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| Uma Aventura Supra-sensível |
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Conversando no bosque do mistério, três amigos errantes chagamos devagarzinho, devagarzinho, ante a colina sagrada. Sem o mínimo temor, fomos, então, testemunhas de algo insólito e inusitado. Narrá-lo é urgente para o bem de nossos muito amados leitores. Impoluta rocha milenar abriu-se de repente no penhasco, como se se tivesse partido exatamente em dois pedaços iguais, deixando-nos perplexos e assombrados. Antes que houvesse tempo suficiente para poder apreciar aquilo, sem vacilação alguma, como que atraído por estranha força, acerquei-me da misteriosa porta de granito… Sem impedimento alheio, valoroso, transpassei o umbral de um templo. Nesse ínterim, meus amigos, serenos, sentaram-se em frente `a gigantesca mole que diante deles se fechava… Qualquer glossário extraordinário resultaria francamente insuficiente, se tentássemos descrever em detalhe minucioso todos os portentos daquele santuário subterrâneo. Sem mundologia de nenhum tipo, prefiro falar sobre isto a grosso modo; porém, sinceramente, limitando-me a narrar o ocorrido. Airoso, animado pela chama viva do espírito, avancei por um estreito corredor até chegar a um pequeno salão… Aquele exótico recinto semelhava antes um escritório, repartição ou sala de advogado… Ante a escrivaninha, sentado, encontrei um arconte do destino, indecifrável personagem, hermético juiz do carma, místico vaticinador vestido como elegante cavalheiro moderno… Quão sábio era aquele advogado-adivinho! Vaticinador sublime! Infalível! E terrivelmente divino… Com profunda vanaração aproximei-me à sua escrivaninha. O fogo sagrado resplandeceu em seu rosto… De imediato senti, de forma direta, seu profundo significado. “Obrigado, Venerável Mestre!” Exclamei com infinita humildade… O austero hierofante, com tom sibilino, tomou sua parábola e disse: - Fulano de tal – referindo-se ostensivelmente a um dos dois amigos que a for a me aguardavam – é do tipo andrajoso, sempre viverá na miséria. Beltrano – referindo-se agora ao meu outro amigo – é o tipo samurai. - Como? Samurai? - Repito: Samurai! (Amigo lutador e espiritual como os progressistas samurais budistas do Império do Sol Nascente). Por último, dirigindo-se à minha insignificante pessoa que nada vale, disse: - Tu és do tipo militar, porque terás que arrastar multidões, formar o Exército de Salvação Mundial, iniciar a Nova Era Aquária. Logo prosseguiu assim: - Tua missão específica é criar Homens, ensinar às pessoas a fabricar seus corpos astral, mental, e causal, para que possam encarnar sua alma humana. Posteriormente se levantou de sua escrivaninha com o evidente propósito de buscar, em sua biblioteca, uma das minhas obras e, assim que a teve em suas mãos, embriagado pelo êxtase, exclamou: - O livro que em boa hora enviaste pelo correio a fulano de tal agradou muitíssimo. O que sucedeu depois é fácil de coligir. Com infinita veneração e grande humildade, sem ostentação de nenhuma espécie, longe de toda vã enfatuação, despedi-me do venerável e saí do templo. Discorrer agora, excogitar, meditar seriamente sobre a questão essencial deste relato é urgente, indispensável. Excluindo de nosso léxico toda expressão de mau gosto, enfatizamos o seguinte postulado: É indispensável criar o Homem dentro de nós mesmos, aqui e agora. Como estou ensinando as pessoas a doutrina, obviamente sou um criador de Homens. Há necessidade de se criar, dentro de nós mesmos, a disponibilidade ao Homem. Não é demais recordar que os tempos do fim já chegaram. Muito foi dito agora, na leitura oculista, sobre as duas sendas. Quero me referir especificamente às vias espiral e direta. Inquestionavelmente, os dois caminhos somente se abrem, augustos, ante o Homem autêntico. Jamais ante o animal intelectual! Nunca poderei esquecer os momentos finais da Quinta Iniciação do Fogo. Depois de todos esses processos recapitulativos, tive que enfrentar, valorosamente, um guardião nirvânico terrivelmente divino. O bem- aventurado Senhor de Perfeições, mostrando-me a senda espiral nirvânica, disse: “Este é um trabalho bom.” Depois, assinalando a via direta, exclamou com grande voz, como quando um leão ruge, dizendo: “Este é um trabalho superior.’’ Posteriormente o vi avançando para mim com esse imperativo tremendo das grandes majestades. Ele me interrogou e eu lhe respondi, estabelecendo-se o seguinte diálogo: - Por qual destes dois caminhos vais seguir agora? - Deixai que o pense. - Não o pense. Diga-o imediatamente, defina-se! - Vou pelo caminho direto que conduz ao Absoluto! - Como lhe ocorre meter-se por aí! Não quer compreender o que vai sofrer? Que lhe está acontecendo, senhor? - Eu vou para o Absoluto! - Bem! Advertido fica! Estas foram as palavras finais do guardião. Depois se retirou solene. Outra noite, for a de meus corpos supra-sensíveis em total exercício das funções como Atman ou homem-espírito… Em pleno Nirvana, solitário, encontrava-me sobre o formoso terraço da mansão das delícias, no rincão do amor… Eu vi os habitantes dessa região em número sempre crescente, flutuando no espaço sagrado… Felizes, tomaram assento no jardim cheio de perfumadas flores. Algoritmia divinal, estro sublime, nume inolvidável… Atman
– Buddhi – Manas, Trimurti de perfeição. Nos instantes em
que escrevo estas linhas, ocorre-me repetir aquele versículo do
livro A Morada Oculta que ao pé da letra diz:
“Eu sou o crocodilo sagrado Sebk.
- Irmão meu, por que vais por esse caminho tão duro? Aqui no Nirvana somos felizes! Fica aqui conosco!… Minha resposta, cheia de grande energia foi a seguinte: - Não puderam os animais intelectuais com suas tentações, muito menos vós os Deuses. Eu vou para o Absoluto!… Os inefáveis se calaram e eu me retirei precipitadamente daquela morada. A vós do silêncio disse: “- O Boddhisattwa que renuncia ao Nirvana por amor à humanidade é confirmado três vezes honrado e, depois de muitos nirvanas ganhos e perdidos por essa causa, ganha o direito de entrar no mundo de super nirvânica felicidade…” O Nirvana tem ciclos de atividade e ciclos de profundo repouso. Por esta época do século XX encontra-se no período de ação. Os nirvanis que se reencarnaram durante as primeiras raças só agora voltaram a se reencarnar. Passada esta época, submergirão na dita infinita até o futuro Mahamvantara. A senda do dever, longo e amargo, é diferente. Implica em renúncia total; entretanto nos conduz diretamente ao Absoluto. Qualquer noite destas tantas, encontrando-me feliz em estado de Shamadi, vi resplandecer, com tintas purpúreas, o planeta Marte… Suas vibrações eram certamente de caráter telepático. Senti meu coração tranqüilo que me chamavam urgentemente do núcleo central daquela mole planetária. Esse cintilo era inconfundível… Rápido me transportei, vestido com o To Soma Heliakon, até as vivas entranhas daquele mundo… Vestido com o traje das milícias celestes, resplandecente, aguardava-me Samael, minha própria mônada individual, meu Real Ser íntimo, o regente divinal daquele planeta. Reverente, prosternei-me ante o onisciente, ínclito senhor daquele lugar; e, logo, tomando a palavra, disse: - Aqui estou, Pai meu! Para que me chamaste? - Tu, filho meu, te esqueces de mim! - Não, Pai meu, eu não me esqueço de ti! - Sim, filho meu, se a ti te entregam a portaria do universo, tu te esqueces de mim! - Ó Pai meu, eu vim para beijar tua mão e receber tua bênção! O onimisericordioso me bendisse e eu ajoelhado, beijei sua destra. No fundo do templo planetário aparecia um leito de dor… Posteriormente entrei em profundas reflexões. Por que elegi eu mesmo o caminho? Por que me esqueci de meu Pai diante da terrível presença do guardião dos caminhos? Jesus, o grande sacerdote gnóstico, no monte das Oliveiras, deu-nos uma grande lição, quando exclamou: “Pai meu, se é possível afasta de mim este cálice, mas não se faça a minha vontade, senão a tua.” Dezoito anos depois trovejando e relampageando, rasguei minhas vestes, protestando contra tanta dor. Ai! Ai! Ai!… Uma virgem do Nirvana me respondeu: “Assim é o caminho que tu mesmo escolheste. Para nós, os habitantes do Nirvana, os triunfos são menores e por isso é evidente que sofremos menos. Entretanto, como teus triunfos serão maiores, teus sofrimentos também serão mais intensos.” Quando quis descansar um pouco, os agentes do carma recriminaram-me, dizendo: “Que lhe acontece, senhor? Vai o senhor andar? Circule, amigo! Circule! Circule!” Pacientemente
continuei a marcha pela rochosa senda que conduz à liberação
final.
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