Samael Aun Weor
Associações Positivas
para o Despertar da Consciência

As Escolas são inumeráveis,
por todas as partes, abundam escolas e autores que se combatem mutuamente.
Na Catedral de Nôtre-Dame de Paris, desenhado no chão, aparece
um labirinto. Recordemos o labirinto da ilha de Creta. No centro daquele
labirinto estava o Minotauro cretense. Diz-se que Teseu conseguiu orientar-se
no meio desse labirinto até chegar onde estava o Minotauro e o venceu,
enfrentando-o numa luta corpo a corpo,. Sua saída do labirinto foi
possível graças ao fio de Ariadne, que o conduziu até
a liberação final.
É interessante que justamente no piso da Catedral de Nôtre Dame
de Paris fosse desenhado esse maravilhoso labirinto. Indubitavelmente, tudo
isto nos convida à reflexão.
Orientar-nos não é coisa fácil. O labirinto das teorias
é mais amargo que a morte. Alguns autores dizem que os exercícios
respiratórios são magníficos e outros dizem que são
prejudiciais. Enquanto uns afirmam uma coisa, outros afirmam outra. Cada
escola presume possuir a verdade. Portanto, o labirinto é muito difícil.
Quando alguém consegue chegar ao labirinto, tem que enfrentar o Minotauro
cretense em luta corpo a corpo, isto é, tem de enfrentar seu próprio
Ego, o Eu, o Mim Mesmo, o Si Mesmo; e só se consegue sair do centro
do labirinto mediante o Fio de Ariadne, que deve conduzir-nos até
a luz.
Mas a maior parte das pessoas se perde nesse labirinto de tantas teorias,
de tantas escolas e de tantas confusões.
O que fazer para nos orientarmos? De que maneira? Obviamente, deve nos interessar
o Despertar da Consciência, só assim podemos verdadeiramente
caminhar com êxito dentro desse misterioso labirinto. Porém,
enquanto não tenhamos despertado, estaremos confundidos.
Alguns até se entusiasmam por estes estudos momentaneamente, e depois
os abandonam. Há aqueles que, com a cabeça recheada de teorias,
crêem haver descoberto o caminho secreto, ainda que andem bem adormecidos.
Parece incrível, mas há Mestres da Grande Loja Branca, verdadeiros
gnósticos no sentido transcendental da palavra, radicalmente despertos,
absolutamente auto-realizados, em linguagem alquimista diríamos: sujeitos
que já têm em seu poder a Gema Preciosa, e, no entanto, não
sabem ler nem escrever. São completamente analfabetos, mas auto-realizados
e despertos.
Em troca, vemos no caminho da vida, dentro das diversas escolas, organizações,
seitas, ordens, etc., sujeitos com a cabeça recheada de teorias, indivíduos
com rica erudição, mas com a consciência completamente
adormecida. São ignorantes ilustrados que não somente não
sabem, mas, o que é pior, sequer sabem que não sabem.
Estes se perdem, ao se cumprirem suas 108 existências, ingressam na
involução submersa dos Mundos Infernos. Mas eles crêem
que vão muito bem, por certo; quando se pergunta alguma coisa, demonstram
uma erudição surpreendente. Têm mentes fulgurantes, seus
conceitos são brilhantes, com provérbios luminosos, contundentes
e definitivos; mas, de que lhes serve tudo isto?
Antes de mais nada, necessitamos despertar, para saber como vamos nos orientar.
De que nos serviria ter a cabeça recheada de letras, se continuamos
com a consciência adormecida? Mais valeria sermos analfabetos, porém
despertos...
Inquestionavelmente, meus caros irmãos, a primeira coisa que precisamos
saber é que estamos adormecidos. Infelizmente, ainda que eu esteja
afirmando isto aqui e ainda que vocês aceitem que estão adormecidos,
ainda assim vocês não têm consciência de que estão
adormecidos, e isto é que é precisamente o grave!
Qualquer um pode saber que dois mais dois são quatro, porém
outra coisa é ter consciência de que dois mais dois são
quatro. Há verdades sumamente simples, que qualquer um as repete intelectualmente
e pensa que sabe, crê que tem consciência delas, mas não
tem...
Se queremos realmente despertar, temos que começar reconhecendo que
estamos adormecidos.
Quando alguém reconhece que está adormecido, é sinal
inconfundível de que já começa a despertar. Mas não
se trata de reconhecer intelectualmente, não. Qualquer um pode dizer
automaticamente: "sim, estou adormecido", mas outra coisa é alguém
estar consciente de que está adormecido, isto é diferente.
Existe uma grande diferença entre o intelecto e a consciência.
No mundo físico, temos que aprender a determinar associações
específicas, inteligentes, para a vida nos mundos superiores. Durante
o mal chamado "estado de vigília", estamos associados a todos os seres
humanos, seja através do trabalho, no lar, na rua, etc. Durante as
horas de sono, também existem associações, e estas são
o resultado específico daquelas que temos no mundo físico.
Por exemplo, se um sujeito vive nos bares, obviamente suas associações
serão com bêbados, e, nos mundos internos, durante as horas
de sono e depois da morte, sua vida será uma vida de bares, relacionado
com gente de botequim e vagabundos de todo tipo. Se alguém se associa
com ladrões e bandidos, nos mundos internos, durante as horas de sono,
viverá entre bandidos e ladrões.
Assim, portanto, nós devemos determinar, aqui e agora, no mundo físico,
o tipo de associações que queremos ter durante o sono e depois
da morte...
Estarmos associados aqui é conveniente para nós, porque o resultado
será que nos associaremos também durante as horas do sono e
depois da morte.
É muito bonito estar associado, durante as horas de sono, aqui mesmo,
neste templo, estudando os mistérios da vida e da morte. É
muito bonito estarmos dedicados ao estudo depois da morte, mas isto só
é possível se nos reunirmos freqüentemente.
Portanto, repito, nós mesmos devemos provocar o tipo de associações
que desejamos, nós mesmos devemos provocar o tipo de associações
que queremos ter durante as horas de sono e depois da morte. Compreendendo
isto, estabeleceremos bases muito fortes para o despertar da consciência...
Necessitamos aprender a viver, meus caros irmãos, porque acontece
que os seres humanos não sabem viver e isso é muito grave.
Não medimos o tempo, achamos que este veículo físico
vai durar uma eternidade, quando na realidade não dura quase nada,
logo se torna pó...
O teatro e o cinema são coisas que causam danos muito sérios
ao ser humano. Em outros tempos, por exemplo, na Babilônia, o teatro
era completamente objetivo. Tinha como único propósito o estudo
do Karma, e a ilustração que devia ser dada aos assistentes.
Os atores não aprendiam de memória nenhum papel; alguém
aparecia em cena sem se ter estudado qualquer papel; auto-explorava a si
mesmo sinceramente, com o objetivo de saber o que era que mais ansiava e
isso, o que mais ansiava, era o que falava.
Suponhamos que quisesse beber, então exclamava: "Tenho vontade de
beber!" Outro sujeito que aparecia por ali escutava aquela frase e se auto-explorava
para ver o que sentia em seu interior e, o que sentisse, respondia: "Eu não
quero beber, por causa do álcool fui parar na cadeia, por causa do
álcool estou na miséria..."
Um terceiro que aparecia (porque para isso tinham sempre um grupo de atores),
da mesma forma nunca dizia outra coisa diferente do que sentia no fundo de
sua consciência, algo que ele havia vivido, algo que se relacionasse
com o que os outros dois estavam falando.
Vamos supor: "Eu tive muito dinheiro, tive um lar maravilhoso, mulher, filhos,
mas, por estar bebendo vinho, vejam como fiquei, senhores!"
Em seguida aparecia uma pobre mulher outra artista: "Perdi meu filho por
causa da bebida, perdi meu filho por causa dessa maldito bebida...!"
Assim começava a se desenvolver um drama, uma cena improvisada, que
muitas vezes podia terminar na forma mais dramática.
Os notários escreviam tudo rigorosamente, não só o desenvolvimento
do drama em si mesmo, como até os resultados finais, e ainda selecionavam
depois o melhor de tal peça. Dessa maneira, chegavam a conhecer os
resultados kármicos de tal ou qual cena...
Havia muitas cenas, cenas de guerra, cenas de amor, mas em todas surgia sempre
o espontâneo, o natural, não algo que o intelecto podia inventar
artificialmente, não... O que surgia era aquilo que cada um dos atores
tinha vivido. Esta era a arte objetiva da Babilônia...
Então, realmente, meus caros irmãos, os fatores eram muito
diferentes. A música que se usava instruía devidamente o cérebro
emocional, era uma música especial.
Eles sabiam perfeitamente que no organismo humano existem, diríamos,
certos gânglios que se formaram com os sons do universo, e sabiam manejar
todos esses gânglios, todas essas partes do Ser, através de
diferentes combinações musicais. Assim, o cérebro emocional
era instruído através da música.
Vocês sabem que uma marcha de guerra nos dá vontade de marchar,
que uma música fúnebre nos põe a meditar, a refletir,
que uma música romântica traz lembranças de tempos idos,
de noites de amor, etc.
Eles sabiam combinar inteligentemente os sons para instruir sabiamente o
centro emocional. Vejam vocês que interessante!
O centro do movimento também recebia ensinamentos através de
danças sagradas. Essas danças eram importantíssimas
na Babilônia. Cada um dos movimentos equivalia a uma letra e o conjunto
de letras formava determinadas orações, determinadas teses,
determinadas antíteses, determinadas instruções, etc.
Assim, todo auditório recebia uma cultura riquíssima...
Era outro tipo de teatro. Os artistas não se chamavam artistas e sim
"orfeístas", termo que interpretado significava: sujeitos que sentem
com inteira precisão as atividades da Essência, da Consciência...
Depois da cultura greco-romana, o teatro degenerou. Os orfeístas desapareceram
e então surgiram os chamados "artistas cômicos", os atores.
Lembro-me muito bem de que há uns cinqüenta anos atrás,
pouco mais ou menos, os atores eram chamados vulgarmente de "comediantes"
e eram vistos com desprezo. Lá pela Idade Média, foi promulgada
uma lei que obrigava os atores a se barbear e a tirar todos os sinais de
masculinidade.
Qual era o objetivo? Em primeiro lugar, claro, eles deviam estar em condições
de se maquilar de acordo com o drama que tivessem que representar, mas, em
segundo lugar, queria-se, antes de tudo, diferenciá-los do resto das
pessoas. Sabia-se que esses atores modernos têm, diríamos, uma
irradiação perigosa, infecciosa, altamente hanasmussiana. Portanto,
barbeados e sem os sinais de masculinidade, os demais podiam evitar de passar
perto deles ou estender-lhes a mão.
Se observarem cuidadosamente a vida dos chamados "artistas de teatro", sentirão,
se forem um pouquinho sensitivos, ou poderão captar esse tipo de radiação
hanasmussiana que eles emitem e que infecciona a mente das pessoas.
Hoje esse costume já passou, já não há uma lei
neste sentido contra eles, já se lhes estende a mão, são
tratados de igual para igual e até existe quem os quer imitar... Assim,
eles podem destilar perniciosamente suas ondulações de hanasmussen
nas mentes de todas as pessoas.
Dói um pouquinho ter que declarar isto, porque há muita gente
que vive do drama e da interpretação, que são atores.
Mas temos de nos colocar no plano das realidades concretas.
As pessoas que já passaram dos cinqüenta anos se lembrarão
que até a metade do século ainda eram olhados com desdém,
eram tratados como simples cômicos ou comediantes etc. Claro, eles
abriram caminho e agora são considerados de igual para igual, mas
nem por isso deixam de emitir suas ondulações, que são
terrivelmente perigosas...
Naturalmente, eles aprendem seus papéis de memória, completamente
subjetivos, coisas que nunca existiram ou que existiram; dramas ou comédias
que podem ter ou não alguma realidade, mas que são somente
produções de suas mentes, e o honrado público, diante
dos palcos, dorme terrivelmente.
Quando digo "dormem", ponho este termo entre aspas, pois quero afirmar, de
forma enfática, que a Consciência dos que assistem entra no
mais profundo sopor do sono.
Inquestionavelmente, este tipo subjetivo de arte acaba com a possibilidade
das percepções reais.
Que é um Turya ? Turya é um homem que pode falar com seu próprio
Deus Interno, frente a frente.
Pois bem, este tipo de arte subjetiva realmente nos impede de chegar ao estado
de Turya, por isso é pernicioso.
Em nome da verdade, digo-lhes que, pessoalmente, não me agrada o cinema
nem a televisão.
Quando alguma vez, por curiosidade estive olhando alguma coisa na televisão,
depois tive um remorso de consciência espantoso, tive de proceder uma
limpeza de todos os elementares que se formaram em minha aura, e não
volto a ficar tranqüilo até eliminar o último deles.
Acontece que alguém, ao ver essas cenas, repete com a mente de forma
automática tudo o que está vendo, então tudo toma forma
na mente. Com a "essência da mente", como diria o sr. Leadbeater, formam-se
elementares, iguais aos que a pessoa viu na tela, e que roubam parte da própria
Consciência. Depois de se estabelecerem na mente, eles causam muito
dano. Repito: roubam uma parte da Consciência da pessoa e convertem-se
em criaturas vivas dentro da pessoa.
Depois de ter ficado olhando, repito, uma televisão ou um filme no
cinema tive de sofrer muito desintegrando os elementares que se formaram
em minha mente. No final consegui desintegrá-los, mas depois de muitos
TRABALHOS CONSCIENTES E PADECIMENTOS VOLUNTÁRIOS.
Por tal motivo, renunciei definitivamente à televisão e ao
cinema.
Explico a vocês tudo isto para que saibam se orientar, porque se alguém
quer verdadeiramente chegar a despertar, tem que saber viver. Se alguém
quiser se desenvolver conscientemente nos Mundos Internos, converter-se num
investigador competente da vida nos Mundos Superiores, obviamente terá
que promover suas próprias associações.
Associações como as que temos neste momento, estamos reunidos
em plena assembléia e isto é extraordinário. Estamos
dialogando sobre o despertar da Consciência e isto é magnífico,
porque estamos promovendo associações extraordinárias
nos Mundos Superiores.
Quando vocês forem para casa e seus corpos caírem adormecidos
em suas respectivas camas, obviamente sairão do corpo e, ao saírem
do corpo, voltarão a se reunir entre si da mesma forma como estão
reunidos esta noite aqui no físico. Assim se reunirão lá
no astral para a mesma coisa, para o estudo do despertar e, é claro,
receberão ajuda dos Mestres da Fraternidade Oculta.
Estão promovendo, portanto, associações extraordinárias
para os Mundos Superiores. Mas se vocês não estivessem aqui
e sim em um bar, em uma casa de jogos ou em um cabaré, à noite,
quando seus corpos dormissem, e a Essência de cada um de vocês
estivesse fora, isto é, com seus valores interiores fora do corpo,
se associariam novamente, mas já não seria para estudar o despertar
da Consciência.
Assim, a Consciência irá despertando e um dia ficará
completamente desperta. Uma vez despertada a Consciência, estaremos
suficientemente preparados para ver o caminho por nós mesmos, o caminho
que há de nos conduzir, realmente, à libertação
final.
Como poderíamos ver o caminho por nós mesmos se não
nos esforçássemos em despertar? Podem, por acaso, os adormecidos
ver o caminho?
Então, precisamos despertar, não é verdade? Quando alguém
desperta, compreende, compreende o que é; e faz um inventário
do que tem, do que lhe sobra e do que lhe falta. Muitas faculdades que alguém
acha que tem, não tem e muito que não sabe que tem, realmente
tem.
Mas alguém só vem a fazer este inventário de si mesmo
quando está desperto. Como um adormecido iria fazer um inventário
de si mesmo? Que sabe ele de si mesmo? Assim, pois, despertar é fundamental,
vital, mas, para despertar, há que saber viver!
Está escrito que "quem com lobos anda, a uivar aprende". Temos de
saber com quem andamos, qual é o tipo de associações
que iremos criar na vida prática, devemos saber selecionar nossas
amizades, porque isso é definitivo.
Conforme nos esmerarmos em viver inteligentemente, nossa consciência
irá se fazendo cada vez mais desperta, até que por fim poderá
algum dia despertar completamente. E ao despertar, poderemos nos dar conta
do lamentável estado em que nos encontramos.
O ser humano normalmente tem tão somente o corpo planetário.
Qual é o corpo planetário? O corpo físico com sua base
vital, é claro. Além do corpo físico, a única
coisa que existe é uma soma de agregados psíquicos inumanos,
nossos próprios defeitos psicológicos, assumindo, diríamos,
figuras alegóricas: ira, cobiça, inveja, orgulho, luxúria,
preguiça, gula, etc., etc.
Que é o que continua depois da morte? Uma soma de agregados psicológicos.
Se dizemos que depois da morte o que continua é um montão de
diabos, não estamos exagerando, é verdade!
Podemos chamá-los de ira, cobiça, inveja, etc., mas é
isso o que continua...
Certamente, não possuímos um centro permanente de Consciência.
A Essência está enfrascada em todos esses agregados inumanos.
Não há, pois, uma individualidade permanente no animal intelectual
equivocadamente chamado homem.
A individualidade é algo ainda para se conseguir. Se queremos nos
individualizar, devemos nos desegoistizar. Só mediante a desgoistização
é possível a individualização...
De que forma poderíamos nos desegoistizar? Eliminando os elementos
inumanos que levamos dentro. Como poderíamos eliminá-los? Só
depois de tê-los compreendido.
Podemos, por exemplo, saber que temos ira, mas não temos consciência
de que temos ira, e isso é diferente. Precisamos nos tornar conscientes
do processo da ira. A ira tem muitas metamorfoses, muitas causas. Existe
a ira pela língua, pela palavra, há ira pelo ânimo ou
pela mente. São diferentes formas de ira. Há aquelas que são
devidas ao amor próprio, alguém nos ofende o amor próprio
e sentimos ira. Existe iras provocada pelo ciúme, ataques de ira causados
pelo ódio, etc., etc.
Temos de investigar todos os aspectos da ira, não somente do ponto
de vista meramente intelectual.
Não se trata de investigar a ira de uma forma abstrata, mas a nossa
ira particular, o que é diferente.
Vamos pela rua e de repente alguém nos insulta sem motivo algum e
reagimos furiosos. É óbvio que ao chegarmos em casa devemos
refletir. Por que reagi daquela forma? Qual foi a causa causorum dessa reação?
Devemos nos tornar conscientes desse aspecto da ira.
Se outro dia qualquer tivermos um ataque de ira por causa de ciúmes,
teremos de refletir sobre esses ciúmes. Por que foram provocados aqueles
ciúmes? Assim conheceremos cada faceta do defeito. A mesma técnica
deve ser aplicada ou levada a todos os outros defeitos que temos dentro de
nós.
A eliminação só é possível com a ajuda
da Divina Mãe Kundalini. Alguém pode compreender que tem um
erro, um defeito psicológico, e, no entanto, continuar com ele; eliminação
é diferente! Só é possível eliminar um defeito
com a ajuda de Devi Kundalini.
O maior grau de poder de Devi Kundalini acha-se no sexo. Isto não
quer dizer que pelo motivo de um indivíduo não ter mulher ou
de uma mulher não ter marido, que não possam eliminar seus
erros. Claro, sempre contarão com a ajuda da Mãe Kundalini.
O que quero dizer é que a força principal da Mãe Kundalini
está no sexo. Se alguém tem a sorte de possuir uma esposa,
bem que poderão trabalhar na Forja dos Cíclopes e solicitar
a Devi Kundalini, em pleno trabalho, que elimine tal ou qual defeito psicológico
que tenha sido compreendido devidamente. Assim é como vamos morrendo
de instante a instante, de momento a momento.
Antes de tudo, é necessário que nos tornemos conscientes do
que significa a morte do Eu. A base, o fundamento, de qualquer progresso
se estriba na morte, porque só com a morte advém o novo.
Se o grão não morre, a planta não nasce...
Mas acontece que a maioria dos estudantes esoteristas se esquece da morte.
Só pensam em se aperfeiçoar, em adquirir poderes, etc., e se
esquecem da morte...
Se alguém vai ao cinema, isto significa que se esqueceu da morte,
não é verdade? Porque se alguém quer morrer em si mesmo,
não vai ao cinema, já não lhe interessa mais o cinema.
Eu nunca vi que um morto, que um cadáver dentro de um ataúde
se interessasse pelo cinema.
Se alguém está se divertindo lindamente com a televisão,
está demonstrando até a saciedade que se esquece da morte,
já que nenhum cadáver iria se sentar para ver televisão.
Isto de Auto-Realização é algo muito sério, não
se pode levar na brincadeira. Se é Auto-Realização o
que queremos, a base é a morte.
Na Igreja Gnóstica, podemos ver que nunca falta um grande ataúde.
Precisamente, uma das câmaras da Igreja Gnóstica é precisamente
a mortuária. Ali se poderá ver um formoso e belíssimo
ataúde, nas Lojas, também nunca falta um ataúde.
É lamentável que aqui não tenhamos um ataúde,
quando deveria haver um. Deveria estar, visível não? Porque
é muito importante...
Em todo o caso, o ataúde, ainda que pequeno, é um símbolo
vivo de que estamos dispostos a morrer, de que é necessário
Morrer para Ser. Não devemos esquecer a Morte.
Com justa razão, os monges de La Cartuja, na Espanha, têm uma
saudação muito especial: “hermanos, de morir tenemos”...
E responde o outro monge: “hermano, eso ya lo sabemos... Esta é
a sua saudação cada vez que se encontram: : “hermanos,
de morir tenemos"... “hermano, eso ya lo sabemos...
O que nos interessa não é a morte do corpo físico. Este
podemos perder ao sair de casa, a qualquer momento, na própria cama,
podemos cair da cama no chão e morrer, escorregar em uma casca de
banana em qualquer rua, matar-nos, isso não é importante. O
que nos interessa é a morte do Eu, do Mim Mesmo.
Esse Eu que temos por dentro nos torna horríveis. Se vocês estivessem
despertos, poderiam evidenciar o que estou dizendo. As radiações
que toda pessoa que tem o Eu carrega são bem semelhantes às
do Conde Drácula, são desagradáveis, sinistras, esquerdas.
Quando estou em meditação, por exemplo, e vem alguém
por aí que tem o Eu, de longe sinto suas sinistras vibrações,
que são as mesmas do Conde Drácula: desagradáveis, sinistras
esquerdas... O
Eu nos torna verdadeiramente imundos no sentido mais completo da palavra.
Assim, quando alguém consegue eliminar o Eu, desintegrar todos os
elementos inumanos que carrega dentro de si, fica radicalmente desperto,
cem por cento, isto é óbvio. Também é necessário
que nos vistamos com os Corpos Existenciais Superiores do Ser...
Vem-me à memória, nestes momentos, certa instrução
recebida em noites passadas. Ali, no mundo astral, tocou-me viver uma cena
muito interessante. Fizeram com que me sentisse como que perseguido, ainda
que estivesse consciente, os Veneráveis provocaram uma cena de perseguição...
De repente, eu estava encerrado em certa casa, fui visitado e todos eles,
os Veneráveis da Fraternidade Oculta, instruíram-me cantando
de forma deliciosa. Disseram-me que a perseguição da Lei (não
referindo-se às leis terrenas, mas às leis do Karma), somente
passa quando alguém não anda bem vestido, num belo carro e
com bastante dinheiro no bolso. Portanto, se vocês andarem bem vestidos,
num magnífico carro e com bastante dinheiro no bolso, acabaram-se
as perseguições...
Estou falando numa linguagem que vocês tem de saber entender... A que
carro se referiam os Veneráveis? Ao carro de Mercabah ! E o que é
este carro? Este carro é formado pelos quatro corpos: físico,
astral, mental, e causal. Este é o carro! Quando na Cabala vocês
ouvirem falar do Carro de Mercabah, saibam que se refere aos quatro corpos...
"Bem vestido".. Que se entende por um personagem bem vestido e com um belo
carro? Aquele que fabricou os Corpos Existenciais Superiores do Ser e que,
ainda mais, os cristificou. Este é um sujeito bem vestido!
E que "carrega um bom dinheiro no bolso"... O que se está afirmando?
Que tem capital cósmico!
Este capital se consegue fazendo boas obras, trabalhando pela humanidade...
É óbvio que ninguém vai perseguir um Mestre como o Conde
de Saint Germain... Como iriam os Senhores do Karma perseguir um Jesus de
Nazaré? Quem vai perseguir um Jesus de Nazaré?
Perseguem o "indigente", o infeliz que anda mal vestido, à pé,
todo enfraquecido e sem dinheiro...
Quem é "o infeliz, o indigente mal vestido"? O "mendigo", quem será?
Aquele que não fabricou os Corpos Existenciais Superiores do Ser;
Villegas e todo o que chega, Vicente e toda gente, Raimundo e todo o mundo...
Estes são vítimas da Lei!
Vocês não percebem? Vão para lá e para cá,
sempre na desgraça, nascem sem saber como e morrem sem saber porque,
sempre com uma venda nos olhos, do berço até a sepultura. Casam-se,
enchem-se de filhos, vivem na pobreza mais desgraçada, sempre infelizes,
sempre perseguidos.
Quando alguém se veste bem, tem um belo carro e bastante dinheiro
no bolso, se acabou a perseguição...
Quem perseguiria o Conde Cagliostro? Se o próprio e famoso Luiz XV
nada pôde contra ele...
Encerrou-o na Bastilha, sem dúvida, mas vocês acham que o Conde
ia ficar ali preso? Um homem que manejava os estados de Jinas? Por quanto
tempo ficaria ali? Estaria em Roma, em Paris, em Londres, por todas as partes,
menos na Bastilha. Quando saiu da Bastilha dois meses depois, saiu regiamente,
esplendidamente, cheio de ouro e diamantes, sorridente, alegre, diante das
multidões, (dez mil pessoas o carregaram sobre os ombros). Foi um
triunfador, não é verdade? Dizem que o colocaram na prisão
e que nela morreu. Isso é falso! Ninguém sabe o que aconteceu
com o Conde Cagliostro...
E que diremos do Conde de Saint Germain, de Altotas, o Grande Iniciado? Ainda
vive, sempre combatido, mas jamais vencido. De maneira que, irmãos,
vistamo-nos bem e tudo mudará.
Tenhamos um belo carro e teremos uma vida melhor.
Obviamente, teremos de fabricar este carro. Começaremos pelo corpo
astral. Para tanto, isso é necessário, para isso teremos de
utilizar o esperma sagrado.
Infelizmente, as pessoas comuns e correntes não sabem apreciar o valor
do esperma, o gastam, o extraem miseravelmente do seu organismo. Ali, no
entanto, é onde está todo o poder com o qual poderão
mudar a totalidade de sua vida e se converterem em Deuses, mas o jogam fora
como se fosse nada.
Eles mesmos se arruinam e se condenam à desgraça. Mas, ao transformar
esse esperma, ao convertê-lo em energia, as coisas mudam; porque é
com essa energia sutilíssima do sexo que vamos elaborar o corpo astral.
Uma vez forjado este corpo, formado, poderemos viajar com ele consciente
e positivamente.
Alguém sabe que tem um órgão quando o usa. Sabemos que
temos mãos e braços porque os movemos, sabemos que temos pés
porque caminhamos com eles, isso é óbvio... Assim também,
quando alguém se dá ao luxo de fabricar seu corpo astral, sabe
que o tem porque pode usá-lo, porque pode se mover com ele de forma
positiva, dinâmica.
Outro tanto ocorre com o mental, há que fabricá-lo através
da transmutação do esperma em energia. As pessoas não
têm uma mente própria, nós necessitamos criar uma mente
individual, própria, e somente pode ser criada através da transformação
do esperma em energia.
E por último fabricar o corpo da vontade consciente, para dirigir
todas as circunstâncias. Quem é vítima das circunstâncias,
não possui o corpo da vontade consciente. Temos que aprender a determinar
as circunstâncias, e não que as circunstâncias nos determinem.
Aquele que ainda é determinado pelas circunstâncias, é
como um lenho jogado nas embravecidas ondas do oceano, é uma vítima
de todas as calamidades.
Precisamos aprender a determinar as circunstâncias e isso só
é possível criando o corpo da vontade consciente. Cria-se tal
corpo com a transmutação do esperma em energia. É com
essa sutilíssima energia do Ser que se vai criar o corpo da vontade
consciente...
Estes quatro corpos, físico, astral, mental e causal, constituem o
carro. Estando o carro totalmente fabricado, falta que entre nele o condutor.
Quem é o condutor do carro? Nosso próprio Ser.
Mas o Ser não vai entrar em um carro que não existe; há
que criar o carro. Então, quando recebemos o Ser, Ele fica como um
Senhor em seu carro, um senhor bem vestido e com um magnífico carro.
Bem vestido com os Corpos Existenciais Superiores do Ser, com as vestimentas
sagradas, uma carruagem preciosa, já não se é vítima
das circunstâncias...
Quem chega a ter estes corpos, deve aspirar um pouco mais, deve cristificá-los.
(Muitas obras foram escritas sobre cristificação). Os corpos
cristificados são extraordinários. Qualquer sujeito que se
cristificou é de fato um Grande Senhor, que pode se dizer que está
bem vestido, que já deixou de ser vítima das circunstâncias
e de ser perseguido pelas leis do destino, se converte em um Senhor, Senhor
no sentido mais completo da palavra...
Em outra época, a humanidade vivia de acordo com certo princípio,
que permitia conservar o corpo físico até o momento em que
se tivesse fabricado os Corpos Existenciais Superiores do Ser, mas é
que então a humanidade cumpria com o Dever Cósmico. Qual é
o dever cósmico? VIVER SEMPRE DESPERTO!
Um indivíduo que lê um livro a quinhentos quilômetros
por hora, de página a página, e diz: "já sei de tudo",
está arruinando seu cérebro intelectual, não está
cumprindo com o Dever Cósmico
Em nome da verdade, digo isto a vocês: eu quando estudo uma obra, reflito
profundamente no parágrafo que estou estudando, medito nesse parágrafo
e não passo ao seguinte até ter-me feito consciente dele. Se
não o compreendi, não prossigo porque é absurdo. Assim,
pois, temos de nos tornar conscientes do que lemos. Isto é parte do
Dever Cósmico...
Em seguida, temos o Centro Emocional... Deixar-se levar por emoções
violentas é absurdo. Nas arenas de touros vê-se cenas escandalosas:
mulheres que no desenfreio de suas paixões tiram suas roupas internas,
seus sapatos, e os jogam aos toureiros, ficam completamente loucas; homens
fazendo barbaridades e por fim carregando o toureiro nos ombros, como se
fosse um grande senhor, quando não é mais do que um pobre tonto...
Nas partidas de futebol são vistas coisas horrendas. Muitas vezes
os futebolistas terminam a partida numa batalha campal. Por que? Se examinarmos
o motivo, veremos que é imbecil, absurdo.
Há aqueles que justificam o futebol, alguns dizem que devemos o futebol
aos antepassados, que os astecas já o jogavam... Há quem diga:
sim, aqui era onde tinham as bilheterias, onde vendiam as entradas, e isso
é falso!
A bola de futebol representava o sol para os astecas e quando eles jogavam,
estavam representando a luta da luz contra as trevas, era um movimento ritual,
previamente estudado...
Vejam vocês aqui este quadro que temos na ara. No solo, as lousas brancas
e negras representam a luta entre a luz e as trevas. Assim, também
o jogo de pelota entre os astecas era uma Liturgia previamente estudada.
Cada movimento correspondia à Liturgia, não havia movimentos
a esmo, todos eram previamente traçados. Com todos esses movimentos,
simbolizava-se ou alegorizava-se a luta entre os poderes da luz e os das
trevas.
Um jogo similar foi estabelecido nas catedrais góticas da Idade Média,
na Europa. Tal jogo realizava-se exatamente dentro das catedrais e era parte
da liturgia dirigida pelo padre; simbolizava a luta entre os poderes da luz
e os das trevas.
Agora, esse joguinho tonto dos futebolistas não tem tradição
alguma exceto a de um pobre tonto da Inglaterra a quem ocorreu um dia encher
de ar uma bexiga, dessas de rês, depois de borracha, e após
tê-la inflado, depois que o globo estava inflado, envolveu-o num pedaço
de couro, costurou-o e pôs-se a dar chutes. Em poucos dias, aconteceu
que por todas as partes de Londres a imprensa protestava porque muitas senhoras
tinham seus chapéus derrubados por tais bolas, os vidros das janelas
quebravam, etc. A polícia interveio, mas não foi possível
acabar com esse vício, que se propagou mundialmente. Agora, "é
muito sério", tornou-se "sério". Tornar sério a tolice
de um vagabundo, de um tipo que não tinha trabalho em Londres? Esta
é uma das coisas mais estúpidas!
Pergunta: Com que elementos vamos formar os Corpos Existenciais Superiores
do Ser?
Resposta: Com o Mercúrio. Para a formação dos Corpos
Existenciais Superiores do Ser, o Mercúrio só serve se antes
foi fecundado pelo Enxofre. É necessário que o Mercúrio
seja fecundado pelo Enxofre. Isso é tudo.
Samael Aun Weor
Samael Aun Weor