O despertar do Kundalini e a dissolução do Eu constituem precisamente a base fundamental de toda realização a fundo.
Neste capítulo vamos tratar sobre o tema da dissolução do Eu. Isto é definitivo para a liberação final.
O Eu é o Demônio que levamos dentro. Sobre esta afirmação, dizemos que o trabalho da dissolução do Eu é realmente o Trabalho com o Demônio.
Este trabalho é muito difícil. Quando trabalhamos com o Demônio, as entidades tenebrosas costumam atacar-nos terrivelmente. Na realidade esta é a via do homem astuto, o famoso Quarto Caminho, a Senda Tau.
A luxúria é a origem do Eu pecador. O Ego, Satã, está submetido à Lei do Eterno Retorno de todas as coisas; regressa a novas matrizes para satisfazer desejos. O Eu, em cada uma de suas vidas, repete os mesmos dramas, os mesmos erros. O Eu se complica através do tempo, tornando-se cada vez mais e mais perverso.
Satã está submetido à lei da Reencarnação. Satã deseja voltar e volta a este mundo milhões de vezes. Satã reencarna para satisfazer desejos insatisfeitos. As reencarnificações humanas não podem jamais aperfeiçoar a Satã. A evolução mecânica da Natureza nunca pode aperfeiçoar a Satã. Satã robustece-se e fortifica-se com as experiências da vida. O homem simples, de há milhões de anos, é agora o homem da bomba atômica e da bomba de hidrogênio. O homem humilde que pastoreava ovelhas transformou-se no potentado do ouro e da prata. O habitante humilde da velha Arcádia é agora o homem das boites. O menino inocente transforma-se com as experiências no velho astuto, ciumento, desconfiado, malicioso, avaro, etc. É assim que o Eu se fortifica com as experiências da vida. Essa é a triste realidade deste mundo doloroso.
O Satã que levamos dentro de nós está formado por átomos do inimigo secreto. Satã teve um princípio, Satã tem um fim. Necessitamos dissolver Satã para regressar à Estrela Interior que sempre nos sorriu. Essa é a Verdadeira Libertação Final. Só dissolvendo o Eu logramos a Libertação Absoluta.
Nas profundidades ignotas de nosso Ser Divino, temos uma Estrela Interior, completamente Atômica. Esta Estrela é um Átomo Super-Divino. Os Cabalistas denominam-no com o nome sagrado de Ain-Soph. Este é o Ser do nosso Ser, a Grande Realidade dentro de nós.
Este Super-Átomo, antes de ingressar na evolução mecânica da Grande Natureza, não tem consciência da sua própria felicidade. A felicidade sem consciência de sua própria felicidade não é felicidade. A Estrela Interior que guia o nosso Ser, respondendo aos impulsos cósmicos dos Santos Deuses, enviou um raio de si mesma à evolução mecânica da Grande Natureza, para adquirir auto-consciência.
O raio desceu com a involução da Grande Vida. O raio converteu-se depois em elemental e evoluiu nos reinos mineral, vegetal e animal. Quando ingressamos pela vez primeira na matriz humana, quando nos vimos convertidos em homens, fizemos auto-consciência. O objetivo, o projeto divino se havia consumado. Desde esse instante supremo, deveríamos ter regressado à Estrela Interior que sempre nos sorriu. Infelizmente, dentro da selva espessa, entre os instintos tremendos da Natureza, nasceu o desejo humano que aprisionou a mente. Assim nasceu o Eu (Satã). Esse foi o nosso grande equívoco. Desde então estamos reencarnando. Satã reencarna para satisfazer desejos. Satã fortifica-se com as reencarnações.
Necessitamos, portanto, regressar ao ponto de partida e reconhecer o nosso grande equívoco. Necessitamos dissolver Satã.
Deus não necessita evoluir porque é Perfeito. Deus não necessita aperfeiçoar-se. ELE é Perfeito. Deus é o nosso Ser Interno.
Satã evolui, porém jamais se aperfeiçoa. Satã é Satã. A evolução mecânica da natureza jamais pode significar aperfeiçoamento de Satanás. Satã se robustece com a evolução mecânica da natureza. A civilização moderna com todos os seus horrores, prostituição, guerras, bombas de hidrogênio, bombas atômicas, homossexualismo, etc., está demonstrando com fatos evidentes que a evolução mecânica da Natureza fortifica e robustece Satã. Fatos são fatos. A evolução não aperfeiçoa ninguém.
Necessitamos de uma tremenda Revolução da Consciência para conseguir o retorno à Estrela Interior que guia o nosso Ser. Só com a dissolução do Eu existe revolução total.
A dor não pode aperfeiçoar ninguém. Se a dor aperfeiçoasse, toda a humanidade já seria perfeita. A dor é a consequência de nossos próprios erros. Satã comete muitos erros. Satã colhe o fruto de seus erros. A dor é esse fruto. Por conseguinte a dor é satânica. Satã não pode aperfeiçoar-se, e nem aperfeiçoar ninguém. A dor não aperfeiçoa porque a dor é de Satã. A Grande Realidade Divina é a felicidade, paz, abundância e perfeição. A Grande Realidade não pode criar a dor. O perfeito não pode criar a dor. O que é perfeito só engendra felicidade. A dor foi criada pelo Eu (Satã).
O tempo é Satã. Satã é recordação, Satã é um manojo de recordações. Quando o homem morre, só ficam as recordações. Estas recordações constituem o Eu, o mim mesmo, o Ego reencarnante. Os desejos insatisfeitos, as recordações do passado se reencarnificam. É por isso que somos escravos do passado. Podemos assegurar que o passado condiciona a nossa vida presente. Podemos mesmo afirmar que Satã é o tempo. Podemos dizer, sem medo de equivocar-nos, que o tempo não pode libertar-nos desse vale de lágrimas, porque o tempo é satânico. Temos que aprender a viver de instante em instante. A vida é um eterno agora, um eterno presente. Satã foi o criador do tempo. Aqueles que pensam libertar-se num futuro distante, dentro de alguns milhões de anos, com o tempo e com os séculos, são candidatos seguros ao abismo e à segunda morte, porque o tempo é de Satanás. O tempo não liberta ninguém. Satã escraviza, Satã não liberta. Necessitamos, pois, libertar-nos agora mesmo. Necessitamos viver de instante em instante.
Todo ser humano tem sete centros básicos: Primeiro - o Instintivo. Segundo - o Centro Motor. Terceiro - o Emocional. Quarto - o Intelectual. Quinto - o Sexual. Sexto - o Emocional Superior. Sétimo - o Mental Superior. Estes dois últimos centros não têm veículos, mas quando engendramos o Astral Cristo e a Mente Cristo com a Magia Sexual, o resultado é maravilhoso porque, então, estes dois centros convertem-se, de fato, nos verdadeiros instrumentos divinos do homem com alma. A distinção que há entre os centros inferiores e superiores, entre os centros que utilizamos neste mundo e os instrumentos eternos que servem para todos os mundos é urgente para a compreensão do Trabalho Interno que temos de realizar.
O Eu exerce controle sobre os cinco centros inferiores da máquina humana. Estes cinco centros são: Pensamento, Sentimento, Movimento, Instinto e Sexo. Os dois centros do ser humano que correspondem à Consciência Cristo conhecem-se em ocultismo como Mente Cristo e Astral Cristo. Estes dois centros superiores não podem ser controlados pelo Eu. Infelizmente, a mente superior e a emoção superior não dispõem destes dois preciosos veículos Crísticos. Quando a Mente Superior se reveste do Mental-Cristo e quando a Emoção Superior se reveste do Astral-Cristo nos elevamos de fato ao estado verdadeiramente humano.
Todo aquele que quiser dissolver o Eu deve estudar suas atividades nos cinco centros inferiores. Não devemos condenar os defeitos, mas tampouco devemos justificá-los. O importante é compreendê-los. Urge compreender as ações e reações da máquina humana. Cada um destes cinco centros inferiores tem um mecanismo complicadíssimo de ações e reações. O Eu trabalha com cada um destes cinco centros inferiores e, se compreendermos a fundo todo o mecanismo destes centros, estaremos a caminho de dissolver o Eu.
Na vida prática duas pessoas reagem de forma diferente ante uma representação. O que é agradável para uma pessoa, pode ser desagradável para outra. Muitas vezes a diferença reside em que uma pessoa pode julgar e ver com a mente e a outra pode ser tocada em seu sentimento. Temos que aprender a diferenciar a mente do sentimento. Uma coisa é a mente e outra o sentimento. Na mente existe todo um jogo de ações e reações que deve ser compreendido. No sentimento existem afetos que devem ser crucificados, emoções que devem ser cuidadosamente estudadas e, em geral, todo um mecanismo de ações e reações que facilmente se confundem com as atividades da mente.
Este centro é útil dentro de sua órbita, o problema é querer tirá-lo de seu raio de ação. As grandes realidades do Espírito só podem ser experimentadas com a Consciência. Aqueles que pretendem investigar as verdades transcendentais do Ser à base de puro raciocínio caem no mesmo erro de alguém que, ignorando o uso dos modernos instrumentos científicos, tentasse estudar a vida do infinitamente pequeno com o telescópio e a vida do infinitamente grande com o microcóspio.
Necessitamos auto-descobrir e compreender a fundo todos os nossos hábitos. Não devemos permitir que a nossa vida continue se desenvolvendo mecanicamente. Parece incrível que nós, vivendo dentro dos moldes dos hábitos, não conheçamos estes moldes que condicionam a nossa vida. É necessário estudarmos os nossos hábitos a fim de compreendê-los. Eles pertencem às atividades do centro do movimento. É necessário auto-observar-nos no modo de viver, de atuar, de vestir, de andar, etc. O Centro do Movimento tem muitas atividades. Os esportes pertencem também ao Centro do Movimento. Quando a mente interfere neste centro obstrui e danifica porque ela é muito lenta, ao passo que o centro do movimento é muito rápido. Todo datilógrafo trabalha com o centro do movimento e como é natural, pode equivocar-se no teclado se a mente chegar a interferir. Um homem dirigindo um automóvel poderia sofrer um acidente se a mente chegasse a interferir.
O ser humano gasta torpemente suas energias sexuais com o abuso de emoções violentas no cinema, televisão, partidas de futebol, etc. Necessitamos aprender a dominar nossas emoções para não desperdiçar as energias sexuais.
Existem vários instintos: o de conservação, o sexual, etc. Há também muitas perversões do instinto. No fundo de todo ser humano existem forças sub-humanas instintivas, brutais, que paralisam o verdadeiro espírito de amor e de caridade. Estas forças demoníacas devem primeiro ser compreendidas e depois submetidas e eliminadas. São forças bestiais, instintos criminosos, luxúria, covardia, medo, sadismo sexual, bestialidades sexuais, etc. Necessitamos estudar e compreender a fundo essa forças sub-humanas para poder dissolvê-las e eliminá-las.
O sexo é o quinto poder do ser humano. O sexo pode libertar ou escravizar o homem. Ninguém pode chegar a ser íntegro, ninguém pode realizar-se a fundo sem a força sexual. Nenhum célibe pode chegar à realização total. O sexo é o poder da alma. O ser humano chega a ser íntegro com a fusão absoluta dos pólos masculino e feminino da alma. A força sexual desenvolve-se, evolui e progride em sete níveis (os sete níveis da alma). No mundo físico o sexo é uma força cega de mútua atração; no astral a atração sexual fundamenta-se na afinidade dos tipos, segundo as suas polaridades e essências. No mental a atração sexual realiza-se segundo as leis da polaridade e da afinidade mental. No plano causal a atração sexual realiza-se baseada na Vontade Consciente. É precisamente neste plano das causas naturais onde se realiza conscientemente a unificação plena da alma. Realmente ninguém pode chegar à glória suprema do Matrimônio Perfeito sem haver alcançado este quarto estado de Integração Humana.
Necessitamos compreender a fundo todo o problema sexual. Necessitamos ser íntegros. Necessitamos transcender a mecanicidade do sexo. Necessitamos saber procriar filhos da sabedoria. No instante supremo da concepção as essências humanas estão completamente abertas para toda classe de influências. O estado de pureza dos pais, a força de vontade para não derramar o Vaso de Hermes, é só o que pode protegê-los contra o perigo da infiltração no espermatozóide e no óvulo de substâncias sub-humanas de Egos bestiais que queiram reencarnar.
Compreendendo as íntimas atividades dos cinco centros inferiores, descobrimos todo processo do Eu. O resultado desse auto-descobrimento é a morte absoluta de Satã (o tenebroso Eu lunar).
Sendo a mulher o elemento passivo, receptivo, é claro que recolhe e armazena os resultados do ato sexual de todos os homens que adulterem com ela. Esses resultados são substâncias atômicas dos homens que efetuaram o ato sexual com ela. Quando um homem tem relações sexuais com uma mulher que pertenceu a outro homem, ou a outros homens, recolhe então as essências atômicas daquele ou desses homens e com elas (as essências atômicas) se auto-envenena. Trata-se de um problema gravíssimo para os irmãos que estão dissolvendo o Eu, pois que não só têm que lutar contra os seus próprios erros e defeitos, mas também e além disso contra os erros e defeitos desses outros homens com quem a mulher teve contato.
O Eu é a raiz da dor. O Eu é a raiz da ignorância e do erro. Quando o Eu se dissolve, fica dentro de nós somente o Cristo Interno.
É necessário dissolver o Eu. Somente dissolvendo o Eu desaparece a ignorância e o erro. Quando o Eu desaparece, fica somente em nós isso que se chama amor.
Quando o Eu se dissolve advém a autêntica felicidade. Só aniquilando completamente o desejo, logramos a dissolução do Eu. Se quisermos aniquilar o Eu devemos ser como o limão.
O Eu é o horroroso Satã, o horrível demônio que nos fez a vida tão amarga e asquerosa.