários e trabalharmos por causas verdadeiramente comunitárias com responsabilidade técnica e social aplicadas aos carentes verdadeiramente periféricos deste país, periféricos do campo e da cidade, da Amazônia que pasmem está sem água, periféricos da opulência das mansões abastecidas pelo erário público.

Como diz aquela música nova do Titãs.....Vossa Excelência......Senhores Filhos da Pátria, Prostituta, Perdida por Pulhas!!!!

E a nossa classe veterinária? Quanta vergonha sinto dela!!

Perdida no tempo e espaço, tratando cachorrinhos de madame e ganhando um dinheiro hipócrita fazendo banhos de "furô" em poodles. nas zonas de opulência mercantil urbana.

Quanta vergonha, quanta vergonha!!!!!

 

José Brites Neto

 

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