PAINEL POÉTICO
"POESIA DO MÊS DE DEZEMBRO/2002"
ÁGUA ARDENTE Minha girgolina feiticeira,Água-bruta do meu desatino, Guampa maldita e desalmada, Imaculada maria-branca monjopina. Engasga-gato do pobre cachorro-homem, Bagaceira, boresca e caiana, Calibrina cândida, minha cotréia, Aninha, dona-branca, moça-branca, Minha jura, não-sei-quê. Meu elixir, minha gramática, meu espírito, Patrícia perigosa, meu porongo, minha pilóia, Pura, purinha, quebra-goela do reservado, Quebra-munheca do mal amado, Remédio retrós de sete-virtudes. Três-martelos que castigam meu pensamento, Capote-de-pobre, meu cobertor de alegria, Assovio-de-cobra, viperina e venenosa, Águas-de-setembro que correm o ano todo, Arrebenta-peito que na tristeza é meu-consolo. Abrideira dengosa de portas fechadas, Bicha danada das sorridentes prosas, Birita borbulhante que o pranto espalha, Azougue goró da expedita Januária. Sumo-da-cana com suor-de-alambique, Dindinha, sinhazinha, filha-de-senhor-de-engenho, Água-benta, água-de-briga, água-de-cana, Brasileira alma que ufana este povo silvícola, Que é pobre, que é caboclo, mas tem espírito nacionalista. José Brites Neto |