MENSAJE DE NAVIDAD 1971
                                 EL MISTERIO DEL AUREO FLORECER                                

SAMAEL A UN WEOR        
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Anterior Capítulo 38 A Lei da Recorrência Próximo


Com uma série de insólitos relatos quero explicar, agora, o que é a Lei da Recorrência.

Certamente, a citada lei nunca foi, para mim, algo novo, estranho ou extravagante; em nome disso que é o divinal, devo afirmar, de forma especial, que essa pragmática regra só a conheci através de minhas inusitadas vivências.

Dar fé de tudo aquilo que, realmente, temos experimentado diretamente, é um dever para com nossos semelhantes.

Jamais quis escapulir, safar-me, intelectualmente, dessa múltiplavariedade de recordações, relacionadas com minhas trêsexistências anteriores e o que corresponde à minha vida atual.

Para o bem da Grande Causa, pela qual estamos lutando intensamente, prefiro arcar, assumir responsabilidades, pagar, confessar francamente meus erros, ante o veredito solene da consciência pública.

Francamente e sem rodeios, é oportuno declarar, agora, que eu fui, na Espanha, o Marquês Juan Conrado, terceiro Grande Senhor da Província de Granada.

É evidente que essa foi a época dourada do famoso Império da Espanha; o cruel conquistador Hernán Cortês, aleivoso qual nenhum, havia atravessado, com sua espada, o coração do México, enquanto o desapiedado Pizarro, no Peru, fazia fugir as cem mil virgens.

Como muitos nobres e plebeus, aventureiros e perversos, em busca da fortuna, embarcavam, constantemente, para a Nova Espanha, eu, de modo algum, podia ser uma exceção.

Numa simples caravela, frágil e ligeira, naveguei durante vários meses por entre o borrascoso oceano, com o propósito de chegar a estas terras da América.

Não está demais asseverar que jamais tive a intenção de saquear os sagrados templos dos augustos mistérios, nem de conquistar povos ou destruir cidadelas.

Andei, certamente, por estas terras da América em busca de fortuna; desafortunadamente, cometi alguns erros.

Estudá-los é necessário, para conhecer as paralelase verificar, conscientemente, a sábia Lei da Recorrência.

Esses eram meu tempos de Boddhisattwa caído e que, por certo, não era uma mansa ovelha.

Haviam passado séculos e, como tenho a Consciência desperta, jamais pude olvidar tanto desatino.

A primeira paralela que devemos estudar corresponde exatamente com meu atual corpo físico.

Havendo chegado em frágil embarcação da mãe pátria, eu me estabeleci muito perto dos alcantilados nestas costas do Atlântico.

Por aqueles tempos da conquista espanhola, existia, desgraçadamente, este outro negócio internacional, relacionado com a infame venda de negros africanos.

Então, para bem ou para mal, conheci uma nobre família de cor, originária da Argélia.

Todavia recordo uma donzelinha tão negra e tão formosa como um sonho milagroso das Mil e Uma Noites.

Sim, compartilhei com ela o leito dos prazeres no jardim das delícias; fui, realmente, movido pelo incentivo da curiosidade; queria conhecer o resultado deste cruzamento racial.

Que disto nascera um rebento mulato, nada tem de raro; mais tarde veio oneto, o bisneto e o tataraneto.

Naqueles tempos de Boddhisattwa caído, eu me esqueci das famosas marcas astrais que se originam no coito e que todo desencarnado leva em seu Karmasaya.

Resulta palmário e manifesto que tais marcas relacionam a pessoa com aquelas pessoas e sangue, associados com o coito químico; é oportuno dizer, agora, que os iogues do Indostão haviam feito já, sobre isto, detidos estudos.

Não está demais asseverar que meu atual corpo físico advém da citada cópula metafísica; com outras palavras direi que assim vim a ficar vestido com a carne que levo em minha presente existência. Meus antepassados paternos foram, exatamente, os descendentes daquele ato sexual do Marquês.

Assombra que nossos descendentes, através dos tempos e da distância, convertam-se em ascendentes. É maravilhoso que, depois de alguns séculos, venhamos a revestir-nos com nossa própria carne, a converter-nos em filhos de nossos próprios filhos.

Viagens incessantes por estas terras da Nova Espanha caracterizavam a vida do Marquês e estas se repetiram em minhas subseqüentes existências, incluindo a atual.

Litelantes, como sempre, esteve ao meu lado, suportando, pacientemente, todas essas loucuras de meus tempos de Boddhisattwa caído. Chegando o outono da vida, em cada reencarnação, confesso, sem rodeios, que sempre tive que marchar com a sepultadora; quero referir-me a uma antiga iniciada pela qual sempre abandonava a minha esposa e que, em uma e outra existência cumpriu com seu dever de dar-me cristã sepultura.

No entardecer da minha vida presente, voltou a mim essa antiga iniciada;reconheci-a de imediato; porém, como já não estou caído,repudiei-a com doçura, ela se afastou afligida.

Revestido com essa personalidade altiva e até insolente do Marquês, iniciei o retorno à mãe pátria, depois de certa asquerosa bronca, motivada por um carregamento de diamantes em bruto, extraídos de uma mina muito rica.

Para o bem de muitos leitores, não está demais dar certa ênfase ao asseverar, cruelmente, que, depois de um curto intervalo na região dos mortos, tive que entrar novamente em cena, reencarnando-me na Inglaterra.

Ingressei no sei da ilustre família Bleler e me batizaram com o piedoso nome de Simon.

Com o florescer juvenil, transladei-me à Espanha, movido pelo anelo íntimo de retornar à América. Assim trabalha a Lei da Recorrência.

Obviamente, repetiram-se, no espaço e no tempo, as mesmas cenas, idênticos dramas, similares despedidas, etc., incluindo, como é natural, a viagem através do borrascoso oceano.

Intrépido, saltei à terra nas costas tropicais da América do Sul, habitadas, então, por diferentes tribos.

Explorando tais e quais regiões selváticas, habitadas por animais ferozes, cheguei ao vale profundo de Nova Granada, aos pés das Montanhas de Montserrat e Guadalupe, formoso país governado pelo Vice-Rei Solis.

É inquestionável que, por esses tempos, de fato, começava a pagar o carma que devia desde os anos de Marquês.

Entre estes crioulos da Nova Espanha, ressaltavam inúteis meus esforços por conseguir algum trabalho bem remunerado; desesperado pela má situação econômica, ingressei, como um simples soldado raso, no exército do soberano; pelo menos ali encontrei pão, abrigo e refúgio.

Sucedeu que, num dia festivo, bem de manhã, as tropas de Sua Majestade se preparavam para render honras muito especiais ao seu chefe e, por isso, distribuíam-se aqui, lá e acolá, realizando manobras com o propósito de organizar filas.

Todavia, recordo um certo sargento mal encarado e brigão que, revistando seu batalhão, dava gritos, maldizia, batia, etc.

De repente, chegando diante de mim, insultou-me gravemente, porque meus pés não se achavam em correta posição militar e, depois, observando detalhes minuciosos da minha jaqueta, aleivoso esbofeteou-me.

O que sucedeu  logo não é muito dificil de adivinhar.Nada de bom se pode esperar jamais de um Boddhisattwa caído. Sem reflexão alguma, torpemente, cravei minha acerada baioneta sanguinária em seu aguerrido peito.

O homem caiu na terra ferido de morte; gritos de pavor por toda parte seescutavam; mas, eu fui astuto e aproveitando precisamente a confusão,a desordem e o espanto, escapei daquele lugar, perseguido muito de pertopela soldadesca bem armada.

Andei por muitos caminhos, rumo às escarpadas costas do Oceano Atlântico; buscavam-me por onde quer que seja e, por isso, evitava sempre a passagem pelos postos, dando muitos rodeios através das selvas.

Nos caminhos carreteáveis - que bem poucos eram naqueles tempos -passavam a meu lado algumas carruagens arrastadas por parelhas de briososcorcéis; em tais veículos viajavam pessoas que não tinhammeu carma, pessoas endinheiradas.

Um dia qualquer, à beira do caminho, perto de uma aldeia, achei uma venda humilde e nela penetrei com o ânimo de beber um copo; queriaanimar-me um pouco.

Atônito! Confuso! Assombrado fiquei ao descobrir que a dona desse negócio era Litelantes. Oh ! Eu a tinha amado tanto e agora a encontrava casada e mãe de vários filhos. Que reclamação podia fazer? Paguei a conta e sái dali com o coração desgarrado...

Continuava a marcha pela estrada, quando, com certo temor, pude verificar que alguém vinha atrás de mim: o filho da senhora, uma espécie de alcaide rural. Tomou a palavra aquele jovem para dizer-me:

- "De acordo com o Artigo 16 do C&oacutte;digo do Vice-Rei, está osenhor detido."

Inutilmente tratei de suborná-lo; aquele cavalheiro, bem armado, conduziu-me ante os tribunais e é óbvio que, depois de ser setenciado,tive de pagar uma longa prisão pela morte do sargento.

Quando saí em liberdade, caminhei pelas ribeiras selvagens e terríveis do caudaloso rio Magdalena, exercendo muito duros trabalhos materias poronde quer que tivesse a oportunidade.

Como nota interessante do presente capítulo, devo dizer que a Essência desse alcaide, pelo qual tive que passar tantas amarguras, encerrado em uma imunda masmorra, retornou com corpo feminino; é, agora, uma filhaminha; por certo que já até mãe de família é; deu-me alguns netos.

Antes de seu reingresso interroguei, nos mundos supra-sensíveis, a essa alma; perguntei-lhe sobre o motivo que a induzia a buscar-me por pai; respondeu-me dizendo que tinha remorsos pelo mal que me havia causado e que queria portar-se bem comigo para emendar seus erros. Confesso que está cumprindo sua palavra.

Naquela época, eu me estabeleci nas costas do Oceano Atlântico, depois de infinitas amarguras cármicas, repetindo assim, todos ospassos do insolente Marquês Juan Conrado ... O melhor que fiz foi haverestudado esoterismo, a medicina natural, a botânica.

Os nobres aborígenes daquelas terras tropicais, brindaram-me com seu amor, agradecidos por meu trabalho de galeno: curava-os sempre em forma desinteressada...

Algo insólito sucede certo dia: Trata-se do espetacular aparecimento de um grande senhor, vindo da Espanha: Esse cavalheiro me narrou seus infortúnios. Trazia, em sua nave, toda sua fortuna e os piratas o seguiam. Queria um lugar seguro para seus ricos tesouros.

Fraternalmente lhe ofereci consolo e até lhe propus abrir uma cova e guardar nela suas riquesas. O senhor aceitou meu conselhos, nãosem antes exigir-me solene juramento de honradez e lealdade.

Com a fragrância da sinceridade e o perfume da cortesia, entre ambos nos entendemos, Depois dei ordens à minha gente, um grupo muito seleto de aborígenes. Estes últimos entreabiram a superfície da terra.

Feito o buraco metemos ali, com grande diligência, um baú grande e uma caixa menor, contendo pedaços de ouro maciço e jóias de incalculável valor.

Mediante certos exorcismos mágicos logrei o encantamente da "joiarada guardada", como dissera Dom Mário Roso de Luna, com o propósito de fazê-la invisível ante os desagradáveis olhos da cobiça.

O cavalheiro me remunerou muito bem, fazendo-me generosa entrega duma bolsa com moedas de ouro e logo se afastou desses lugares, fazendo a si próprio o propósito de voltar a sua mãe pátria, para trazer, dali, a sua família; pois desejava estabelecer-se senhorialmente nestas belas terras da Nova Espanha.

O relógio de areia do destino jamais está quieto; passaramos dias, os meses e os anos e aquele bom homem jamais regressou; talvez morreu na sua terra ou caiu vítima da pirataria que, então, infestava os sete mares. Não sei.

Existem casos sensacionais na vida. Certo dia, em minha presente reencarnação, estando longe desta minha terra mexicana, conversava sobre dito assunto,com certo grupo de irmãos gnósticos entre os quais despontava,por sua sabedoria, o Mestre Gargha Kuichines. Foi então quando recebiuma tremenda surpresa: vi, com místico assombro, como o Soberano Comendador G.K. se levantava para confirmar, de forma enfática, minhas palavras.

O citado Mestre nos informou que ele, pessoalmente, havia visto escrito tal relato em dourados versos. Falou-nos de um velho livro empoeirado e lamentou havê-lo emprestado. Valha-me Deus e Santa Maria! Porém, sim, eu jamais soube de tal tratado.

Velhas tradições antiqüíssimas nos dizem que muita gente dessas costas do Caribe esteve buscando o tesouro de Bleler.

Curioso é que aqueles nobres aborígenes que antes enterraram tão rica fortuna, estejam novamente reincorporados, formando o grupo do S.S.S. Assim trabalha a Lei da Recorrência.

Recordo, claramente, que, depois daquela minha borrascosa existência com a supradita personalidade inglesa, fui constantemente invocado por essas pessoas que se dedicam ao espiritismo ou espiritualismo. Queriam que lhes dissesse qual era o lugar onde se encontrava guardado o delicioso dourado; cobiçavam o tesouro de Bleler; porém, é evidente que, fiel a meu juramento na região dos mortos, jamis quis entregar-lhes o segredo.

Repetindo os passos do insolente Marquês Juan Conrado, em minha subseqüente existência vim a reencarnar-me no México. Batizaram-me com o nome de Daniel Coronado; nasci no Norte, pelos arredores de Hermosillo, lugares todos estes conhecidos em outros tempos pelo Marquês. Meus pais quiseram todo o bem para mim e, jovem, inscreveram-me na Academia Militar; mas tudo foi em vão.

Qualquer dia desses tantos, aproveitei mal um fim de semana, em banquetes e bebedeiras com amigos cavaleiros. Confesso ainda, com certa vergonha, que tive que regressar à casa com o uniforme de cadete sujo, rasgado e envilecido... É óbvio que meus pais se sentiram defraudados.

É ostensível que não voltei jamais à Academia Militar. Indubitavelmente, desde esse momento começou meu caminhode amarguras...

Afortunadamente reencontrei, então, Litelantes. Ela se achava reencarnada com o nome de Lígia Paca (ou Francisca). Em boa hora me recebeu por esposo...

Biografar qualquer vida resulta, de fato, um trabalho muito difícil e de substanciososo conteúdo e, por isso, só faço ressaltar, com fins esotéricos, determinados detalhes.

Inquestionavelmente, eu não gozava de folgada situação, dificilmente ganhava o pão nosso de cada dia. Muitas vezes comia com o mísero salário de Lígia; ela era uma pobre mestrade escola rural e para cúmulos até a atormentava com meus execráveis ciúmes. Não queria ver com bons olhos a todos esses seus colegas do magistério que lhe ofereciam amizade...

No entanto, algo útil fiz por aqueles tempos: formei um belo grupo esotérico gnóstico em pleno Distrito Federal. Os estudantes de tal congregação, em minha atual existência, de acordo com a Lei de Recorrência, retornaram a mim ...

Durante o cruento regime porfirista tive um cargo, por certo não muito agradável, na Polícia Rural. Cometi o erro imperdoável de ajuizar ao famoso "Golondrino", perigoso bandoleiro que assolava a comarca; é claro que tal maligno morreu fuzilado...

Em minha atual existência reencontrei-o, reincorporado em humano corpo feminino; sofria delírio de perseguição; temia que o encarcerassem por furto; lutava por desatar-se de certos laços imaginários; cria que já o iam fuzilar ... é claro que cancelei minha dívida, curando dita enferma. Os psiquiatras haviam falhado lamentavelmente; eles não foram capazes de saná-la.

Ao estalar a rebelião contra Dom Porfírio Diaz, abandonei o nefasto posto na Rural. Então, com humildes proletários de picareta e pá, pobres peões enganados das fazendas dos amos, organizei um batalhão. Era, certamente, admirável este valioso punhado de gente humilde armada apenas com sabres, pois ninguém tinha dinheiro para comprar armas de fogo. Afortunadamente, o General Francisco Villa nos recebeu na Divisão do Norte; ali nos deram cavalos e fuzis.

Não há dúvida de que, por esses anos de tirania, lutamos por uma grande causa; o povo mexicano gemia sob as botas da ditadura...

Em nome da verdade, devo dizer que minha personalidade como Daniel Colorado foi, certamente, um fracaso. O único pelo qual valeu a pena viver foi pelo grupo esotérico no Distrito Federal e por meu sacrifício na revolução...

A meus companheiros da rebelião lhes digo: Abandonei as filas quando enfermei gravemente. Nos posteriores dias dessa vida tormentosa, andei pelas ruas do Distrito Federal, descalço, com as roupas aos pedaços, faminto, velho, enfermo e mendigando.

Com profundo pesar confesso, francamente, que vim a morrer numa casa imunda.

Ainda recordo aquele instante em que o galeno, sentado numa cadeira, depois de haver-me examinado, exclama, movendo a cabeça:

- "Este caso está perdido." E loogo se retirou.

O que de imediato continua é tremendo: sinto um frio espantoso como o gelo da morte. A meus ouvidos chegam gritos de desespero: São Pedro, São Paulo, ajudai-o! Assim exclama essa mulher à qual chamo sepultadora.

Estranhas mãos esqueléticas me agarram pela cintura e me tiram do corpo físico. É óbvio que o Anjo da Morte interveio. Resolutamente corta, com sua foice, o cordão de prata e logo me bendisse e se afasta.

Bendita morte! Quanto tempo fazia que te aguardava! Por fim chegaste em meu auxílio! Bastante amarga era minha existência!

Ditoso, repousei nos mundos superiores depois de inúmeras amarguras. Certamente, a humana dor dos mortais tem, também, seu limite, mais além do qual reina a paz.

Desafortunadamente, não durou muito aquele repouso entre o seio profundo da eternidade. Um dia qualquer, muito quietinho, veio a mim um dos brilhantes Senhores daLei. Tomou a palavra e disse:

- "Mestre Samael Aun Weor, já tuudo está pronto! Siga-me!"

Eu respondi de imediato:

- Sim, Venerável Mestre! Est&aaccute; bem, segui-lo-ei.

Andamos então, juntos por diversos lugares e penetramos, por fim, em uma casa senhorial; atravessamos um pátio e, depois, passamos por uma sala e logo entramos na recâmara da matrona; ouvimos que se queixava, sofria dores de parto...

Esse foi o instante místico em que vi, com assombro, o cordão de prata de minha existência atual, conectado, psiquicamente, ao infante que estava por nascer.

Momento depois, aquela criatura inalava com avidez o prana da vida. Senti-me atraído para o interior desse pequeno organismo e logo chei com todas as forças de minha alma...

Vi, ao meu redor, algumas pessoas que sorriam e confesso que, especialmente, me chamou a atenção um gigante que me olhava com carinho; era meu progenitor terrenal.

Não está demais dizer, com certa ênfase, que aquele bom autor de meus dias fora, na época medieval, durante os tempos de cavalaria, um nobre senhor ao qual tive de vencer em cruentas batalhas. Jurou, então, vingança e é claro que a cumpriu em minha presente existência.

Muito jovem abandonei a casa paterna, movido por dolorosas circunstâncias e viajei por todos aqueles lugares onde antes estivera em pretéritas existências.

Repetiram-se os mesmos dramas, as mesmas cenas. Litelantes apareceu, novamente, em meu caminho; reencontrei-me com meus velhos amigos; quis falar-lhes, porém não me conheceram; inúteis foram meus esforços para fazê-los recordar nossos tempos idos.

Sem embargo, algo novo sucedeu em minha presente reencarnação; meu Real Ser interior fez esforços desesperados, terríveis por trazer-me ao caminho reto do qual me havia desviado desde há muito tempo.

Confesso, francamente, que dissolvi o ego e que me levantei do lodo da terra.

É óbvio que o eu está submetido à Lei da Recorrência; quando o mim mesmo se dissolve, adquirimos liberdade, independizamo-nos da citada lei.

A prática me ensinou que as diferentes cenas das diversas existências se processam dentro da espiral cósmica, repetindo-se sempre, já em espirais mais altas ou mais baixas.

Todos os fatos do Marquês, incluindo suas inúmeras viagens, repetiraram-se sempre em espirais cada vez mais baixas nas três reencarnações subseqüentes.

Existem, no mundo, pessoas de repetição automática exata; pessoas que renascem sempre no mesmo povo e entre sua mesma família.

É evidente que tais egos já sabem de memória seu papel; e até se dão ao luxo de profetizar sobre si mesmos: é claro que a constante repetição não lhes deixa esquecer acontecimentos, por isso parecem adivinhos.

Estas pessoas costumam assombrar seus familiares pela exatidão de seus prognósticos.


    



             
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