MENSAJE DE NAVIDAD 1971
EL MISTERIO DEL AUREO FLORECER

SAMAEL AUN WEOR
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É palmária a existência de um medianeiro plástico extraordinário nesse homúnculo intelectual, equivocadamente chamado homem.

De forma enfática quero referir-me ao plexo solar, centro emocional sabiamente colocado pela natureza, na região do umbigo.

É inquestionável que este magnífico ascendente do bípede tricerebrado ou tricentrado se satura, integralmente, com a essência sexual de nossos órgãos criadores.

Foi-nos dito que o “olho mágico” do ventre é estimulado, freqüentemente, pelo Hidrogênio Sexual Si-12 que sobe desde os órgãos sexuais.

É, pois, um axioma inquebratável da Filosofia Hermética que, na região do ventre, existe um poderoso acumulador energético sexual.

Mediante o agente sexual, qualquer representação pode tomar forma no campo magnético do plexo solar.

O ideoplástico representativo constitui, em si mesmo, o conteúdo do baixo ventre.

De modo algum exageramos quando enfatizamos a idéia básica de que, no ventre, são gestados os eus que surgem, mais tarde, à existência. Tais entidades psicológicas, ideoplásticas de nenhuma maneira viriam à existência sem o agente sexual.

Cada eu é, pois, uma viva representação psicológica que surge do ventre; o ego pessoal é uma soma de eus.

O animal intelectual é, certamente, uma máquina controlada por diversos eus.

Alguns eus representam a ira com todas as suas facetas, outros a cobiça, aqueles a luxúria, etc.

Esses são os Diabos Vermelhos, citados pelo Livro dos Mortos do antigo Egito.

Em nome da verdade, é indispensável dizer que o único digno que levamos dentro é a Essência; desafortunadamente, esta, em si mesma, está dispersa aqui, lá e acolá, enfrascada em cada um dos diversos eus.

O Diabo Prestidigitador toma forma na potência sexual; alguns eus muito fortes costumam produzir variados fenômenos físicos assombrosos.

Waldemar relata o seguinte caso: “O prestigioso síndico da cidade de San Miniato al Tedesco, situada entre Florença e Pisa, tinha uma filha de quinze anos, sobre a qual veio o demônio, de maneira que causou sensação no país.”

“Não era só que a cama em que estava a moça se movesse de um lado a outro da habitação, de maneira que tão logo estava contra uma parede, como contra a outra, senão que o demônio quebrou grande quantidade de vasilhas na casa; abria portas e gavetas e armava tal barulho que os moradores passavam a noite tremendo e cheios de espanto.”

“Em presença dos pais, foi a filha atacada de tal modo pelo maligno que, apesar de súplicas e implorações da moça, alçou-a pelos quadris e a levou pelo ar.”

“Em vão chamou ela, invocando: Santa Virgem Maria ! Ajuda-me a me salvar, pois! E isto ante a presença de centenas de habitantes da cidade. Foi arrastada pela janela, ondeando vários minutos diante da casa e sobre a praça do mercado.”

‘Não é, pois, de estranhar que quase toda a cidade correra para lá; homens e mulheres pasmando-se ante o inaudito e espantando-se pela crueldade do diabo, comentando entre si a coragem da moça.”

Um relato da época diz: “Todos se achavam aterrorizados e comovidos, profundamente, pelo aspecto da mãe e das mulheres da família que, com o cabelo solto, se arranhavam com as unhas as faces; golpeavam os peitos com os punhos e enchiam o ar de lamento e alaridos cujo eco ressoava pelas ruas.”

“A mãe, sobretudo, gritava ora à sua filha, ora ao demônio, pedindo a este que jogasse sobre ela toda a desgraça; logo se dirigiu de novo, às pessoas, especialmente às mães, para que se ajoelhassem com ela, implorando ajuda a Deus, coisa que todas fizeram num instante.”

“Ó Deus Santo! Em seguida, precipitou-se a filha de cima. sobre sua mãe e consolou-a meio morta, com semblante alegre: Abandona o temor, minha mãe! Cessa de chorar que aqui está tua filha! Não temas pelo fantasma do diabo, rogo-te! ... Crês, acaso, que fui torturada e vexada; porém, melhor, encontro-me cumulada de uma deliciosa e indizível doçura ... Pois sempre o amparo de todos os desconsolados tem estado a meu lado, ajudando-me e falando-me, para dar-me ânimo e constância. Assim, me dizia, ganha-se o céu.”

“Estas palavras encheram os presentes de alegria e assombro ao mesmo tempo e se foram aliviados de lá. Porém, apenas regressara a família a sua casa, irrompeu, de novo, o diabo e, lançando-se com toda a violência sobre a moça, pegou-a pelos  cabelos, apagou as lâmpadas e velas, revolveu caixas e caixões e toda a mobília. E, quando, de novo, pôde acender as luzes o pai, a filha se arrojou sobre o crucifixo da casa e clamou com voz dilaceradora: Faze que me trague a terra, ó Senhor, antes de me abandonar! Sustém-me e libera-me, eu te imploro encarecidamente!”

“E, falando assim, prorrompeu em pranto o qual enfureceu mais o maligno que lhe arrancou primeiro a camisa do corpo, logo o vestido de lã e, finalmente, a sobreveste de seda, como costumavam usar as moças, desgarrando-a e destroçando-a toda; e, quando se achava a pobre quase desnuda, começou a arrancar-lhe o cabelo.”

“Ela gritava: Pai meu, traze-me um vestido, cobre minha nudez! Virgem Santa, ajuda-me! Finalmente e depois que o demônio a fizera objeto de mais sevícias, logrou-se liberar a moça de seus braços, através de uma peregrinação e uns exorcismos efetuados por um sacerdote.”

Ate aqui, pois, o interessante relato de Waldemar. É ostensível que o demônio sádico que atormentou essa pobre moça, era, fora de toda dúvida, o Diabo Prestidigitador, um forte eu diabo da donzela que tomou forma na potência sexual dela mesma. Isso é tudo.

O caudal de exteriorizações sexuais que se manifesta, muito especialmente, durante os anos da puberdade, costuma ser, realmente, tremendo; e não é quando criamos eus terríveis, capazes de produzir fenômenos sensacionais.

A raiva de não poder amar ou o fato mesmo de sentir-se defraudado por alguém, é, fora de toda dúvida, o verdadeiro inferno e provoca aquelas espantosas emanações sexuais fluídicas capazes de converter-se no Diabo Prestidigitador.

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