Quinta-feira,
3 de dezembro de 1998
O grupo britânico Republica viu o futuro e achou tudo parecido com a década de 80

Mais um conjunto a misturar guitarras com batidas eletrônicas e soar como new wave; o trio diferencia-se apenas pela cor do cabelo de sua vocalista

A melhor coisa sobre o grupo britânico Republica é o cabelo da vocalista. Saffron usa um corte chanel pintado de vermelho-tinta-de-parede, com uma textura látex que contrasta com a imagem convencional do resto da banda. Coitado, um dos dois integrantes masculinos é até careca.

Ao passar da capa para o conteúdo, Republica perde a graça. Ouvir uma faixa do grupo é como saber que o nome verdadeiro de Saffron é Samantha Sprackling. E que ela diz que era atriz e trabalhou no Hair, ops... The Rocky Horror Show.

O hit Ready to Go tocou bastante há dois anos. Na época, parecia boa idéia. Uma volta ao pop descartável de vocal adocicado das Go-Go's. Mas, aos poucos, o verniz começou a descascar, revelando batidas eletrônicas e pretensão modernizante.

Em Speed Ballads, segundo álbum do Republica, a combinação de guitarra, eletrônica e futurismo colegial já é de irritar. Explorando temas de ficção científica, Republica imagina um futuro em que tudo será mais rápido, mais duro e mais parecido com a década de 80. Cruze o filme Blade Runner com a banda Transvision Vamp para clonar um neurônio da banda.

Músicas como Luxury Cage e - inevitável - Millenium sugerem que o paraíso do consumo não será um lugar legal para se viver no século 21. Uau.

O novo single, From Rush Hour with Love, não passa de new wave genérico, que já não fazia sucesso quando era interpretado por grupos da estirpe de um The Photos ou um T Pau. Como diz o título de outra faixa: Nothing's Feeling New. Nada de novo sob o sol, com ou sem chuva ácida.

Já que o pop é descartável, melhor descartá-lo logo. Assim fica mais fácil admirar o penteado de Saffron. Com nome de supermodelo, a cantora estrelou um comercial recente da Pepsi no Reino Unido. Só que em Speed Ballads, ela canta que "refrigerantes apodrecem seu cérebro". Essa é boa, Saffron. (M.P.)


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