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Em se tratando de compreender,
fundamentalmente, qualquer defeito de tipo psicológico, devemos ser sinceros
com nós mesmos...
Desafortunadamente, Pilatos,
o Demônio da Mente, sempre lava as mãos; nunca tem culpa, jamais
reconhece seus erros...
Sem evasivas de nenhuma
espécie, sem justificativas e sem desculpas, devemos reconhecer nossos
próprios erros...
É indispensável
auto-explorar-nos para autoconhecer-nos profundamente e partir da base zero radical.
O fariseu interior é
óbice para a compreensão. Presumir-se de virtuoso é absurdo...
Uma vez fiz, a meu guru,
a seguinte pergunta: Existe alguma diferença entre a tua mônada divina
e a minha? O Mestre respondeu: "Nenhuma, porque tu e eu e cada um de nós
não é mais que um mau caracol no seio do Pai..."
Ajuizar a outros e qualificá-los
de magos negros resulta incongruente, porque toda humana criatura, enquanto não
haja dissolvido o eu pluralizado, é mais ou menos negra..
Auto-explorar-se intimamente
é, certamente, algo muito sério; o ego é, realmente, um livro
de muitos tomos.
Em vez de render culto ao
execrável demônio Algol, convém beber o vinho da meditação
na taça da perfeita concentração...
Atenção plena,
natural e espontânea em algo que nos interessa, sem artifício algum
é, em verdade, concentração perfeita...
Qualquer erro é polifacético
e se processa, fatalmente, nas quarenta e nove guaridas do subconsciente...
O ginásio psicológico
é indispensável; afortunadamente o temos e este é a própria
vida...
A senda do lar doméstico,
com seus infinitos detalhes, muitas vezes doloroso, é o melhor salão
do ginásio.
O trabalho fecundo e criador,
mediante o qual nós ganhamos o pão de cada dia, é outro salão
de maravilhas.
Muitos aspirantes à
vida superior anelam, com desespero, evadir-se do lugar onde trabalham, não
circular mais pelas ruas de seu povo, refugiar-se no bosque, com o propósito
de buscar a liberação final...
Essas pobres gentes são
semelhantes a rapazes gazeadores que fogem da escola, qua não assistem
às classes, que buscam escapatórias...
Viver de instante a instante,
em estado de alerta percepção, alerta novidade, como vigia em época
de guerra, é urgente, indispensável, se, em realidade, queremos
dissolver o eu pluralizado.
Na inter-relação
humana, na convivência com nossos semelhantes, existem infinitas possibilidades
de autodescobrimento.
É inquestionável,
e qualquer um o sabe, que, na inter-relação, os múltiplos
defeitos que levamos escondidos entre as ignotas profundidades do subconsciente,
afloram sempre naturalmente, espontâneamente e, se estamos vigilantes, então
os vemos, os descobrimos.
Entretanto, é óbvio
que a autovigilância deve, sempre, processar-se de momento em momento.
Defeito psicológico
descoberto deve ser integralmente compreendido nos distintos recôncavos
da mente.
Não seria possível
a Compreensão profunda sem a prática da meditação.
Qualquer defeito íntimo
resulta multifacético e com diversos enlaces e raízes que devemos
estudar judiciosamente.
Auto-revelação
é possível quando existe compreensão íntegra do defeito
que, sinceramente, queremos eliminar...
Autodeterminações
novas surgem da Consciência, quando a Comprensão é unitotal...
Análise superlativa
é útil, se a combinamos com a meditação profunda;
então brota a labareda da Compreensão.
A dissolução
de todos esses agregados psíquicos, que constituem o ego, precipita-se,
se sabemos aproveitar até o "maximum" as piores adversidades.
Os difíceis ginásios
psicológicos no lar ou na rua, ou no trabalho, nos oferecem sempre as melhores
oportunidades.
Cobiçar virtudes
resulta absurdo; melhor é produzir mudanças radicais.
O controle dos defeitos
íntimos é superficial e está condenado ao fracasso.
Mudanças de fundo
é o fundamental e isto só é possível compreendendo,
integralmente, cada erro...
Eliminando os agregados
psíquicos que constituem o mim mesmo, o si mesmo, estabelecemos, em nossa
Consciência, alicerces adequados para a ação reta...
Mudanças superficiais
de nada servem; necessitamos, com urgência inadiável, mudanças
de fundo...
Compreensão é
o primeiro; eliminação, o segundo...
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