PAINEL POÉTICO
"POESIA DO MÊS DE ABRIL/2003"
POEMA DA GRANDE TRANSFORMAÇÃO A primeira vezque a morte passou pela minha vida caíram-me por terra a coroa do império, o cetro do orgulho, o castelo da vaidade. E fui ficando mais leve do enorme peso da vida. A segunda vez que a lâmina da morte passou pela minha vida cortou-me os braços e todo o apego fugiu-me por entre os dedos. E fui ficando mais livre do enorme peso de existir. A terceira vez que a lâmina da morte passou pela minha vida cortou-me as pernas e aprendi a caminhar com os próprios passos. E fui ficando mais livre do eterno peso de existir. A quarta vez que a lâmina da morte passou pela minha vida rasgou-me o horizonte do coração e todas as estrelas do futuro caíram-me aos pés. E fui ficando mais solto do pesado fardo de ser. A enésima vez que a morte passou pela minha vida, já estava podado de quase todos os excessos do ego. Separado o espesso do sutil, reduzido à essência do ser. E fui ficando mais leve do aéreo peso da vida. A última vez que a morte passou pela minha vida decepou-me o pescoço e a esperança. Minha cabeça rolou pelos campos de toda memória. Estava livre de todo o excesso da matéria e comecei a viver. Luis Augusto Cassas |