A Quarta Iniciação de Fogo 
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Esse triste homúnculo racional, equivocante denominado homem, é muito semelhante a um barco fatal, tripulado por muitos esquerdos e tenebrosos passageiros. Quero me referir aos eus. 
 
Inquestionavelmente, cada um destes em particular tem sua própria mente, idéias, conceitos, opiniões, emoções, etc., etc., etc. 
 
Obviamente estamos cheios de infinitas contradições psicológicas. Se nos pudéssemos ver, num espelho, de corpo inteiro, tal como internamente somos, ficaríamos horrorizados de nós mesmos. 
 
O tipo de mente que num momento dado se expresse em nós, através dos diversos funcionalismos cerebrais, depende exclusivamente da qualidade do eu em ação. (Veja-se capítulo 3, parágrafo intitulado O Ego). 
 
É evidente, palmária e manifesta, em cada um de nós, a existência interior de muitas mentes. 
 
Certamente não somos possuidores de uma mente individual, particular. Temos muitas mentes. 
 
Necessitamos, com urgência máxima, inadiável, criar o corpo mental. Mas, isto somente é possível transmutando o hidrogênio sexual Si-12. 
 
Mediante o Sahaja Maithuna (magia sexual), podemos e até devemos  passar o excedente do hidrogênio sexual Si-12 não utilizado na fabricação do corpo astral a uma Segunda oitava de ordem superior. 
 
A cristalização de tal hidrogênio na forma esplendente e maravilhosa do corpo mental é uma axioma da sabedoria hermética. 
 
Ostensivelmente, esta cristalização do citado hidrogênio sexual se processa solenemente de acordo com as notas dó- ré- mi- fá- sol- lá- si numa Segunda oitava tanscendente. 
 
Alimentação é diferente. É evidente que qualquer organismo que vem a `a existência necessita de seu alimento específico e de sua nutrição. O corpo mental não é uma exceção `a regra geral. 
 
O excedente do hidrogênio 24, não gasto na alimentação do corpo astral, converte-se em hidrogênio 12. (Não se confunda este último com o hidrogênio sexual Si-12). 
 
Como consequência ou corolário evidente, é lícito asseverar claramente que o hidrogênio 12 é o alimento cardeal e definitivo para o corpo mental. 
 
Não é possível conseguir a plena individualização do entendimento sem a criação de um corpo mental. 
 
Só criando tal veículo possuímos “manas inferior organizado’’ mente completa, particular e individual. 
 
O fundamento desta criação encontra-se na nona esfera (o sexo). Trabalhar na frágua acesa de Vulcano é indispensável. 
 
É evidente que sabemos que possuímos um corpo mental quando podemos viajar com ele consciente é positivamente através dos mundos supra- sensíveis. 
 
Meu caso particular foi certamente algo muito especial. Eu nasci com um corpo mental. Já o havia criado num passado remotíssimo, muito antes que raiasse a aurora do Mahamvantara de Padma, ou Lótos de Ouro. 
 
Realmente agora só necessitava, com urgência máxima, inadiável, recapitular a Quarta Iniciação do Fogo e restaurar os flamígeros poderes no já mensionado veículo. 
 
O resplandecente Dragão de Sabedoria, quero me referir ao Lagos do sistema solar de Ors, confiou a um especialista a nobre missão de me assistir e me ajudar. 
 
Levantar a Quarta Serpente ao longo do canal medular do corpo mental, de vértebra em vértebra e de chacra em chacra é certamente, algo muito lento e espantosamente difícil. “Antes que a chama de ouro possa arder com luz serena, a lâmpada deve estar bem cuidada em lugar livre de todo vento.”
 
“Os pensamentos terrenais devem cair mortos ante as portas do templo.”
 
“A mente que é escrava dos sentidos faz a alma tão inválida quanto o bote que o vento extravia sobre as águas.” 
 
Assombrado,  percebi os multiplos explendores da pentalfa maravilhosa sobre os candelabros sacratíssimos do templo. 
 
Transpassei, distoso, o umbral do santuário. Meus pensamentos flamejavam ardentemente. 
 
Compreendi claramente que durante o trabalho na nona esfera deveria separar, muito cuidadosamente, a fumaça das chamas. 
 
A fumaça é horror, trevas, bestialidade. A chama é luz, amor, castidade transcedente. 
 
Qualquer impacto exterior origina reações ondulatórias na mente. Estas últimas em si mesmas têm seu núcleo fundamental no ego, no eu, no mim mesmo. 
 
Exercer absoluto controle sobre as citadas reações mentais é certamente indispensável. 
 
Necessitamos tornarnos indiferentes ante o elogio e o vitupério, ante o triunfo e a derrota. 
 
Sorrir ante pois insultadores, beijar o látego do verdugo, é indispensável. Recordai que as palavras que ferem não tem mais valor do que o que lhes dá ofendido. 
 
Quando não damos valor `algum as palavras dos insultadores, estas ficam com um cheque sem fundos. 
 
O guardião do Umbral, no mundo da mente, vem personificando o ego, o eu. 
 
Enfrentar com heroísmo a terrível prova, vencer realmente o irmão terrível, como o denominam na maçonaria oculta, é indispensável na Quarta Iniciação do Fogo. 
 
Sem temor algum com presteza, desembainhei a flamígera espada. O que sucedeu depois foi extraordinário: A larva do umbral fugiu espavorida. 
 
É ostensível que tal prova advém sempre depois que as asas ígneas foram abertas. 
 
É uma tremenda verdade que quando o fogo sagrado, ascendendo, chega `a altura do coração abrem-se sempre as radiantes asas angélicas. 
 
Inquestionavelmente, as ardentes asas nos  permitem entrar instantaneamente em qualquer departamento do rei. 
 
Outro evento cósmico maravilhoso que tive que vivenciar em mim mesmo, durante os múltiplos processos da Quarta Iniciação do Fogo, foi, certamente, o da entrada vitoriosa de Jesus na cidade querida dos profetas. 
 
Quem quizer realmente ingressar na Jerusalém de cima (nos mundos superiores) deve libertar-se do corpo, dos afetos e da mente. 
 
É urgente indispensável, indadiável, montar no simbólico asno (a mente), domá-lo, controlá-lo. Somente assim é possível liberar-nos deste, para ingressar nos mundos do espírito (a Jerusalém celestial). 
 
Senti que meu gasto corpo físico se desintegrava e morria. Nesses momentos clamou com grande voz o Divino Rabi da Galiléia, dizendo: “Este corpo já não te serve.” 
 
Ditoso escapei da destruída forma de vestido, com o To Soma Heliakon, o corpo de ouro do Homem solar. 
 
Quando o Fogo Sagrado resplandeceu solenemente na estrela flamíngera e na cruz estrelada, minha Divina Mãe Kundalini particular, individual, foi acolida no templo. 
 
O Kundalini floresceu em meus lábios fecundos feito verbo, quando fogo chegou `a laringe criadora. 
 
Ainda recordo aquele instante em que se celebrou a festa. Os adeptos da Fraternidade Oculta premiaram-me com um símbolo maravilhoso que ainda concervo. 
 
Extraordinário foi aquele momento em que o fogo do Kundalini chegou `a altura do Cerebelo. Então meu corpo mental passou pela simbólica crucificação do senhor. 
 
Notório resultou o ascenso da flama erótica `a vértebra trinta e dois. Nesses momentos de grande solenedade, compreendi os mistérios relacionados com o grau de Leão da Lei. 
 
“Quando uma lei inferior é transcendida por uma lei superior, a lei superior lava a lei inferior.” 
 
“Ao Leão da Lei se combate com a balança.” 
 
“Faze boas obras para que pagues tuas dívidas.” 
 
Certo sino metálico fez extremecer, solenemente todos os âmbitos do universo quando o fogo divino abriu o lotos de mil pétulas (o chacra Sahasrara). 
 
Nesses instantes de beatitude suprema, escutei coros inefáveis que ressoaram no espaço sagrado. 
 
Mais tarde tive que levar, passientimente a flama erótuca até o campo magnético da raiz do nariz. 
 
Aproveitando inteligentemente certo fio nervoso secreto, prosseguiu  depois, conduzindo o fogo até a região do tálamo, regiào onde está localizado o chacra capital que controla o coração. 
 
Por último aproveitei inteligentemente o Ananhata Nadi, para levar a flama sexual até o templo-coração. 
 
A cerimônia final daquela Iniciação foi realmente extraordinária, sublime, terrivelmente divina. 
 
Naquela noite mística, o templo estava vestido de Glória. Impossível descrever tanta beleza…
 
Sanat Kumara, o Grande Hierofante, aguardava-me, austero, em seu trono régeo. Eu entrei, com profunda veneração dentro do sacro recinto…
 
Ante este Grande Imolado, como H.P.B. sói chamá-lo, minha Divina Mãe Kundalini, com infinito amor, pôis sobre minha cabeça o manta amarelo dos Budas e o extraordinário diadema no qual resplandece o olho de Shiva. 
 
“Este é o meu filho muito amado!” Exclamou minha Mãe, e logo acrescentou: “Ele é um Buda.” 
 
O ancião dos Dias,  Sanat Kumara, o ilustre fundador do Grande Colégio de Iniciados da Loja Branca no planeta Terra, acercando-se de mim, pôis  em minhas mãos o símbolo do Imperador (A esfera com a cruz em cima). 
 
Nesses instantes escutaram-se acordes evangélicos, régia sinfonias basiadas nos ritmos do Mahavan e do Chotavan, que sustentam o universo firme em sua marcha. 
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As Três Montanhas

Samael Aun Weor

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