Prelúdio

A escuridão era quase completa. A única fronteira entre a pouca luz e o breu total era a chama das tochas dispostas em semicírculo, dançando num ritmo hipnótico, formando sombras macabras ao redor da sala.

Sim, era uma sala... e as sombras deslizavam traiçoeiras por baixo de capuzes negros e longos. As figuras disformes se encontravam também em semicírculo, completando um círculo com as tochas à sua frente.

Sibilos e grunhidos indecifráveis enchiam o ambiente, tornando-o ainda mais desagradável. Ruídos frios e sinistros também podiam ser ouvidos, mesmo que fossem apenas sussurros: murmúrios constantes na mente.

Entre as tochas e as figuras encapuzadas havia uma cadeira semelhante a um trono. Sentado nele, um vulto negro que começou a emitir sons mais gélidos que os anteriores. Estes cessaram para ouvir seu mestre.

Era possível notar de relance o brilho vermelho nos olhos do vulto sentado no trono. Ele sibilou algo e as figuras se puseram a baixar os capuzes. O brilho das tochas refletindo naquilo que deveriam ser mãos, revelou sombras de dedos extremamente finos. Garras.

Sob a fraca luz do fogo, um ser reptiliano levantou de seu trono e começou a mover-se em volta das outras criaturas, ainda sibilando.

Aquelas formas estranhas não notaram quando uma mão deslizou nas sombras, cobrindo parte de um rosto com uma mecha de cabelo liso e negro. Depois disso os ruídos frios e sinistros que tentavam perturbar sua mente de repente cessaram, assim como os sibilos. Estes deram lugar a uma voz humana - mas que se assemelhava ao sibilo da pior cobra do deserto - que sussurrava ordens terríveis para seus servos.

A vista ali de cima havia sido a melhor que aquela figura furtiva pudera encontrar, mesclando-se perfeitamente às sombras, de modo que ninguém pudesse notar sua presença. Assim que conseguiu se concentrar e sair do estado caótico em que sua mente se encontrava, voltou a observar a cena. As sombras não pareciam mais tão disformes e a iluminação das tochas revelava partes das cabeças descobertas. O ser reptiliano que antes movia-se em volta deles, dera lugar a outro ser não menos macabro, os olhos ainda mantendo o brilho vermelho-sangue:

Lord Voldemort.

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