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Samael é o nome de
minha Mônada. Estou aqui, com a humanidade, desde que raiou a aurora, depois
da noite profunda do grande Prayala. Eu vi afundar a Lemúria através
de dez mil anos, no Oceano Pacífico. Conheci a Atlântida e vivi com
esse mesmo corpo lemuriano. Vi afundar a Atlântida e acompanhei o Manu Vaivasvata
em seu êxodo, rumo à meseta central da Ásia. Eu conservava
o mesmo corpo.
No coração
mesmo dos Himalaias, ao lado do Tibet, existiu um reino maravilhoso faz já
cerca de um milhão de anos. Eu vivi nesse país; então ingressei,
com muita humildade, na Ordem Sagrada do Tibet e me converti num autêntico
Lama. Desgraçadamente, cometi certos erros demasiado graves, querendo ajudar,
com a Chave Sagrada IT, à rainha de meu país. Devido a isso, fui
expulso da Venerada Ordem e continue metido dentro do Samsara. Já caído,
tiraram-me aquele corpo esplêndido da Lemúria imortal.
Retornar ao vetusto monastério
tibetano foi sempre meu melhor anelo. Dizem os velhos sábios do oriente
que sete são as provas básicas, fundamentais, indispensáveis
para a recepção iniciática na Ordem Sagrada do Tibet.
Eu estive nas lutas, soube
das provas, golpeei, como outros, na porta do templo. Uma Dama Adepto, depois
de tantas e tantas provas espantosas e terríveis, em grande estilo, mostrou-me,
sinistramente, a descarnada e horrível figura da morte, ossuda caveira
entre suas duas canelas cruzadas.
Eu estou trabalhando pela
humanidade doente... Pagarei tudo o que devo, sacrificando-me pela Grande Órfã
... Tende compaixão de mim! "Se tu estivesses preparado, morrerias
em presença desta figura." Esta foi a resposta e logo veio um silêncio
aterrador.
Com o traje ritual de verdugo,
avançou resolutamente, até mim, com o látego sagrado empunhado
em sua direita. De imediato compreendi que devia passar pela flagelação
evangélica. Caminhei rumo ao interior do templo, devagarinho ... ao longo
daquele pátio vetusto, rodeado de muralhas arcaicas. "Morre ! Morre!
Morre!" Exclamou a Dama, enquanto me açoitava, em verdade, com o látego
sagrado.
Jamais pude esquecer este
evento cósmico, ocorrido no coração dos Himalaias. Hoje estou
morto; trabalhei intensamente com a ajuda de minha Serpente Sagrada; os demônios
vermelhos foram derrotados. Entre minha Mãe e eu compartilhamos o duro
trabalho; eu copreendia e Ela eliminava.
Na noite em que regressei
à Ordem Sagrada do Tibet, fui feliz. Para o retorno não há
festas; assim está escrito e isso o sabem os divinos e os humanos. Simplesmente
e sem ostentação alguma, voltei a ocupar meu posto dentro da Ordem
e continuei com o trabalho que outrora havia abandonado, quando me distanciei
do caminho reto.
Dizem antigas tradições
arcaicas que se perdem na noite aterradora de todas as idades, que esta Venerada
Instituição se compõe de 201 membros; o plano maior é
formado de 72 Brahamanes. São os únicos capazes de dar-nos a chave
real do Arcano A.Z.F., graças ao conhecimento da língua atlante
primitiva, Watan, raiz fundamental do sânscrito, do hebraico e do chinês.
A Ordem Sagrada do Tibet,
antiqüíssima, é, certamente, a genúina depositária
do real Tesouro do Aryabarta. Esses místicos sabem dos tormentos das raças
já vencidas, que viveram e morreram à sombra de sua massa colossal.
Eles sabem dos vôos das águias e do raio que as marca com sua rubrica
de fogo. Nos flancos de suas montanhas, roda o trovão dos broncos vendavais
e em seus templos sepulcrais se fundem cósmicos sinais que têm sabor
de eternidade.
Mas, ó Deus meu!
Recordai, querido leitor, que não há rosas sem espinhos! Tu o sabes!
Afortunadamente, o monastério da Ordem Sagrada do Tibet está muito
bem protegido dentro da quarta dimensão. Escrito está, no fundo
dos séculos e com caracteres de fogo, que Bagavan Aclaiva é o Regente
secreto da misteriosa Ordem...
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