CRISTO CÓSMICO E O CRÍSTO HISTÓRICO
A instituição da Eucaristia na Última Ceia -
Salvador Dali - 1954
Antes de mais nada, é necessário compreendera fundo o que é realmente o Cristo Cósmico.Urge saber, em nome da verdade, que Cristo não é algomeramente histórico. As pessoas estão acostumadas a pensarem Cristo como um personagem histórico, que existiu faz mil novecentose setenta e nove anos . Tal conceito é equívoco, porque oCristo não é do tempo, o Cristo é atemporal. O Cristose desenvolve de instante em instante, de momento em momento. Cristo emsi mesmo é Fogo Sagrado, o Fogo Cósmico Universal.
Se nós riscamos um fósforo, brotará o fogo, oscientistas dirão que o fogo é resultado da combustão;mas isto é falso, o fogo que brota dentro do fósforo estácontido no fósforo, só que com a fricção liberamossua prisão e aparece. Poderíamos dizer que o fogo em si mesmonão é resultado da combustão, melhor seria dizer quea combustão é o resultado do fogo.
Convém entender, meus caros irmãos, que o que mais interessa, é o fogo do fogo, a chama da chama, a assinatura astral do fogo.A mão que move o fósforo para que apareça a chama,sem fogo, tem fogo, vida, senão não poderia mover-se; depoiseu o fósforo se apaga, a chama continua existindo na Quarta Vertical. Os cientistas não sabem que coisa é o fogo. Utilizam-no mas desconhecem-no.
Tampouco sabem o que é a eletricidade, a utilizam, mas não a conhecem. Assim, meus queridos irmãos, convém que vocês entendam que coisa é o fogo. Antes que a Aurora da Criação vibrasse intensamente, o fogo fez a sua aparição.
Recordem, meus queridos irmãos, que há dois unos: o Primeiro Uno e Aelohim e o Segundo Uno é Elohim. O Primeiro Uno éImanifestado, o Incogniscível, a divindade que não se podepintar, nem simbolizar, nem burilar. O Segundo Uno brota do Primeiro Uno,e é o Demiurgo Arquiteto do Universo, o Fogo.
Quero que entendam que um é o fogo que arde na cozinha, ou no altar, e outro é o fogo do espírito como Aelohim ou comoElohim. Elohim é pois o Demiurgo, o Exército da Voz, a GrandePalavra. Cada um dos Construtores do Universo são chamas vivas,fogo vivo; escrito está que Deus é um fogo devorador.
O Fogo é o Cristo, o Cristo Cósmico. Elohim em si mesmo brotou de Aelohim. Elohim em si mesmo se desdobra, para iniciar a manifestação cósmica, no Dois, em sua esposa, na Mãe Divina, e quandoo Uno se desdobra em Dois, surge o Três que é o fogo. As criaturas do fogo fazem fecundo ao Caos, para que surja a vida. Sempre que o Unose desdobra no Dois, o Terceiro aparece, o fogo. O fogo faz fecundas aságuas da existência, e então o Caos se converte no “Andrógino Divino.”
Assim, convém entender, que o Exército da Voz, o Exército da Palavra, é fogo, e que esse fogo vivo, esse fogo vivente e filosofal que faz fecundar a matéria caótica, é o Cristo Cósmico, o Logos, a Grande Palavra, mas para que o Logos apareça, para quevenha a manifestação, o Uno deve desdobrar-se no Dois, istoé, o Pai se desdobra na Mãe, e da união dos opostosnasce o Terceiro, o Fogo. Esse Fogo é o Logos, o Cristo que fazpossível a existência do Universo na Aurora de qualquer criação.
Convém que entendamos melhor o que é o Cristo. Que não nos contentemos em recordar a questão meramente histórica.Porque o Cristo é uma realidade de instante em instante, de momentoem momento, de segundo em segundo; ele é o Criador. O Fogo tem opoder de criar os átomos e de desintegrá-los, o poder paramanejar as forças cósmicas e universais, etc. O Fogo temo poder para unir todos os átomos e criar universos, como o poderpara desintegrar universos. O mundo é uma bola de fogo, que se acendee apaga segundo leis.
Assim, o Cristo é o fogo, por isso sobre a cruz vocês verão as quatro letras: “Inri”, que significa “Ignis Natura Renovatur Integram”,“o Fogo que renova incessantemente a natureza”.
Agora creio que vocês vão entendendo porque o que nos interessa é a assinatura astral do fogo, a chama da chama, o oculto, o aspecto esotérico do fogo. E é que em realidade o fogo é crístico, tem o poder para transformar tudo o que é, tudo o que foi e tudoo que será. “Inri” é o que nos interessa, sem “Inri” nãoé possível que nós nos cristifiquemos.
Dizia-lhes que o Cristo Íntimo, o Cristo Cósmico, temque dar três passos de cima para baixo, através das Sete Regiões do Universo. Também lhes disse que o Cristo deve dar trêspassos, de baixo para cima. Eis aqui o mistério dos três edos sete passos da Maçonaria. É uma lástima que osirmãos Maçons hajam esquecido isto; em todo caso o Crestos,o Logos, resplandece no Zênite da Meia Noite Espiritual. Como noOcaso ou no Oriente, e cada uma dessas três posiçõesé respeitada nas Sete Regiões. O místico que se guiapela estrela da Meia Noite, pelo Sol Espiritual, sabe o que significam esses três passos dentro das Sete Regiões. Pensamos também no Sol, no raio e no fogo, eis aqui as três luzes, os trêsaspectos dos Logos nas Sete Regiões.
Quando o Uno se desdobra em Dois, surge o Terceiro, e este éfogo, que cria e volta novamente a criar. Este Terceiro pode criar como poder da Palavra, com a Palavra Solar ou a Palavra Mágica, oua Palavra do Sol Central, assim cria o Logos.
É por meio do fogo que nós podemos cristificar-nos; inutilmente haverá nascido o Cristo em Belém, se não nasce emnosso coração também. Inutilmente haverá sidocrucificado e morto, e ressuscitado na Terra Santa, se não nasce,morre e ressuscita também em nós.
Necessitamos encarnar o Crestos Cósmicos, o espírito do fogo, fazê-lo carne em nós; enquanto não o hajamosfeito, estaremos mortos para as coisas do espírito, porque ele éa vida, é o Logos, é a Grande Palavra ... Heru Pa Kroat.Ele é Vishnu. A palavra Vishnu vem de uma raiz que é “Vish”, que significa penetrar. Ele penetra em tudo o que é, foi e será. Necessitamos que penetre em nós, para que nos transforme radicalmente. Só por meio do fogo lograremos aniquilar o Ego. Quem pretenda aniquilar o Ego só com o intelecto, marcha pelo caminho do erro.
Obviamente, necessitamos auto-conhecer-nos, se é que queremos cristificar-nos, e se queremos auto-conhecer-nos para lograr a cristificação, necessitamos auto-observar-nos, ver-nos a nós mesmos, sópor esse caminho será possível chegar a um dia à desintegração do Ego. O Ego é a soma total de todos os nossos defeitos: Ira, Cobiça, Luxúria, Inveja, Orgulho, Preguiça, Gula, etc, etc, etc.Ainda que tivéssemos mil línguas para falar e um palato deaço, não conseguiríamos enumerar todos os nossos defeitoscabalmente.
Dizia que necessitamos auto-observar-nos para auto-conhecer-nos, porque se observarmos a nós mesmos, descobriremos nosso defeitos psicológicos e poderemos trabalhar sobre eles. Quando alguém admite que tem uma psicológica, começa a observar-se, e isto o converte de fato em uma criatura diferente.
Quero que entendam, meus queridos irmãos gnósticos, anecessidade de aprender a observarem a si mesmos, a verem a si mesmos.Mas há que saber observar-se, porque uma coisa é a observaçãomecânica e outra a observação consciente.
Alguém que conhecesse pela primeira vez nossos ensinamentos diria: Mas, que ganho em auto-observar-me? Isto é aborrecedor. Vi que tenho ira, vi que tenho ciúmes, e daí? Está claro que assim é a observação mecânica. Nós necessitamos observar o observado, repito, necessitamos observar o observado. E istojá é observação consciente de nós mesmos.
A observação mecânica de nós mesmos não nos conduzirá jamais a nada, é absurda, inconsciente, estéril. Necessitamos a auto-observação consciente de si mesmo. Só assim poderemos verdadeiramente auto-conhecer-nos, para trabalhar sobrenossos defeitos.
Se sentimos ira em um dado instante, vamos observar o observado, a cena de ira. Não importa que o façamos mais tarde, mas vamos fazê-lo. E ao observar o observado, o que vimos em nós, saberemos realmente se foi ira ou não foi, porque pode haver acontecido alguma síncope nervosa que tomamos por ira. Se fomos invadidos pelos ciúmes, vamos observar o observado. Que foi o que observamos? Talvez a mulher estavacom outro sujeito. E se é mulher, talvez viu seu homem com outramulher e sentiu ciúmes. Em todo caso, muito serenamente e em profundameditação, observaremos o observado para saber realmentese existiram ou não os ciúmes.
Ao observar o observado, o faremos por meio da meditação e da auto-reflexão evidente do Ser, assim a observação se torna consciente. Quando alguém se faz consciente de tal ou qual defeito de tipo psicológico, pode trabalhá-lo com o fogo.
Teria a pessoa que concentrar-se em Stella-Maris, Tonantzin, Rea, Cibeles, Maria, etc. Ela é uma parte de nosso Ser, mas derivado. Éa serpente ígnea de nossos mágicos poderes; a Cobra Sagrada,fogo ardente. Ela, com seus poderes flamígeros, poderá desintegrar o defeito psicológico, o agregado psíquico que nóshajamos auto-observado conscientemente. E é obvio que por sua vez,a essência ou fogo engarrafado no agregado psíquico que desintegremos,resplandecerá, será liberado. E a medida que formos desintegrandoos agregados, as porcentagens de essência, que é o fogo crístico,se multiplicarão; e um dia, o fogo resplandecerá dentro denós mesmos, aqui e agora.
Necessitamos que o fogo arda em nós, só Inri, nome sagrado posto sobre a cruz do mártir do Calvário, pode quebrantaros agregados psíquicos. Aqueles que pretendam desintegrar todosesses agregados sem ter em conta o fogo, marcham pelo caminho errado, enão apenas andam mal, como também extraviam os outros.
Diz-se que o Crestos nasceu na aldeia de Belém, faz mil novecentos e setenta e nove anos, o que é falso, porque a aldeia de Belém não existia naquela época. Belém tem uma raiz caldéia, Bel, e Bel é o fogo, a Torre de Fogo dos caldeus. Em nosso corpo,a torre é a cabeça e o pescoço, porque o resto docorpo é o Templo. Que logrou elevar o fogo sobre si mesmo, quemo possa levantar até a cabeça, até o cérebro,até o topo, de fato poderá converter-se no corpo do Crestos,o fogo, o espírito do fogo.
E é o espirito original, primogênito, quem poderá cristificar-nos totalmente. É o fogo, “Fohat”, ardendo dentro denós mesmos, quem nos transformará radicalmente. Uma vez queo fogo arda dentro de nós, seremos totalmente mudados, seremos convertidosem criaturas plenamente diferentes, seremos convertidos em seres distintos,e então gozaremos da iluminação plena e dos poderescósmicos. Assim, entendam isto, meus caros irmãos, que devemostrabalhar com o fogo.
Ao que sabe, a palavra dá poder, ninguém a pronunciou, ninguém a pronunciará, senão apenas aquele que o tem encarnado.
O Cristo, o espírito do fogo, não é um personagem meramente histórico, é o Exército da Palavra, é uma força que está além da personalidade, do Ego eda individualidade. É uma força como a eletricidade, comoo magnetismo, um poder que pode originar novas manifestações.Esse fogo cósmico entra no homem que está devidamente preparado,no homem que tenha essa Torre de Belém ardendo.
Quando o Cristo encarna em um homem, este se transforma radicalmente. É o menino Deus que deve nascer em cada criatura. Assim como elenasceu no Universo faz milhões de anos, para organizar totalmenteeste sistema solar assim também deve nascer em cada um de nós.
Ele nasce no estábulo de Belém, isto é, entre os animais do desejo, entre os agregados psicológicos que necessitaquebrantar; porque só o fogo pode quebrantar tais agregados. Assim,o fogo aparece onde estão esses agregados para destruí-los,para torná-los poeira cósmica, e liberar a alma, a essência.Como poderia ele liberar a alma se não penetrasse profundamenteno organismo humano?
No Oriente, Cristo e Vishnu, e repito, a raiz Vish significa penetrar. O fogo, o Cristo, o Logos, pode penetrar profundamente no organismo humano para queimar as escórias que temos dentro; mas necessitamos amaro fogo, render culto a chama.
Por isso, em nossos trabalhos de concentração, devemos invocar a Serpente ígnea de nossos mágicos poderes; porquesó com o fogo podemos quebrantar todos os elementos psíquicosindesejáveis que em nosso interior carregamos. O frio lunar nuncapoderá quebrantar os agregados psíquicos, necessitamos dospoderes flamígeros do Logos. Necessitamos do Inri para transformar-nos.
Meus caros irmãos, entendam o que é a Semana Santa, ea Semana Santa tem sete dias. Nos tempos antigos, tudo se regia pelo calendário solar: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter eSaturno.
Os dias eram: Segunda Feira (Lunes), Quarta Feira (Miercoles), Sexta Feira (Viernes), Domingo, Terça Feira (Martes), Quinta Feira (Jueves) e Sábado. Desgraçadamente o calendário foi alteradopor pessoas fanáticas na Idade Média.
A Semana Santa é profundamente significativa. Recordem os sete e os três passos da Maçonaria. O Cristo deve arder, antesde mais nada, em nosso corpo humano. Mais tarde a chama deve depositar-seno fundo da alma. E por último, no fundo do espírito. Estestrês passos através das Sete Esferas são profundamentesignificativos. Obviamente, estes três passos, básicos, fundamentais,se acham contidos nas Sete Esferas do mundo e do Universo.
Inquestionavelmente, a Semana Santa tem raízes esotéricas muito profundas porque o iniciado deve trabalhar sobre as forçaslunares, sobre as forças de Mercúrio, com as forçasde Vênus e do Sol, de Marte, de Júpiter e de Saturno. O Logosse desenvolve em Sete Regiões e de acordo com os sete planetas dosistema solar.
A chama deve aparecer no corpo físico, deve avançar no corpo vital, deve prosseguir seu caminho pela senda astral, deve continuar sua viagem pelo mundo da mente, deve chegar a esfera de Vênus oumundo causal; deve continuar ou prosseguir pelo mundo búdico ouintuicional, e por último, no sétimo dia, haverá chegadoao mundo do Atman, ao mundo do espírito; então o Mestre receberá o Batismo de Fogo, que o transformará radicalmente.
Obviamente, todo o Drama Cósmico, tal como está escrito nos quatro Evangelhos, deverá ser vivido dentro de nós mesmos, aqui e agora. Isso não é algo meramente histórico,é algo para viver aqui e agora.
Os três traidores que crucificam o Cristo, que o levam para amorte, estão dentro de nós mesmos; os Maçons os conhecem,os Gnósticos também os conhecemos: Judas, Pilatos e Caifás. Judas, o demônio do desejo, que nos atormente. Pilatos e o demônio da mente, que para tudo tem desculpas. Caifás é o demônio da má vontade, quem prostitui o altar.
Estes são os três traidores que entregam ao Cristo portrinta moedas de prata. As trinta moedas representam todos os víciose paixões da humanidade ... Trocam o Cristo pelas garrafas da cantina,trocam o Cristo pelo prostíbulo, ou pelo leito de Procusto, trocamo Cristo pelo dinheiro, pelas riquezas, pela vida sensual, o vendem portrinta moedas de prata.
Irmãos, recordem que a multidão de pessoas pede a crucificação do Senhor, todas essas multidões gritam: crucifica, crucifica !Essas pessoas não são as de faz mil novecentos e setentae nove anos, não! Essas pessoas que pedem a crucificaçãodo Senhor, estão dentro de nós mesmos, repito, aqui e agora.São os agregados psíquicos inumanos que em nosso interiorcarregamos, são todos esses elementos psíquicos indesejáveisque levamos dentro, os demônios vermelhos de Seth, viva personificaçãode todos nossos defeitos de tipo psicológico. São eles osque gritam: crucifica, crucifica. E o Senhor é entregue àmorte.
Quem são os que o açoitam? Não são acaso todas as multidões que levamos em nosso interior? Quem sãoos que lhe cospem? Não são todos esses agregados psíquicos que personificam nossos defeitos? Quem são os que põem sobre ele a coroa de espinhos? Não são acaso esses engendros doinferno que nós criamos?
O acontecimento da história crística não é de ontem, é de agora, é presente, não meramente umpassado como crêem os ignorantes ilustrados. Mas aqueles que compreendam,trabalharão para a cristificação.
O Senhor é elevado ao Calvário, e sobre o cume majestoso do Calvário dirá: “O que em mim crê nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida, eu sou o pão da vida,eu sou o pão vivo, o que come a minha carne e bebe o meu sangue,terá a vida eterna, e eu o ressuscitarei no dia póstero.O que come a minha carne e bebe o meu sangue em mim mora, e eu nele”. OSenhor não guarda rancores de ninguém... “Meu pai, em tuasmãos encomendo meu espírito”! Pronunciada esta grande palavra,não se escutarão senão raios e trovões, emmeio a grandes cataclismos interiores. Cumprido este trabalho do espíritono corpo, será depositado o Cristo ou “Crestos”, o Christus, Vishnu,o que penetra, em seu sepulcro místico.
E eu vos digo em nome da verdade e da justiça, que ao terceiro dia depois disto, depois do terceiro ato, será levantado, ressuscitado no iniciado para o transformar em uma criatura perfeita. Quem o consigase converterá de fato em um Deus, terrivelmente divino, mais além do bem e do mal.
Assim, o Cristo, o Nosso Senhor, o Espírito do Fogo, desce; quer entrar em cada um de nós para transformar-nos, para salvar-nos,para quebrantar esses agregados psíquicos que em nosso interiorlevarmos, para fazer de nós algo distinto, para converter-nos emDeuses.
Temos que aprender a ver o Cristo, não meramente do ponto devista histórico, mas como o fogo, como uma realidade presente, como“Inri”.
É dito que tinha doze apóstolos, esses doze apóstolos estão dentro de nós mesmos, aqui e agora. São as doze partes fundamentais de nosso próprio Ser, as doze potestades dentro de cada um de vocês, em seu próprio Ser interior profundo...
Há um Pedro, que se entende com os Mistérios do Sexo.Há um João, que representa o Verbo, a Grande Palavra, HeruPa Kroat. Há também um Tomás, que nos ensina a manejara mente. Há um Paulo, que nos mostra o caminho da Sabedoria, dafilosofia, da Gnose.
Dentro de nós mesmos está também Judas; não aquele Judas que entrega o Cristo por trinta moedas de prata, não! Um Judas diferente, um Judas que entende a fundo a questão do Ego. Um Judas cujo Evangelho nos leva a dissolução do mim mesmo, do si mesmo.
Há um Felipe que é capaz de ensinar-nos viajar fora do corpo físico, através do espaço. Há um André, que nos indica com precisão meridiana o que são os três fatores da Revolução da Consciência. Nascer, isto é, como se fabricam os corpos existenciais superiores do Ser. Morrer, comose desintegram os fatores particulares que se relacionam conosco, especificamene e com cada um de nós. Sacrificar-se pela humanidade, a cruz de Santo André, indicando a mescla do Enxofre e do Mercúrio, tão indispensável para a criação dos corpos existenciais superiores do Ser, mediante o cumprimento do “Dever Parlok”, é profundamentesignificativo.
Mateus, cientista como nenhum, existe em nós, nos ensina a ciência pura, desconhecida para os cientistas, que só conhecem toda essapodridão de teorias universitárias, que hoje estãona moda e amanhã passam a história. Ciência pura ecompletamente diferente. Só Mateus pode instruir-nos nela.
Lucas com seu Evangelho solar, é profeta, e nos indica o quehá de ser a vida na Idade de Ouro.
Cada um dos doze estão dentro de nós mesmos, porque nosso Ser tem doze partes fundamentais, os doze apóstolos, aqui e agora. Assim, os que querem chegar a ser magos, no sentido transcendental da palavra, tem que aprender a relacionarem-se consigo mesmos, com cada uma das dozepartes do Ser, e isto só é possível queimando como “Inri”, os agregados psicológicos que em nosso interior carregamos.Enquanto o Ego exista em nós, as corretas relaçõescom todas e cada uma das partes de nosso Ser, serão impossíveis.
Mas se nós incineramos o Ego, então poderemos estabelecer corretas relações conosco, e com cada um dos doze, que existem em nosso interior.
Assim, tirem da cabeça a idéia dos doze apóstolos históricos ... Busquem-nos dentro de vocês mesmos, aí estão. Tudo está dentro de nós mesmos, aqui e agora.
Chegou a hora de um Cristianismo mais esotérico, mais puro, mais real. Chegou a hora de sair da questão meramente históricae passar à realidade dos fatos.
A própria Cruz do Calvário, é profundamente significativa. Bem sabemos que o “Phalus” vertical dentro do “Cteis” formal, faz cruz.Em outras palavras, enfatizaremos dizendo: o Lingam-Yoni, corretamenteconectado, forma cruz.
E com essa cruz que necessitamos avançar pelo caminho que há de conduzir até ao Gólgota do Pai; e convido-os, a todos,a entrar no caminho da cristificação.
Não esqueçam que cada vez que o Senhor de compaixão vem ao mundo, é odiado por três classes de homens. Primeiro, pelos anciãos, as pessoas cheias de experiência. Estas dizem: “este homem está louco, vejam o que traz, não ouçam o que está dizendo, não está de acordo conosco, como que pensamos, temos experiência, esse homem prejudica, faz dano”. Segundo, é rechaçado pelos escribas, isto é, pelosintelectuais da época. Cada vez que o Senhor de Glória veioao mundo, os intelectuais estiveram contra ele, odeiam-no mortalmente,porque não cabe dentro de suas teorias, significa um perigo paraseu sistema, para seus sofismas, etc. Terceiro, pelos sacerdotes, porquetodos eles vêm nele uma perigo para sua respectiva seita.
Assim, em nome da verdade, digo-lhes que o Cristo é tremendamente revolucionário, rebelde, é o fogo que vem queimar toda apodridão que carregamos dentro. É o fogo que vem reduzira cinzas nossos pré-julgamentos, nossos preconceitos, nossos interessescriados, nossas abominações, e até nossas experiênciasde tipo pessoal.
Por acaso vocês acreditam que o Cristo poderia ser aceito pelos milhões de seres humanos que povoam o mundo? É um equívoco. Cada vez que ele vem ao mundo, levantam-se as multidões contra ele, esta é a crua realidade dos fatos.
Estou falando da Semana Santa, digo em nome da Verdade e da Justiça que só o “Fohat”, ardendo em nosso interior, poderá salvar-nos.
Nenhuma teoria, nenhum sistema poderá levar-nos a liberação. Os que pretendam quebrantar o Ego a base de puras teorias, com o frio intelecto, são seres meramente reacionários, conservadores, retardatários, e marcham pelo caminho do grande equívoco.
Esta Babilônia que levamos dentro, esta cidade psicológica que em nosso interior carregamos, onde vivem os demônios da ira,da cobiça, da luxúria, da inveja, do orgulho, da preguiça, da gula, etc, etc, etc, deve ser destruída com o fogo.
Necessitamos levantar agora mesmo dentro de nós mesmos a Jerusalém Celestial. Recordem que são doze os cimentos da JerusalémCelestial. E que em cada um deles, está escrito o nome de algumapóstolo, os nomes dos Doze Apóstolos estão nos dozecimentos. Essa Jerusalém devemos edificá-la dentro de nósmesmos. Mas apenas será possível algum dia, em que com ofogo destruamos a Grande Babilônia, a mãe de todas as abominaçõese fornicações da Terra, a cidade psicológica que emnosso interior carregamos. Quando o logremos, edificaremos a JerusalémCelestial aqui e agora, dentro de nós mesmos.
Repito, a base dessa Jerusalém Celestial são os Doze Apóstolos. Não estou referindo-me aos que viveram faz mil novecentos e setenta e nove anos, que são meramente simbólicos. Estou falandodos Doze Apóstolos que existem dentro de nós mesmos. As dozepartes do Ser, auto-conscientes e independentes, eles são o fundamentoda Jerusalém que nós devemos edificar dentro de nósmesmos.
A cidade de Jerusalém tem doze portas e em cada uma das dozeportas há um anjo, que representa a cada um dos doze, dentro denós mesmos. E as doze portas são doze pedras preciosas, sãodoze portas de liberdade, doze portas de luz e de esplendor, doze poderescósmicos. E a cidade toda é ouro puro, suas ruas, suas avenidas,suas praças. O ouro do espírito que nós devemos fabricarna forja dos Cíclopes
A cidade não tem necessidade de luz externa, sol externo, oulua externa; porque o Senhor é sua luz, é o fogo, ele arderá dentro de nós mesmos.
O muro da grande cidade tem cento e quarenta e quatro (144) côvados, e se somamos essas cifras entre si, temos: um, mais quatro, mais quatro,o que é igual a nove (9), a Nona Esfera, o Sexo, porque sómediante a transmutação da energia criadora, podemos fazerarder o fogo em nós.
O tamanho da cidade é de doze mil (12.000) estádios, e nos recorda os Doze Trabalhos de Hércules, necessários para lograr a completa realização íntima do Ser. E nosrecorda os Doze Aeons, nos recorda os Doze Apóstolos.
E no centro da cidade está a Árvore da Vida, os Doze Sefirotes da Cabala Hebraica: Hether, Chokmah e Binah, a coroa Sefirótica,Geburah, Tipneret, Netsah, Hod, Jesod e Malchut, as Sete Regiõesdo Universo. A Árvore da vida alegoriza as doze grandes regiõescósmicas. Ditoso o que chegue ao Aeon Treze, onde deve estar semprePistis Sophia.
Dentro da Jerusalém Celestial achamos, também aos Vinte e Quatro Anciãos, que prostrados na terra depositam suas coroasaos pés do Cordeiro, esse Cordeiro imolado que é o fogo quearde em todo este Universo, desde a Aurora da Criação, desdeo amanhecer deste Universo. Os vinte e quatro Anciãos sãotambém vinte e quatro partes de nosso próprio Ser, e o próprioCordeiro, é o Ser de nosso Ser.
Ditoso quem possa alimentar-se com os frutos da Árvore da Vida, porque será imortal. Ditoso aquele que pode alimentar-se com cadaum desses frutos. Aquele que possa em verdade nutrir-se com essa correntede vida, que vem desde o Aeon Treze até o corpo humano, porque jamais conhecerá enfermidades e se fará imortal.
Mas para que alguém possa nutrir-se com a Árvore da Vida, necessitará antes de mais nada haver eliminado os agregados psíquicos. Recordem que esses agregados psíquicos, viva personificação de nossos erros, alteram o corpo vital, e alterado este, é prejudicado o corpo físico, assim surgem as enfermidades em nós.
Que é o que produz as úlceras, não é acaso a ira?
Que é o que produz o câncer, não é acasoa luxúria?
Que é o que produz a paralisia, não é acaso a vida materialista, grosseira, egoísta e fatal?
As enfermidades são produzidas pelos agregados psíquicos ou demônios vermelhos de Seth, viva personificaçãode nossos erros. Quando todos os demônios vermelhos de Seth hajamsido aniquilados com o fogo, quando até nossa própria personalidade haja sido queimada, então nos nutriremos com a Árvore daVida. A Vida descendo desde o Absoluto através dos Treze Aeons,penetrará em nosso corpo e nos fará imortais, a saúdeserá recobrada, jamais se voltará a ter enfermidades.
De nada servem os cientistas com todas suas ciências para curar, se eles curam e o paciente volta a adoecer. É claro que o Ego injeta o veneno de sua morbosidade e podridão dentro dos órgãos e os destroi, aí está a origem de todas as enfermidades.As pessoas querem uma panacéias para curar-se, mas enquanto tenhamo Ego vivo, viverão doentes.
Chegou a hora de entender que necessitamos queimar a Babilônia, dentro de nós mesmos, e edificar a Jerusalém.
A Jerusalém Celestial vista desde longe, é como uma pedra de jaspe transparente, como o cristal, é a Pedra Filosofal. Ditoso o que consiga a Pedra Filosofal, porque se transformará radicalmente e terá poderes sobre o fogo, sobre o ar, sobre as águas esobre a terra.
Necessitamos um Cristianismo puro, esotérico, um Cristianismo vivo, não um Cristianismo morto. Um Cristianismo Gnóstico,que possa transformar-nos radicalmente. O Movimento Gnóstico, nossosestudos Gnósticos Antropológicos, mostrarão a humanidadea senda da liberação.
Mas assim como estamos, com o Ego vivo, forte, robusto, marchamos pelo caminho do erro.
Necessitamos aprender a amar o fogo, e a trabalhar em realidade comos Mistérios do Fogo.