MENSAJE DE NAVIDAD 1971
EL MISTERIO DEL AUREO FLORECER

SAMAEL AUN WEOR
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A conquista do Ultra-Mare-Vitae, ou Mundo Superliminal e Ultraterrestre, seria algo mais que impossível se cometêssemos o erro de subestimar a mulher.

O Verbo delicioso de Ísis surge do seio profundo de todas as idades, aguardando o instante de ser realizado.

As palavras inefáveis da Deusa Neith têm sido esculpidas com letras de ouro nos muros resplandescentes do templo da sabedoria.

"EU SOU A QUE FOI, É E SERÁ; E NENHUM MORTAL LEVANTOU MEU VÉU."

A primitiva religião de Jano ou Jaino, quer dizer, a áurea, solar, e super-humana doutrina dos Jinas, á absolutamente sexual, tu o sabes.

Escrito está, com carvões acesos no Livro da Vida, que, durante a Idade de Ouro do Lácio e da Ligúria, o Rei Divino Jano ou Saturno (I.A.O, Baco, Jeová, Iod-Heve) imperou sabiamente, sobre aquelas santas gentes, tribos árias todas, ainda que de muito diversas épocas e origens.

Então, ó Deus meu!... Como em épocas semelhantes de outros povos da antiga Arcádia, podia dizer-se que conviviam felizes Jinas e homens.

Dentro do inefável idílio místico, comumente chamado Os Encantos da Sexta-feira Santa, sentimos, no fundo de nosso coração, que nos órgãos sexuais existe uma força terrivelmente divina, que a mesma pode liberar ou escravizar o homem.

A energia sexual contém, em si mesma, o arquétipo viviente do autêntico Homem Solar que deve tomar forma dentro de nós mesmos.

Muitas almas sofredoras, quiseram ingressar no Montsalvat transcendente; mas, desgraçadamente, isto é algo mais que impossível devido ao véu de Ísis ou véu sexual adâmico.

Entre a bem-aventurança inefável dos paraísos Jinas, existe, certamente, uma humanidade divina que é invisível aos sentidos dos mortais, devido a seus pecados e limitações, nascidos do abuso sexual.

Escrito está e com caracteres de fogo no grande Livro da Vida que, na Cruz Jaina ou Jina, esconde-se, milagrosamente, o segredo indizível do Grande Arcano, a chave maravilhosa da transmutação sexual.

Não é difícil compreender que tal Cruz Mágica é a mesma Suástica dos grandes mistérios.

Entre o êxtase delicioso da alma que anela, podemos e até devemos pôr-nos em contato místico com Jano, o austero e sublime Hierofante Jina que, no velho continente Mu, ensinara a Ciência dos Jinas.

No Tibet secreto, existem duas escolas que se combatem mutuamente; quero referir-me, claramente, às instituições Mahayana e Jinayana.

Em noso próximo capítulo, falaremos sobre a primeira destas duas instituições; agora, só nos preocuparemos pela escola Jinayana.

É ostensível que o caminho Jinayana resulta, no fundo, profundamente Búdico e Crístico.

Neste Misterioso caminho encontramos, com assombro místico, os fiéis custódios do Santo Graal, ou Pedra Iniciática; quer dizer, da suprema Religião-Síntese que foi a primitiva da humanidade: a doutrina da Magia Sexual.

Jana, Swana ou Jaina é, pois, a doutrina desse velho Deus da luta e da ação, chamado Jano, o senhor divino de duas caras, transposição andrógina do Hermes egípcio e de muitos outros Deuses dos panteões Maias, Quichés e Astecas, cujas imponentes e majestosas esculturas cinzeladas na rocha viva ainda se podem ver no México.

O mito greco-romano conserva, ainda, a recordação do desterro de Jano, ou Jaino, à Itália, por haver arrojado, do céu, Cronos ou Saturno, quer dizer, a recordação legendária de seu descenso à Terra como instrutor e guia da humanidade, para dar a esta a primitiva religião natural Jina ou Jaina.

Jana, ou Jaina, é também, obviamente, a maravilhosa doutrina chino-tibetana de Dan, Chan Dzan, Shuan, Loan, Huan ou Dhyan-Choan, características de todas as escolas esotéricas do mundo ário, com raízes na submersa Atlântida.

A Doutrina Secreta, a Doutrina Jaina primitiva fundamenta-se na Pedra Filosofal, no sexo, no Sahaja Maithuna.

Doutrina Gnóstica infinitamente superior, por mais antiga, ao próprio Bramanismo, a primitiva escola Jinayana, é a da estreita senda que conduz à Luz.

Doutrina de salvação realmente admirável, da qual, na Ásia Central e na China, ficam muitíssimas recordações, como ficam também na Maçonaria Universal, onde ainda encontramos, por exemplo, a supervivência da simbólica Cruz Jaina ou Swastika (de Swan, o Hamsa, o Cisne, a Ave Fênix, a Pomba do Espírito Santo, ou Paráclito, Alma do Templo do Graal, Nous, ou Espírito, que não é senão o Ser ou Dhyani do homem).

Ainda nestes tempos modernos, todavia, podemos achar rastros, na Irlanda, desses vinte e três profetas Dijnas ou conquistadores de almas que foram enviados em todas as direções do mundo pelo fundador do Jainismo, o Rishi-Baja-Deva.

Nos instantes em que escrevo estas linhas, vem à minha memória recordações transcendentais.

Num dos tantos corredores de um antigo palácio, não importa a data, nem a hora, bebendo água com limão em taças deliciosas de fino bacará, junto com um grupo muito seleto de Elohim, disse: Eu necessito descansar por um tempo entre a Felicidade; faz vários Mahamvantaras estou ajudando à humanidade e já estou cansado.

"A maior felicidade é ter Deus dentro, contestou um Arcanjo muito amigo..."

Aquelas palavras me deixaram perplexo, confuso; pensei no Nirvana, no Maha-Paranirvana, etc.

Habitando em regiões de tão intensa felicidade, poderia, acaso, alguma criatura não ser feliz? Como? Por que? Por não ter a Mônada dentro?

Cheio, pois, de tantas dúvidas, resolvi consultar o velho sábio Jano, o Deus vivente da Ciência Jinas.

Antes de entrar em sua morada, fiz, ante o Guardião, uma saudação secreta; avancei ante os vigilantes e os saudei com outra saudação e, por último, tive a dita de encontrar-me frente ao Deus Jano.

"Falta outra saudação!" Disse o Venerável. Não há melhor saudação que a do coração tranquilo. Assim respondi, enquanto, devotamente, punha minhas mãos no cárdias.

"Está bem!" Disse o Sábio.

Quando quis fazer-lhe perguntas que dissipassem minhas mencionadas dúvidas, o Ancião, sem falar nem uma só palavra, depositou a resposta no fundo de minha Consciência.

Tal resposta podemos resumí-la assim:

"Ainda que um homem habitasse o Nirvana ou qualquer outra região de ditas infinitas, se não tem Deus dentro, não seria feliz."

"Entretanto, se vivesse nos mundos infernos ou no cárcere mais imundo da Terra, tendo Deus dentro, seria feliz."

Concluiremos este capítulo dizendo: A Escola Jinayana, com seu esoterismo profundo, nos conduz pela via sexual até a encarnação do Verbo e a Liberação final.

Oremos...

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