Conclusão dos Trabalhos Lunares
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Depois de ter reduzido a poeira cósmica Mara, o pai das três Fúrias clássicas, tive então que enfrentar as bestas secundárias do abismo... 

O dia terminava lentamente. O ar delicioso da noite convidava para descansar de suas fadigas aos seres vivos que povoam a face da Terra; e eu, vil gusano do lodo da terra, só queria sustentar os combates do caminho e das coisas dignas de compaixão que a minha  memória escreverá sem se equivocar... 

Ó musas inefáveis! Ó alto engenho divino! Vinde em meu auxílio! Inspirai-me para que meu estilo não desdiga da natureza do assunto... 

Interrompeu meu sono profundo um trovão tão forte... Como homem a quem se desperta violentamente, levantei-me e, dirigindo um olhar ao redor de mim, fixei a vista para reconhecer o lugar onde me achava. Vi-me, então, numa casa solitária, junto ao caminho tenebroso... 

Sentado numa tosca cadeira junto à janela, da qual bem se podia contemplar a escarpada senda, evoquei, mui sinceramente, os tempos idos... 

Certamente, em outras idades, eu havia estado ali, na mansão do abismo e ante o mesmo caminho... 

Nada disto me pareceu novo. Compreendi que estava recapitulando mistérios. Levantando-me da cadeira, abri a velha porta daquela morada e saí caminhando devagarinho...devagarinho...devagarinho...pelo caminho solitário... 

De uma só olhada e atravessando com o olhar um espaço tão distante como o dável `a penetração da vista espiritual, vi aquela paragem triste, devastada e sombria... 

O piso estava úmido, e eu tive que me deter intempestivamente ante certo cabo elétrico que jazia estendido no solo... 

Um cabo de cobre de alta tensão? Que horror!... E estive a ponto de pisá-lo!... 

“É preferível morrer, sendo livre, que viver, estando preso.” Assim clamou a voz do silêncio na noite do mistério... 

E eu que, alarmado, tentava nesses preciosos instantes retroceder, senti-me reconfortado... 

Avancei resolutamente por aquelas paragens sublunares, ao longo da tortuosa senda abismal... 

A escarpada senda, virando inesperadamente para a esquerda, penetrou entre certas colinas muito pitorescas... 

Nelas vi algo assim como um parque nacional em dia de domingo. Um matizado conjunto de humanas criaturas que pareciam desfrutar deliciosamente da pradaria... 

Para solaz entretenimento de muitos, alguns vendedores ambulantes iam e vinham aqui, lá e acolá, vendendo globos coloridos... 

Símbolo vivo da vida profana, assim o entendi. Entretanto, é ostensível que quis viver tudo aquilo com intensidade... 

Estava muito absorto em tudo isso, contemplando as multidões de sempre, quando, de repente, eia aqui que algo insólito e inusitado sucede. Pareceu-me como se de verdade o tempo se detivesse um momento... 

Nesses instantes de terror, surge de dentro da selva um lobo sanguinário que, feroz e com olhar avesso, tenta em vão agarrar sua presa. Ante este, fogem da Parca desapiedada algumas galinhas que, desesperadas, cacarejam. 

Extraordinária simbologia oculta: Ave de curral, pusilânime, covarde, tímida. Lobo sanguinário, cruel, desapiedado... 

Pavor!...Terror!...Espanto!...Humanos estados sublunares da infraconsciência humana. E eu que acreditava ter morrido em mim mesmo, ignorava a existência destes agregados psíquicos dentro de meus próprios infernos atômicos... 

Afortunadamente, jamais na dura briga esqueci minha hasta santa. Graças a minha Divina Mãe Kundalini pude exceder a muitos em força e habilidade na lança. 

Havendo caído já os principais demônios-eus, vis personificações de meus horríveis defeitos infra-humanos, concluiram epicamente meus trabalhos lunares, dando morte, com a hasta santa, a muitas outras bestas infernais... 

Não é demais dizer que tive que recolher muito rico espólio de guerra depois de muitas cruentas batalhas... 

Quero me referir, com grande ênfase, àquelas múltiplas gemas preciosas de minha própria existência, a esses grãos de Consciência embutidos, enfrascados, nesses horripilantes engendros do inferno... 

A última parte do trabalho foi de caráter completamente atômico. Não é nada fácil expulsar as malignas inteligências de seus habitáculos nucleares... 

Isto é certamente o que se entende por transformar as águas negras em brancas... 

Agora, tais átomos se converteram em veículos maravilhosos de certas inteligências luminosas... 

Chispas magníficas! Átomos capazes de informar sobre as atividades do inimigo secreto... 

 Numa noite de glória tive a maior honra com que se pode brindar um ser humano: Fui visitado pelo Cristo Cósmico. O Adorável trazia um grande livro em sua mão direita, como me dizendo: 

- Vais entrar agora na esfera de Mercúrio. 

Ao ver o Mestre, não pude menos que exclamar dizendo: 

- Senhor, haveis chegado mais depressa do que eu pensava. Ainda não vos aguardava... 

O Cristo vivo respondeu docemente: 

- Eu às vezes demoro quando me toca vir no mês de março... Tu tens que seguir morrendo ainda... 

- Como? Seguir morrendo? Ainda? 

- Sim, respondeu o Adorável. Tens que seguir morrendo, repetiu... 

O que aconteceu depois foi prodigioso. O Mestre elevou-se lentamente para o sol da meia- noite, desprendendo-se depois um pouco do astro-rei, para me bendizer e perdoar os meus antigos erros... 

Assim foi como consegui o reingresso ao primeiro céu, a morada dos anjos inefáveis... 

 Inquestionavelmente era eu um anjo caído. Mas é ostensível que havia sido perdoado... 

Na catedral da alma há mais alegria por um pecador que se arrepende que por mil juntos que não necessitam de arrependimento...
 

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As Três Montanhas

Samael Aun Weor

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